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Cartas

DINHEIRO: NÃO AGÜENTO MAIS VIVER ENDIVIDADO

DINHEIRO: NÃO AGÜENTO MAIS VIVER ENDIVIDADO

-----Original Message----- From: DINHEIRO: NÃO AGÜENTO MAIS VIVER ENDIVIDADO Sent: sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004 10:11 To: contato@caiofabio.com Subject: Contato do Site : Confidencial Mensagem: Dividas Grande Caio, graça e paz! Gostaria que você falasse a mim e a todos do site que tem problemas com dívidas. Existe algum tipo de raiz psicológica para isso? Digo isso porque eu não ganho mal, posso perfeitamente pagar minhas contas, mas sempre estou com pendências porque tenho um vício em gastar com coisas super-fulas. Ou seja, compro o que não preciso e deixo de pagar o essencial e por isso sempre me enrolo financeiramente, me sentindo um trapo depois do erro. Não sei se isso tem a ver com a história de família, criação, enfim, formação. Só sei que não quero mais ficar nessa situação porque é muito chato. Espero uma palavra esclarecedora, como sempre são as suas... Abraço, ********************************************** Resposta: Meu amado amigo: Está Pago! Dever aos homens é um horror; deva eu ao Senhor, pois a Deus sou todo dívidas! Eu nunca tinha conhecido o poder da dívida até 1998. Já havia devido antes, mas eram apenas aquelas dívidas do atraso...mas que você logo paga...ou sabe que poderá pagar. Mas foi em 1998 que passei a conhecer as dívidas que você não tem como pagar: é um inferno! Há, portanto, duas dívidas: 1. As que se pode pagar: que são aquelas que são fruto da desorganização, ou de incidentes e circunstâncias. Quando são fruto das circunstâncias, paciência...a gente se reorganiza, negocia, e paga. Mas quando são fruto da desorganização crônica, então, é bem mais sério...pois não é uma dívida, mas um espírito, uma cultura de endividamento...e isso é um vício de caráter...e que pode tanto ser fruto da cultura familiar, como também ser o resultado de distúrbios de natureza psicológica. Quando a coisa é fruto da cultura familiar, então, é uma questão da pessoa se enxergar, se admitir como viciada naquela forma de procrastinação...decidir enfrentar o caso de frente...se organizar...buscar disciplina...às vezes até fazer uma gestão conjugada do dinheiro...e partir para acertar. Mas quando o problema é apenas sintoma de desordens psicológicas mais profundas, então, o caminho é a terapia...a fim de se encontrar a pulsão que gera aquele comportamento. Ora, as causas psicológicas podem variar e até se mascarar...mas são discerníveis a maior parte das vezes. 2. As dívidas que não se pode pagar: que são aquelas que nos acometeram como numa catástrofe. Você não agia assim...odeia dever...mas contingências da vida—acidentes, doenças, morte, falência, roubo, etc...—deixaram você num estado de insolvência econômico-financeira...e em volumes que em muito transcendem as suas possibilidades de pagamento...isto quando ainda resta alguma. Essa é a dívida que já levou milhões ao suicídio. Até há nem pouco tempo empresários costumavam se suicidar em tais circunstancias, pois o estado de falência...seguido da impotência que ele gera...para alguns era insuportável. Estas são as dívidas que precisam ser tratadas com honra, mas nunca com orgulho. Ora, isto significa que se será digno e honrado no reconhecimento das dívidas, e que se fará tudo para que elas sejam pagas em havendo recursos. Nada além disso. Quem não fez as dívidas de má fé ou tirando proveito pessoal do ato de dever...não tem porque se deixar matar de vergonha. É por isto que todo orgulho precisa ser banido no coração; pois é de tais orgulhos feridos que, muitas vezes, vem a própria morte...ou, no mínimo, muita culpa e perturbação de alma para o resto da vida. Especialmente porque quem caiu num buraco desses, não tem mais nenhuma titularidade cidadã por um bom tempo nesta Terra dos Homens. Receba meu abraço. Nele, que pagou as nossas dívidas impagáveis, Caio