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Cartas

DEUS DANÇA MAS NÃO JOGA DADOS!

DEUS DANÇA MAS NÃO JOGA DADOS!



MENSAGEM:


Pastor Caio,


  O Caminho da Graça também é a minha casa pois todos os domingos estou na reunião do Colégio La Salle. Desde que ouvi sua mensagem “Que Filho Você É” que tenho tentado seguir a Cristo, pela sua Graça.

  Sou um profundo estudioso da Física. Faço esta afirmação apenas para demonstrar minha motivação para escrever este e mail.

  Domingo passado (26/03/2006) li um artigo no Correio Braziliense intitulado “Misteriosos Dados de Deus”. Neste artigo existem as seguintes frases, atribuídas à grandes cientistas:

1. Einstein: “Deus não joga dados”

2. Borh: “Como Einstein sabe o que Deus anda fazendo?”

3. Alaor Chaves: “Deus não só joga dados, mas enquanto isso o diabo chocoalha a mesa”

4. Stephen Hawking: “Einstein estava duplamente equivocado quando disse que Deus não joga dados. Deus definitivamente joga Dados e também confunde jogando-os onde não podem ser vistos.”

5. Affonso Romano de Santana (autor do artigo): “As coisas parecem ser mais sutis quando se trata de Deus e os aludidos dados que ele joga ou não joga. Primeiro, não sabemos com quantos dados se deve fazer tal jogo. Talvez esses dados não tenham apenas seis lados. E certamente o número mais baixo não é o 1 nem o número mais alto, 6.”

  No raciocínio n° 4, de Hawking, aquele brilhante físico que tem o corpo deformado (o corpo, não a mente), temos que Deus esconde os Dados. Ora, sei que algumas dessas frases o Senhor já conhece pois estão no site. Ocorre que um fato me chama a atenção: A primeira vista parece que todos estes respeitáveis cientistas e filósofos concordam com uma coisa: A existência de Deus. Este fato parece-me incontroverso. Nesta linha de salutar convergência, minha singela pergunta é: QUAL(IS) AFIRMAÇÃO(ES) SE APROXIMA(M) MAIS DO EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS?

Um abraço,

Em, 28/04/06.

Paulo Henrique Ferreira

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Resposta:


Meu querido Paulo Henrique: Graça e Paz!

 

Que bom que estar entre “os do Caminho” o faz se sentir em sua casa, e, de fato o é. Sim, lá é a casa de todos nós.


Não tenho nenhuma formação formal em Física, porém, desde cedo vi que mesmo que fosse de modo auto-didático, eu dela muito precisava, pelo simples fato que me foi ficando cada vez mais claro, que no ambiente da Física havia “paralelismos” importantíssimos em relação ao discernimento do que é humanamente discernível dos caminhos de Deus, mediante a intervenção de comunicação reveledaora que as coisas criadas fazem acerca dos atributos de Deus, assim de Seu poder como de sua divindade.

Assim, há revelações de Deus que são evangelhos da Física; e, não estranhamente, quase todos os grandes iluminados da Física estão mais para homens de revelação e de intuiçao do que para meros operários de números.

Assim, posso lhe dizer que uma das ferramentas de trabalho reflexivo que me é mais útil ao discernimento das coisas da Palavra relacionadas ao tempo e a eternidade, me vem da Física como manifestação materialmente análoga em muitas coisas relacionadas à realidade do que é. 

Quem eu acho que faz a afirmação mais parecida com o espírito do Evangelho?

Ora, vejamos!

 

1. Einstein: “Deus não joga dados”

Resposta: Sim, Deus não joga, e não é apenas dados.

2. Borh: “Como Einstein sabe o que Deus anda fazendo?”

Resposta: De fato Einstein não poderia saber o que Deus anda fazendo; porém, é possível saber que um Deus que É, não joga. Como o que é pode oscilar entre o ser e o não, conforme um jogo pressupõe?

3. Alaor Chaves: “Deus não só joga dados, mas enquanto isso o diabo chocoalha a mesa”

Resposta: Deus não joga dados, mas o diabo faz de tudo para transformar a existência em algo como um jogo. Todavia, todo o jogo do diabo joga tudo de volta ao não-jogo do Deus que É.

4. Stephen Hawking: “Einstein estava duplamente equivocado quando disse que Deus não joga dados. Deus definitivamente joga Dados e também confunde jogando-os onde não podem ser vistos.”

Resposta: Deus trabalha sobretudo nas coisas que não aparecem. Porém, o trabalho de Deus não é um lançar de sortes. Se Deus lançasse sorte, o Destino seria o Deus de Deus.

5. Affonso Romano de Santana (autor do artigo): “As coisas parecem ser mais sutis quando se trata de Deus e os aludidos dados que ele joga ou não joga. Primeiro, não sabemos com quantos dados se deve fazer tal jogo. Talvez esses dados não tenham apenas seis lados. E certamente o número mais baixo não é o 1 nem o número mais alto, 6.”

Resposta: Aqui Romano chega perto de algo que, não fora a linguagem do jogo, que pressupõe incerteza, poderia ser dito de uma outra forma, e muito mais própria. Algo como: “Todos os modos e formas de ação de Deus não acontecem conforme nossos moldes e condicionamentos”.

Assim, Deus não joga nem dados e nem joga com os dados relacionados às nossas existências, almejando virar o jogo, buscando sempre, pela criatividade, encontrar o melhor resultado.

Esse Deus que joga dados existe dentro do “jogo” da existência. E, nesse caso, o jogo se torna maior que Deus. O Deus da aposta é um eterno viciado no Cassino de todas as probalilidades.

Tudo é possível ao que crê!

Porém, tudo o que chamamos de probalidade ou possibilidade ou até impossibilidade, não se torna possível apenas porque seja possível, mas porque dentre os possíveis, foi o único possível-possível segundo Aquele para quem o que existe como probabilidade não tem necessariamente que virar realidade; pois existe a realidade do provavel como probabilidade conceitual; porém, nem por isto, será um dos dados de um possível jogo de Deus.

Deus não joga, pois o Cordeiro imolado antes da fundação do mundo arrancou da existência a sorte e o azar, e estabeleceu o que é sendo...; e isto não conforme um “jogo de dados”, mas de acordo com uma meta: Fazer-nos semelhantes ao Seu Filho; e isto não é um jogo, mas um desígnio; ao mesmo tempo em que a palavra desígnio não designa bem o sentido de desígnio conforme o Evangelho; no qual o que é, nem por isso é privado da experiência linear e histórica de ir sendo; apesar de que na dimensão-dos-não-processos (ou seja: na dimensão do é), o tal processo de hoje, só pôde iniciar porque já estava concluído antes de começar. Esta é a implicação Física e Meta-Física da compreensão do Evangelho da Graça.

Portanto, todos os que acreditam em Deus na lista acima, agora teriam apenas de ter agregado ao seu discernimento sobre Deus nessa “contradição”:

Tudo já é apenas para poder ir sendo. Quem olha só linearmente o que vai sendo, pensa que Deus está jogando dados. Mas quem olha não do tempo, mas da eternidade, do que é — esse sabe que já é; e que tudo está apenas no processo histórico, sendo...; pois em todos os processos do tempo, até o que já é, tem que passar pelo processo do ser-sendo...

É, portanto, de uma Físcica que olha do tempo para ao que é “eterno”, ou apenas para que parece infinito, é que a figura do jogo de dados serve para a conversa. Mas quando se olha para o Cordeiro de onde nascem todos os elementos do Cosmos, e até os seus não-elementos, porém discerníveis como tais, então acaba o jogo e começa o que É.

No que é, tudo o que está sendo..., já é; e tudo o que existe em processo, caminha para o que será; e o que parece jogo de dados, são apenas os dados de algo que não é jogo, embora opere como um desígnio tão-não-designado aos sentidos lineares, que os observadores exteriores pensam que Deus lançou o mundo na Mesa da Sorte.

O Cordeiro imolado antes da fundação do mundo faz com que o pricípio do início tenha sido começado pelo fim-meta de todas as coisas.

Assim, como os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos, assim também o Omega precede o Alfa; pois sem o Omega do Cordeiro-Fim-Começo de todas as coisas, nada iniciaria como Alfa; pois o começo é uma vocação estabelecida pelo que já é, porém, na linearidade do tempo, ainda será.

Receba meu carinho e meu beijo!

Me procure no encontro “dos do Caminho”, no próximo domingo no La Salle.

Beijão; e que Nele sua vida seja não o “dado” de um jogo de dados, mas um bem Daquele que não joga fora quem habita Suas mãos, nem de brincadeira; pois Deus dança, mas não joga,

 

Caio