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Cartas

E QUANDO A PESSOA NÃO CRÊ QUE A BÍBLIA É VERDADE?

E QUANDO A PESSOA NÃO CRÊ QUE A BÍBLIA É VERDADE?



-----Original Message----- From: Silvio Sent: sexta-feira, 14 de maio de 2004 20:01 To: contato@caiofabio.com Subject: JESUS NA ERA DE SAN GERNAN--II Prezado Caio, Li no tópico "histórias" sua conversa com o espiritualista. Achei muito interessante. Também falei com um parente a respeito de Jesus, mas ele me disse "- O que está escrito na Bíblia sobre Jesus não condiz com a verdade..." O que eu poderia responder ? Um abraço, Silvio ____________________________________________________________ Resposta: Meu amado Silvio: Nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento! Se o problema fosse, “Nem tudo o que está na Bíblia é verdade!”, eu diria a você o seguinte: Simplesmente responda que é verdade. A Bíblia não é a Verdade. Jesus é a Verdade. A Bíblia é o livro da revelação de Deus aos homens, e também o livro da revelação dos homens a si mesmos. Por isto, na Bíblia você também tem a revelação do engano, da mentira, do equivoco, do medo, dos juízos, dos pecados e, sobretudo, do amor de Deus por um povo que se alimentava da mentira e do engano, muito mais que da Verdade; e isto tudo contado de modo lento e processual. Jesus disse que os religiosos examinavam as Escrituras procurando pela vida eterna. E concluiu: “Pois são elas mesmas—as Escrituras—que testificam de mim”. Desse modo, na Bíblia eu tenho o testemunho do amor de Deus pelos homens, apesar dos homens. Em Jesus, no entanto, eu tenho Deus mesmo amando os homens. As Escrituras dão testemunho de que existe algo como a Verdade. Jesus, todavia, diz: “Eu sou a Verdade”. Assim, meu amigo, nossa salvação não está na Bíblia, mas em Cristo. A Bíblia dá testemunho da salvação, mas ela mesma a ninguém salva. O Verbo que se Encarnou não foi a Bíblia, como Escritura Sagrada. Mas a Palavra Eterna, por meio da qual o Universo foi criado, e que é muito maior que a Bíblia, embora seja pela Escritura que eu tenha conhecimento de tais coisas. Não se deve confundir a Escritura com a Palavra; assim como não podemos pensar que Jesus é a Encarnação da Bíblia. Foi o próprio apóstolo João quem disse que se todas as coisas que Jesus fez e ensinou fossem publicadas, nem no mundo todo caberiam os livros. Mas concluiu: “Estas que foram escritas o foram para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. Assim, a Bíblia não é a Verdade, pois Jesus é a Verdade. Eu, todavia, só saberia de Jesus porque alguns homens, movidos pelo Espírito Santo, escreveram da parte de Deus, aquilo que hoje me fala de Jesus; embora, os mesmos que escreveram tenham testemunhado que a fé vem pela Palavra, não pela leitura. Ou seja: pode ser que lendo, eu creia; mas eu não creio porque eu leio. A fé não é nada além de pura graça e revelação; e vem de Deus; e vem até para quem nunca leu nem ouviu de homem algum coisa alguma. Deus também dá testemunho de si mesmo e de Seu Cordeiro Eterno. Quando eu leio os evangelhos ou os demais textos do Novo Testamento, eu não procuro por nada além de espírito. Isto porque os que escreveram aqueles textos não queriam fazer de seus textos algo que fosse como a Torá dos judeus. Eles não criam nisto. Eles queriam apenas registrar fatos, feitos, palavras, e gestos. O resto, eles criam, era obra do Espírito. Assim, não é o fato de haver evangelhos escritos o que nos salva, pois demorou muito para que se escrevesse alguma coisa sobre Jesus; porém, mesmo sem escrituras, a Palavra viajava de boca em boca, de alma em alma, até virar vida em cada um. E foi porque muito primeiro virou Vida que virou registro escrito; não para substituir a Palavra, mas apenas para fazê-la acessível para muitos outros homens. Desse modo, escrever o que Jesus fez e ensinou era absolutamente natural para eles; assim como para mim é natural escrever acerca Dele; e escrevo baseado nas escrituras do V. e do N. Testamentos; porém, minha relação não é com o texto escrito, mas com a Palavra; e que muitas vezes me vem da Escritura, e outras vezes vem de onde não espero. Mas tudo aquilo que é Palavra de Deus se faz coerente com o espírito de Jesus, conforme o testemunho que o Evangelho dá acerca Dele. Desse modo a Escritura não existe para si mesma, mas para indicar um único ponto: Cristo, em Quem a Palavra é o que é. Não entre em disputas com seu parente. Ele está certo em algumas coisas, a começar da falta de interesse da Bíblia em muitas coisas, inclusive nos erros de concordância e de seqüência algumas cronologias históricas, e que existem com mais abundancia no Novo Testamento, especialmente. E sabe por que é assim? Sabe por que as Escrituras do Velho Testamento são impecáveis até nas letras, e o Novo Testamento não? Porque para os Judeus a Escritura era a mediadora; era a arca das palavras divinas; era quase-como-Deus. Então, as letras viraram coisa sagrada, e a meticulosidade se tornou um virtude religiosa. Já no N.T. não há textos sagrados; há sim Palavra de Vida; afinal, Jesus mesmo disse: “As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida”. Os discípulos de Jesus não tinham Bíblias, mas tinham a Palavra. A Palavra tem que ser carregada no coração como espírito, não em baixo do braço como livro santo. No Princípio era o Verbo, não a Bíblia. O mundo não foi feito pela Bíblia, mas a Bíblia por causa do mundo! A Bíblia é finita, e ela mesma fala de sua finitude. Jesus, o Verbo, é infinito; e não trata a Bíblia como nada além do que ela é: testemunho escrito e histórico do processo pelo qual Deus se revelou aos filhos de Abraão. Jesus, todavia, é sumo sacerdote de uma ordem superior, muito maior que Israel ou que a própria Escritura, visto que Ele é da Ordem de Melquizedeque, acerca de quem a Escritura fala como Mistério. Ou seja: fala sem nada dizer além de que aquele era um sacerdócio diferente, e supra histórico. E Davi acrescenta que Aquele que é Aquele, seria da Ordem de Melquizedeque, não de nenhuma tribo humana. Procederia historicamente de Judá; porém, Seu sacerdócio não seria historicamente genealogizavel. Por último, gostaria de lhe dizer que assim como foi no início, deve ser também hoje. No início os os discípulos não carregavam Bíblias, e eram ausados de tudo, até de canibalismo infantil e de orgias nos cultos; num tempo em que o nome Jesus não soava como nada que pudesse ter algum valor ou crédito. Todavia, eles não buscaram provar ao mundo que a havia verdade nas Escrituras, mas tentaram viver a Verdade que é Jesus, neles mesmos. Paulo diz que nós somos a Carta Viva. Escrita no coração, e conhecida por todos os homens. Portanto, não perca seu tempo tentando provar a Verdade. A Verdade é para ser vivida. A Única prova da Verdade é a Vida. E a Verdade é provada como verdadeira quando o bicho pega e a gente não teme; quando a morte chega e a gente celebra a vida; quando o ódio impõe sua tirania e a gente o destrói com Graça e Perdão. Essa é a coerencia; e que só será vista em sua vida, não num pedaço de papel. Espero que tenha me entendido. Desculpe a pressa, mas é que estou correndo um pouco. Nele, em Quem temos a Verdade, Caio