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Cartas

CASAMENTO ESPIRITUAL E MUITAS CONFUSÕES

CASAMENTO ESPIRITUAL E MUITAS CONFUSÕES



-----Original Message----- From: CASAMENTO ESPIRITUAL E MUITAS CONFUSÕES Sent: segunda-feira, 1 de março de 2004 09:44 To: contato@caiofabio.com Subject: Contato do Site : Confidencial Mensagem: Amado irmão, Graça e Paz! Tenho lido seu site e fiquei muito feliz, como já tive oportunidade de te expressar e você tão prontamente me retornou. Caio vou te contar minha história (espero ser breve e resumido) e gostaria que você me ajudasse com alguma palavra de conforto ou confronto que seja. Sou separado judicialmente de um casamento de mais de dez anos. Nos conhecemos em uma igreja no sul do Brasil. Ela, divorciada, dez anos mais velha que eu, mãe de duas filhas. Ela tem um amor muito grande por Deus e por sua causa. Mas é uma pessoa de um temperamento dificílimo e muito dona da verdade. Ela tem muita certeza das coisas que fala e que as coisas que fala são absolutas. Por conta disto arrumava confusão com muita gente (de pastores à irmãos). Enfim...uma pessoa de difícil relacionamento. Eu me decidi por Jesus aos 18 anos de idade, no Rio Grande do Sul, e aos 27 fui morar no Paraná, onde conheci esta pessoa. Eu tenho uma deficiência física, uma seqüela de um acidente na infância, e que me trouxe muitos preconceitos e complexos. Quando a conheci estava muito carente e estava desviado. Ela dizia que Deus falava com ela e tudo o que ela fazia, dizia: "foi Deus quem mandou". Nessa toada ela me convidou a trabalhar com ela em um projeto que ela estava desenvolvendo. Ela disse que Deus me mostrara a ela. Eu claro, aceitei e começamos a nos encontrar para falar disto. Comecei a me interessar pela irmã e hoje eu sei que era pura carência. Um dia ela me disse que Deus havia dito a ela que eu era o varão de guerra que Deus tinha pra ela, e que ela tinha certeza disto. Eu, claro, também já estava me sentindo atraído aceitei. Em quatro meses casamos, e ela com a saúde muito frágil, começou a adoecer... Eu me dei durante os três primeiros anos; cuidava dela, procurava cumprir minhas obrigações como marido, mas sempre me sentia no lugar errado. Eu não era totalmente feliz. O temperamento difícil dela me tirava da posição de cabeça. Eu por outro lado tinha meus buracos na alma, na minha personalidade que me faziam confundir tudo: paixão, amor, atração física, carência. No começo ela me tratava mal, muitas vezes não queria sexo, dizendo que nosso relacionamento era espiritual e não carnal. Eu fui enchendo disto. De tantas confusões andamos de igreja em igreja. Sempre carregado por ela, ministramos os cursos que ela dava. Eu fazia as coisas sem coração e sem convicção dentro de mim. Acobertava pecados, bate-papo na net, pornografia, adulterava em pensamentos com todas as irmãs da igreja. Pastor eu não era feliz e eu sabia disto, mas não queria sair por causa do que os outros iam falar. Até que um dia eu fui para ao Rio de Janeiro, e pela primeira vez eu adulterei. Conheci uma pessoa e saímos, fomos para a cama. Me desviei, saí da igreja e de casa também. Tive várias mulheres neste período, talvez numa tentativa de afirmar a mim mesmo que eu podia ter alguém melhor, acho que eu estava doente de cabeça e de alma. A esposa me perseguia, quebrar as minhas coisas na casa onde eu morava. Voltei para casa porque sentia carência. Sexo de graça e todo o conforto de um lar. Nesta época eu era empregado de uma grande empresa, ganhando muito bem; mas eu vivia endividado para tentar manter o padrão de vida da casa. Quando voltei para casa ela havia fundado uma “igreja” em casa, e ficamos ali "pastoreando" aquele povo. Foi quando ela me disse que havia recebido um convite de um pastor de Minas para trabalharmos com ele, e que eu teria que largar tudo para servir