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Cartas

CASAMENTO DE DOIS NÃO FAZ MAIS UM?

CASAMENTO DE DOIS NÃO FAZ MAIS UM?



“E serão dos dois uma só carne...”

É assim que o livro de Gênesis inicia ao determinar o significado verdadeiro de um casamento.

O complemento implica num rompimento umbilical com a família a fim de que os praticam o coito conjugal sejam mais do que dois mamíferos fazendo sexo, mas sim uma unidade tão total quanto seres relativos consigam ser.

Paulo diz aos Coríntios que o unir-se a uma mulher ou homem, no caso em questão a uma prostituta, faz da união física uma troca espiritual promíscua e maléfica.

É sempre assim: o que não é..., deixa energias maléficas para trás, visto que o que é mal é sempre algo “imediato”; enquanto o que É, precisa ser tecido aos poucos, todos os dias.

Mais adiante Paulo diria o seguinte: “Por isto deixa o homem a seu pai e a sua mão e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”—citando o Gênesis.
E diz: “Grande é este mistério; eu porém me refiro a Cristo e a Igreja...” Assim, se sabe que o casamento implica em que dois se tornem um, como a união com Cristo nos faz ser um com Ele.
E é por sermos agora um com Ele que podemos confiar que onde Ele está, ali nós já estamos também. Não há salvação e nem Evangelho na relação Eu e Cristo. Só há salvação na relação Eu-em-Cristo! Assim como também não há casamento na relação Eu e Ela, mas tão somente na relação Eu, nela; e Ela em mim.

Essa visão é reforçada por Paulo quando chama de Corpo de Cristo o povo das primícias do Espírito.
E o próprio Paulo aprendeu o significado disso desde cedo. Afinal, quando matavam Estevão, o que se diz é o seguinte: “E todos deixavam suas roupas nas mão de um jovem chamdo Saulo”.
Entretanto, mais adiante, quando Paulo aparece indo a Damasco para maltratar “os do Caminho” que lá viviam, Ele aprende o significado de que apredejar Estevão ou matar gente boa de Deus, equivalia a maltratar o próprio Jesus, pois, já não era a Igreja-e-Cristo, mas sim a Igreja-em-Cristo: “Saulo! Saulo! Por que me persegues?”

Ora, esse homem que já conhece a Jesus com a apresentação de que a atitude homicida dele para com o o povo do reino de Deus, era equivalente ao que ele pudesse fazer também a Jesus, é quem ensina que no casamento o princípio operante deve ser o mesmo.
Assim, lendo tais textos de sua aplicação maior no Mistério de Cristo com a Igreja, para a sua simbolização no casamento (ou seja: indo de Paulo em Efésios, para o Gênesis), ficamos sabendo o significado do que seja uma relação sadia entre um homem e uma mulher.

E mais: ficamos sabendo que à semelhança da relação de Jesus com a Igreja, que é tecida no tempo, nos ambientes do coração e na jornada existêncial do caminho da vida, do mesmo modo acontece entre um homem e uma mulher.


Quem toca num, toca no outro. Onde um está, o outro está presente mesmo quando ausente. Onde um tem, o outro possúi. Onde um é chamado Adão, a mulher ouve seu próprio nome, conforme Gênesis 5. Ou seja: conforme tão poeticamente se dizia no mundo dos dias de Paulo: “UBI TU CAIUS, IBI EGO CAIA” — significando: onde fores Caius ( Alegria em Latin), ali serei também chamada Caia (que significa "tua mulher").

Esse caminho, entretanto, demanda aprendizado em amor.

Trata-se de uma construção para toda a vida.

E é diferente da união com a prostituta, que deixa a sua carga de energia mesmo quando o coito não tem nenhum significado.


Como eu disse antes, tudo o que é mal se instala no “imediato”. Porém, o que é bom, é sempre uma construção de toda a vida.

É por isto que o ódio é imediato, pois mata; e o amor é contínuo, pois não se alimenta do imediato, mas da carreira da existência.

Hoje, num mundo em que cada casal já não é mais um, porém dois — dois em trabalhos diferentes; dois com amizades diferentes; dois com sentimentos de vida independente; dois com dinheiro separado; dois com programas desencontrados; dois com interesses antagônicos; dois com personalidades tão independentes que não conseguem ser inter-dependentes — o que restou foi o casamento que se assemelha, na melhor das hipóteses, àquelas gêmeas americanas com duas cabeças, ainda que forçadas a dividir o mesmo tronco.

Ora, são esses casamentos de Eu e Ele (a) aquilo que mais faz Tu e Ele jamais serem Nós; ou seja: um.

Grande é este mistério; eu porém aqui me refiro ao homem e à sua mulher; e vice versa.

Pense nisto!

Nele, em Quem somos um, pois Nele vivemos, existimos e respiramos; e mais ainda: Nele em Quem onde Ele está nós estamos também,

 

Caio