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Cartas

ELES ABORTAM A CRIANÇA OU NÃO?

ELES ABORTAM A CRIANÇA OU NÃO?



----- Original Message ----- From: ELES ABORTAM A CRIANÇA OU NÃO? To: contato@caiofabio.com Sent: Wednesday, June 08, 2005 12:53 PM Subject: Quando a benção não vem na hora certa. Ola Caio! Gostaria de te pedir um conselho sobre um primo meu que pediu pra eu te escrever... Eu, ele e a namorada dele, somos pessoas que estamos caminhando nesse Caminho da Graça e que tem nos ajudado tanto... Só que a mãe dela é muito legalista e é da IURD... Até já falou que ela esta fria espiritualmente e até se desviando... e você já sabe o por quê dela pensar assim...rsrs... Aconteceu que os dois acabaram indo para a cama, e agora ela está grávida... A questão é que esse menino vai trazer grandes problemas... e ai vão dizer que é maldição e etc... Eles estão até pensando em tirar a criança, pois crêem que não é o momento de tê-la... Ele disse que o problema não é a criança, mas sim a situação..., pois vivemos em um ambiente totalmente legalista, onde a lei se tornou inflexível. Então é preferível matar a prostituta do que não cumprir a Lei... Então gostaria que você me desse algum conselho em relação a isso, e se precisar de mais informações eu te dou... Um grande abraço de alguém que te admira e que sabe que você foi mais um alcançado pela Graça. ________________________________________________________ Resposta: Meu querido amigo: Paz e Bem! Quem quer que queira ter relações sexuais e ache que é maduro para isso, caso não queira ter filhos, deve evitá-los (e há muitos meios disponíveis). Do contrário, havendo concepção em razão da relação sexual, a mesma maturidade e responsabilidade que levou o casal até a cama, deveria também levá-los até ao berço do filho que virá. A questão não é ter ou não ter o filho, mas sim se eles vão tentar, juntos, ser pais para essa criança. Nesse caso, a única questão é se eles se amam de verdade; e se desejam tentar dar um lar a esse filho que ambos fizeram. Sexo é coisa maravilhosa, porém, séria. No sexo podemos ter amor, afeto, carinho, intimidade, prazer e êxtase. Mas é também por ele que a vida tem seu prosseguimento. Aliás, todo encontro sexual é, em si, um encontro de procriação, a menos que as partes evitem. Por isso, conforme a consciência na Graça, não se pratica sexo sem se ter tal consciência madura bem firmada no coração. Afinal, a Graça gera liberdade—com todas as implicações responsáveis que o exercício da liberdade produz—, mas nada tem a ver com um selo de autenticação da libertinagem, da imaturidade ou da irresponsabilidade. Estamos diante de duas possibilidades de apedrejamento pela lei: o dos pais (pelo julgamento da igreja); e o da criança (que corre o risco de ser morta pelos pais a fim de que a lei não lhes traga problemas sociais na igreja). Eu digo: tirem o feto; dêem um pedaço para a “igreja”; e dêem outro pedaço aos pais. Assim as demandas da lei serão explicitamente satisfeitas segundo os fariseus. “Eu, porém, vos digo: Tende a criança, e tratem-na com reverencia, respeito e amor. Pois o que passar disso vem do maligno”—provavelmente fosse o que Jesus diria. Se são jovens demais para ter filhos, devem também ser jovens demais para transar. Mas se não são jovens demais para transar, que sejam maduros o suficiente para assumir o filho que geraram. Quem responsavelmente não pode ter filhos, os evita com lucidez. Mas quem os tem mesmo evitando, nem por isso ganhou o direito de abortá-los. Um aborto, para mim, só se justifica em situações graves demais: malformação do feto, estupro, ou incestos diretos. Essa é minha posição de concessão ao aborto. Mas nada mais além disso me faz crer que um aborto não seja maligno. Peça a ela, mais do que ele, para me escrever; pois, nessa hora, mais do que ninguém, é a mãe que se tem de ouvir. Todavia, considerando apenas o que você me narrou, essa é minha opinião; e a dou de acordo com o que creio ser o espírito do Evangelho. Nele, que graças a Deus nasceu e não foi abortado, apesar das circunstancias terem sido tão impróprias e inexplicáveis; pois, do contrário, estaríamos todos perdidos, Caio