na obra com ela. Eu nunca tive convicção disto, mas para evitar confusão eu pedi demissão do emprego, vendemos carro e casa e fomos para a "obra". Quando chegou aqui em Minas o pastor não cumpriu com nada do que prometeu e passamos muitos apertos. Passei a odiá-la por causa disto e colocar nela a culpa, mas hoje eu sei que a culpa foi toda minha. Ficamos um ano e oito meses naquela igreja, e devido às confusões que ela arrumou com o pastor, tivemos que sair. Fomos viver pela fé, morando numa pequena cidade de Minas. Eu já vivia uma prisão. Em Julho de 2002 saí de casa de novo e fui para o sul, pra tentar recomeçar minha vida. Me desviei de novo e fui pro mundão. Eu já estava tão acostumado com o conforto do lar que comecei a sentir falta. Eu voltei para Minas porque havia surgido uma oportunidade de trabalho muito boa. Hoje estamos separados um tempo...mais de um ano e meio. Não suportei. Eu estava morrendo por dentro e saí de casa antes que eu cometesse um suicídio. Não nos relacionávamos direito. Eu chegava em casa e ela estava de cara amarrada, sem motivo aparente. Pastor, eu lhe digo que se eu for obrigado a voltar eu prefiro morrer. Hoje já conheci uma pessoa que me faz muito bem. Descobri meus buracos na alma e tenho buscado em Deus a cura para eles. Eu só quero ser feliz. Só quero poder recomeçar minha vida. No entanto eu não tenho os chamados motivos para o divórcio, aí vêm as pessoas que se acham mais santas que nós e me fazem pensar que cometi um pecado sem perdão. Eu sei hoje que nunca amei aquela mulher e sim que eu me escorava nela. Com isso a fiz sofrer porque eu dizia que a amava, sem mesmo saber o que sentia. Eu fui um covarde. Estou tentando recomeçar minha vida. Pastor, perdoe-me a falta de clareza, mas gostaria de uma palavra. Não peço aprovação ou apoio, mas uma palavra sensata. Um grande abraço! _____________________________________________________________________________ Resposta: Meu amado amigo: Uma Palavra de Vida para você! Eu sei da história de um médico que era casado com uma mulher parecida com essa que você descreveu. No bilhete de suicídio que ele escreveu, assim estava dito: “Como jurei que somente a morte nos separaria, não tendo coragem para matar você, me matei”. É verdade. O homem existiu e andava por perto da minha casa. É tragicômico. Você não tem que escrever esse bilhete. Nunca. Seu chamado é para a vida. Meu querido, chega de sofrimento e angustias. Tentando agradar aos outros e ao que eles pensam é que a maioria de nós faz muita coisa que faz mal a si mesmo nesta vida. Chega! Até hoje você não foi casado. Teve um caso legalizado com a “irmã”, mas nunca casou com ela. As pessoas não acreditam. Mas sem amor, ninguém, de fato, se casa. Apenas legaliza o direito humano à instituição do casamento. Case agora e seja feliz. É também impressionante como um abismo chama outro abismo, sempre. Todavia, ao invés de se ajudar alguém a sair da beirada da morte, institucionaliza-se a existência de tal pessoa na beirada do barranco, e depois ainda há quem se escandalize com o fato do cara ter caído no buraco. Um casamento como o seu dificilmente geraria outro resultado. Acabe com isso logo, recomece a sua vida sem pressa—não vá logo casando, conheça primeiro—e não carregue mais nenhuma culpa, nem mesmo a da covardia de ter casado e ficado por carência. Pode acontecer e acontece todos os dias. E profetas que fazem profecia do passado, não precisam ser profetas. Já era. Agora, ande com Deus. E nunca mais relacione seus problemas conjugais à necessidade de se “desviar”, pra ficar bem “de acordo com a desgraça”. Chega disso também. Quem é de Jesus não se desvia, apenas cansa, enfraquece, tomba, se fere, peca, equivoca-se...mas levanta-se, enche o peito de Graça, e caminha com fé o Caminho do qual se sabe inafastável. Nele, que nos socorre, Caio