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Cartas

DE BENTO PARA CAIO: sobre “Uma Igreja com Propósito”

DE BENTO PARA CAIO: sobre “Uma Igreja com Propósito”



----- Original Message ----- From: DE BENTO PARA CAIO: sobre “Uma Igreja com Propósito”
To: contato@caiofabio.com
Sent: Friday, September 23, 2005 12:57 PM
Subject: Um pedido de nova olhada

Meu amado amigo Caio,

A desgraça acerca de Rick Warren é a quantidade absurda de indivíduos que o endeusam ou tentam imitá-lo.

No Brasil e em várias partes do mundo está cheio desses caras.

Claro que ele tem as "americanadas" dele. Quem não as tem? No entanto, como eu te disse, eu fui lá em Saddleback conhecer o cara. Eu observei tudo. Posso te dizer o seguinte: o cara detesta todas aquelas frescuras de hierarquias... ele é Rick, apenas... detesta assembléias pra decidir isso ou aquilo... lá só tem uma por ano (porque a Lei obriga)... e o cara deixa que os dons se manifestem naturalmente (qualquer um pode iniciar um tipo de ação entre o povo: desde mulheres que perderam um seio por causa do cancer de mama até alpinistas... qualquer um pode ser um "pastor" (sem o título, claro!) de seus próprios pares.

Há várias semelhanças com o Caminho da Graça. Descentralizado. Sem local fixo de reunião (o cara mudou trocentas vezes o local de reunião até achar que precisava ter um local próprio). Música sem frescura. A Palavra contextualizada. Etc.

Por que estou te dizendo isso?

Porque você, melhor do que ninguém, sabe o que é ser usado por Deus de forma poderosa, abençoando a muitos e levantando uma oposição absurda dos caciques da religião. Warren tem disso. Mas você sabe o quanto te imitaram e te imitam... oferecendo ao povo uma caricatura do que você prega e deseja ver entre o povo evangélico.

Ah! Lá o cara também não deixa ninguém ser juiz de ninguém. Foi pensando nisso que te escrevi ao achar esse artigo escrito na Christianity Today e pensei que você gostaria de dar uma olhada nele.

Louvei a Deus ao ver o repórter narrar que o cara "tá lendo a Bíblia com novos olhos" e também o mesmo movimento que você fez ao se unir "aos homens de Paz (boa vontade)", mesmo que eles não fossem cristãos.

A questão da grana também me fez lembrar você. Dá uma olhada no artigo e depois me fala algo.

Beijo saudoso,

Bento



Resposta:

Amado Bento: Bendita seja a tua vida com a Graça e a Paz de Jesus!

Realmente acho que Warren é do bem. E sei que o livro dele, embora ainda focado na “igreja” como centro de operações com significado, é bom; e sei que ele é dos melhores líderes evangélicos que há no meio da “liderança evangélica” na América.

No entanto, a meu ver, ainda é muito vinculado a algo que visa fazer a comunidade aumentar —embora sejam buscados elementos bons de embasamento bíblico—, o que, a meu ver, é parte do problema da “igreja” na sua dificuldade de se tornar Igreja.

Digo isso porque esta igreja que aumenta é a mesma que passa a viver para fazer a si mesma maior. Ora, tal questão já faz parte da perversão. Sim, porque tanto para Jesus, quanto também para Paulo, a busca era fazer as pessoas discernirem o entendimento do Evangelho; e, assim, com tal qualidade, dissolverem-se na massa da terra como sal.

Portanto, quando o “propósito” se propõe como um modo educado, palatável, atraente, generoso e simpático de ser “para fora”, ele ainda está fora do foco; visto que o propósito é crescer mais e mais no amor que nos aumente o conhecimento e a percepção do entendimento do Evangelho como um bem que começa em mim, em nós, como indivíduos; e, assim, de nós para os outros. E, para mim, tudo o que não afirme sem distração que a essência e o propósito do Evangelho é gerar a mente de Cristo em nós, e tornar-se um bem interior, uma Boa Nova para o ser — por mais que proponha a melhor vida comunitária, ou as mais inovativas e politicamente corretas formas de “evangelizar”, ainda está, mesmo que inconscientemente, no caminho da religião.

Creio de todo coração que quando a paixão por Jesus domina a alma de cada discípulo, a questão do crescimento ou do propósito da igreja desaparece de imediato; posto que o amor de Deus em nós, do mesmo modo que nos isenta de toda lei, também nos faz naturalmente praticantes de todo bem. Portanto, quando há o constrangimento do Evangelho do amor de Cristo em nós, missão e propósito passam a ser a natureza da existência.

Mas talvez eu esteja cuidadoso demais com as coisas que discirno como suaves sutilezas e maquiagens feitas nas vestes velhas e nos odres antigos. Pode ser apenas purismo de minha parte. Porém, purismo ou não, ei-lo aqui como pequena explicação.

Li o artigo na Christianity Today e gostei muito. Não colei aqui porque estava em inglês e ando meio sem disposição para a digitação. Acho que estou com tendinite, de tanto escrever aqui.

Um beijão mais que amigo!


Nele, em Quem todo aquele que não é contra nós já está do nosso lado,


Caio