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Cartas

CARTA AOS PAULISTAS: não diga que você quer liberdade...

CARTA AOS PAULISTAS: não diga que você quer liberdade...

 

 


Liberdade. O que é isso? Existe mesmo? Onde?

Eu sou livre (cada vez mais), mas somente eu sei o quanto.

Isto porque minha liberdade só existe em minha cabeça. Não posso transferi-la para mais ninguém.

Posso sim, quando indagado, tentar propor o caminho da Lei da Liberdade. Porém, não posso passar daí.

Além disso, há inúmeros aspectos de minha liberdade de consciência em Cristo que não posso passar para quase mais ninguém; exceto para minha mulher e uns poucos amigos, incluindo os filhos.

Aos mais, pensando em Paulo, trato no espírito de quem diz “quanto a mim, pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano.”.

Isto porque não posso apanhar as perolas de minha liberdade e expô-las ao julgamento dos porcos de consciência.

Não! De mim eles não têm tal privilégio.

Entretanto, sinto pena. Muita pena de ver que a vida em Cristo é tão linda, leve, solta e séria de alegria — e não poder mostrar a extensão de tal caminho.

Sim! As veredas da consciência pessoal precisam ser respeitadas, e cada um sabe onde e como anda, e também somente esse mesmo pode dizer o que sente e como sente.

Todavia, o que é assustador é ver quem já entendeu o significado da liberdade lúcida e comprometida (e que nos está posta em Cristo como Evangelho) ainda assim, por diversas razões — seja por vício religioso, seja por culpa neurótica, seja por paranóia, seja por insegurança, seja por interesses financeiros — continua anos e anos (senão a vida toda) dentro da gaiola da religião e sempre se queixando que o lugar é inóspito à vida.

Assim, digo:

1. Não tenho mais tempo para discutir com quem apenas quer saber, mas nada quer fazer.

2. Não tenho tempo para repetir mais nada. Meu site tem o que penso sobre quase tudo; e também na medida em que pode esclarecer o bom entendedor.


3. Não tenho mais tempo para responder cartas, por exemplo, de milhares de pessoas de São Paulo; e que me escrevem se queixando da opressão em suas “igrejas”, mas que nunca aparecem na “Estação do Caminho” em São Paulo. