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Cartas

De Londres, mas não Longe!

De Londres, mas não Longe!

Mensagem: Querido Caio, É com muita alegria que escrevo este email! Enfim te encontrei na santa internet novamente. Nos correspondemos há algum tempo atrás, entre o lancamento do Nephilim e as Tábuas de Eva. Naquela época, escrevi alguns comentários sobre o já saudoso Abellardo Ramez II. De repente perdemos o contato. Mesmo sabendo que a esperança jamais deve morrer, vi o tempo passar e ele passou e passou. Fiquei sabendo que receberia uma visita, aí do Brasil, aqui em minha casa que é do outro lado do Atlântico. Resolvi pedir um presente das terras de Santa Cruz: "Traga-me uma fita, livro , qualquer coisa do Caio!" Meu pedido foi atendido e, Graças à Graça, que jamais nos abandona, recebi o Enigma da Graça e um Cd. Santo presente! Minha alegria foi restaurada, e a saudade de quem ainda não conheço pessoalmente, bateu forte. Lembrei da primeira vez que eu te vi pregar, lá em São Paulo, e de como acreditei naquela mensagem sobre o Davi que ouve as afrontas de Golias e parte para a briga. No final da pregação você disse saber que somente alguns ouviriam aquela reflexão e enfrentariam as afrontas. Sabe o que aconteceu? Eu acreditei! Deus estava falando comigo. Você saiu um pouco antes de encerrar o culto e passou do meu lado. Fiquei com uma vontade danada de te dar um abraço e dizer: Eu ouvi, Eu ouvi!, mas não tive coragem..... O tempo passou e segui meu caminho. Depois de ter trabalhado com uma banda Gospel, fui para a Inglaterra, Londres, estudar Teologia. Era o ano de 1993, e eu tinha 21 anos. Voltei para o Brasil, depois de 8 meses e passei mais um ano tentando entender qual seria meu lugar no mundo. Um ano se passou e mais uma viagem surgiu. Desta vez, estava indo como Voluntário para o Exército de Israel. Lá, pude falar sem falar do amor de Deus para alguns amigos, mais chegados que irmãos. Me casei depois de 2 anos, com a mulher que amo, e foi quando o universo eclesiástico perdeu seu brilho. A prosperidade exagerada e a confissão positiva não faziam parte do meu credo. No apartamento de recém casados, meio que sem pastor, te descobrimos no canal “que a gente não mudava , mas que mudava a gente.”, a Vinde TV. (gostamos do slogan!) Esperávamos ansiosos para receber algum alimento. Gravávamos em vídeo e assistíamos novamente. Enfim, Deus nos chamou de volta para o campo missionário. Pouco mais de um ano de casamento, partíamos para Israel, sem lenço e sem documento, com um sustento de 250 dólares, que se transformaram em 250 reais e que depois evaporou, ou melhor, se transformou em cimento e tijolos do novo templo. Mas Deus nos sustentou. Ele sempre sustenta! Bendito seja Seu nome! Trabalhamos no Exército, no meio dos Ortodoxos, e por último num Moshav de Judeus messiânicos. Estudamos Hebraico e nos apaixonamos por esta língua. O Antigo Testamento deixou de ser Antigo e se tornou nosso grande guia para entendermos um pouco mais sobre o caráter de Deus e a conduta humana. Após 2 anos sentimos que o Pai nos direcionava para sair da terra santa. Partimos então para Londres, de onde te escrevo, e começamos a trabalhar na evangelização de brasileiros que largaram tudo, ou as vezes nada, para tentar a vida nas terras da rainha. Aí a história é a mesma. Êxtase, ácido, prostituição, trabalho por 16-18 horas e muita, mais muita depressão. Começamos a compartilhar o que a nossa consciência nos permite, e logo percebemos que no mercado da fé não teríamos lugar. Nos trás azia a mediocridade escondida em fórmulas do tipo Lair Ribeiro camufladas pelo evangeliquês. Partimos por nosso caminho. Começamos à estudar a Bíblia aqui em nossa cozinha e alguns começaram a chegar. Quebrados, desanimados e acima de tudo machucados pela religião. Começamos a fazer aconselhamentos e mais estudos. Agora estamos reunindo cerca de 30 pessoas em nossa comunidade. Às quintas estudamos a Bíblia. Todos os sábados pela manhã tomamos café juntos e estudamos os evangelhos. E nos domingos nossa reunião. Já tivemos nosso primeiro batismo, que nos encheu de uma alegria singular, nos dando mais força para continuar. Por que estou te falando tudo isso? Primeiro para te dizer que através dos seus livros e de suas pregações, Deus tem me inspirado e me sustentado para pelo menos tentar ser diferente, ser eu mesmo, nesta sociedade pós-moderna. Segundo, porque tenho um pedido. Preciso de um Mentor. Não quero estar sozinho nesta obra que começamos aqui em Londres. Não quero estar sozinho como um Jovem Pastor que pensa as vezes tão diferente e tão contra algumas velhas estruturas eclesiásticas e religiosas. Tenho amigos, sim mais chegados do que irmãos, mas não alguém que eu admiro e que confiaria em sua palavra. Confio na sua. Sempre confiei, mesmo quando não entendia o que poderia estar acontecendo, sabia que você conhecia à Deus e que Ele te conhecia e conhece. Tenho planos, idéias e quero realmente fazer o que é certo. Tomo coragem então, mesmo conhecendo a possibilidade de sua impossibilidade, mas ta aí o pedido. Seja como for, uma coisa é certa. O dia que Deus nos permitir uma visita ao Brasil, gostaria imensamente de te dar um forte abraço, te chamar de Caião e te dizer de novo: Muito obrigado pela sua existência! Com amor e esperança, Um irmão que ama você ******************************************************** Meu amado irmão e, agora, amigo: o coração não se engana quando encontra o coração de outro irmão. Sua história me comoveu. Sobretudo, sua doçura e seu amor pelo Evangelho! Se puder ser útil, estou aqui. Minha alegria neste site tem sido muito grande. Muito trabalho. Hoje ainda tenho mais de 400 e-mails para responder. Mas está me fazendo muito bem, além de me doer os dedos; afinal, não sou bom digitador. Que o Senhor guarde o coração de vocês. Beijão, Caio