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Cartas

Crentes e muitas dívidas...

Crentes e muitas dívidas...

-----Original Message----- From: A. B. Gomes Sent: sexta-feira, 1 de agosto de 2003 To: contato@caiofabio.com Subjec: A Grana dos crentes... Mensagem: Olá Caio!!! Tudo bem? Tenho observado dentro das igrejas um número cada vez maior de irmãos endividados. Será que estas pessoas ou os seus líderes não falam sobre planejamento financeiro familiar; ou será que eles são tão bons nas suas finanças que conseguem fazer mágica com o seu dinheiro, assumindo e pagando todas as suas dívidas? O que isto tem acarretado é um número maior de aconselhamento pastoral com uma ovelha com qualidade de vida péssima e um corpo espirtual totalmente afetado. Isto ocorre, pois, infelizmente as pessoas da própria igreja estão sendo enganadas por um espírito demoníaco chamado mamom, que é o demônio do consumismo, da compra desenfreada, das compras dos desejos, e não das necessidades. Creio que a Bíblia fale muito sobre finanças, e é necessário que nós nos empenhemos em aprender com Deus, e apresentar a ele cada compra, cada roupa...não que Ele não conheça nossas necessidades, mas nós sempre queremos suprir os nossos desejos. Muitas pessoas são influenciadas pelo próprio líder de sua comunidade, que Deus é o supridor, que é só “dar” que vc irá receber... Isto é errado,errado, errado.... O nosso ofertar e o nosso dizimar não podem ser um toma lá dá cá com Deus. Deus não é Banco. Se vc ganha mil e gasta dois mil, Deus não tem compromisso em cobrir os seus outros mil... mas Deus tem compromisso com quem é diligente, que sabe onde investir e como investir. Caio indique para nós leitores das suas colunas, cafés e outros, algumas leituras sobre finanças a luz da Palavra de Deus. Que a graça de Deus esteja contigo... Beijos ************************* Meu querido amigo e irmão: Paz! Nasci no tempo em que a melhores empregados, quase sempre, eram os “crentes”. Ouvi inúmeras vezes o seguinte: “Na minha empresa ou negócio, só quero crentes. São meio chatos na religião, mas são muito honestos”. No passado ser pastor ou ser crente já eram garantia de que o indivíduo sempre se conduziria com exatidão nos seus compromissos. Dificuldades, falências, quebras, concordatas, fracassos gerenciais e empresariais, todavia, acontecem com crentes...sempre aconteceram...e sempre acontecerão. Eu mesmo, depois de 25 anos fazendo as minhas coisas sem nenhum problema, em 1998, quando o “telhado caiu”, deixei para trás muitas coisas não resolvidas; e, por cujas ocorrências, já tive minhas mais doloridas tristezas, especialmente ao ver que os “beneficiários” de anos—e que se orgulhavam de dizer que trabalhavam numa “missão”—, quando os recursos se esgotaram, trataram os anos anteriores com esquecimento e partiram ferozmente para o ataque. Creio que três coisas estão por trás da Síndrome Evangélica de Inadimplência Adquirida. 1. Os Protestantes originais viviam com base na ética da Reforma. Essa semente, no Brasil, foi objeto de muitos enxertos, corrompendo o sêmen da ética original. 2. O crescimento Evangélico aconteceu sob os auspícios de duas “teologias”: A) a Teologia do Péla-Fé. “Péla” , não de “través de...”, mas “péla” do verbo pelar, tirar a pele, por exemplo. O Rev. João Chrisóstomo de Oliveira, já falecido, foi quem eu primeiro ouvi falar a cerca dos “péla fé”—os arranca pele pela fé! Eram pessoas que “sentiam” que tinham uma “missão”, e iam por aí péla-fé... E se alguém se dispusesse a ajudar, eles pelavam a fé do cara até os ossos: entravam na casa do sujeito e não saíam mais de lá...até a “missão” acabar no lugar. B) a Teologia da Prosperidade fez o resto do serviço. Com todo aquele negócio de “decretar”, “declarar”, “ordenar”, etc...muita gente entrou, decretou, pulou de cabeça e se estrepou. 3. A chegada das igrejas neo-pentecostais, com sua ênfase total no dinheiro como elemento de “troca” no culto a Deus, e como o “sinal” da prosperidade, cuidou de pavimentar o chão para chegássemos onde estamos. 4. Não se pode nem dizer que o Brasil é o “culpado”, pois, nos Estados Unidos, onde a economia não pode levar a culpa, os ministérios de teologias de prosperidade obtêm os mesmos resultados desastrosos de endividamento. Em minha opinião como homem que passou a vida toda sem dever—e que hoje conhece o amargo sabor de dever—, que viu dívidas serem criadas péla-fé, e que também viu os estragos da prosperidade, fica clara uma coisa: Não há livro cristão sobre finanças, que, por ter sido escrito por um “cristão”, tenha qualquer coisas a acrescentar à Matemática e à Aritimética. O livro de Provérbios lança o pavimento da cautela—às vezes até exagerada para o nosso gosto! O resto é bom senso: ver se com 100 tijolos a gente termina a torre; ver se com 10 mil homens pode-se vencer quem vem com 20 mil... No mais, é andar com integridade e controle, sem exageros e dentro do orçamento, tomar as precauções simples de quem anda pela fé, mas também não tenta a Deus. Ou seja: É só não sair por aí pulando do Pináculo do Templo aceitando propostas suicidas. Um abração, Caio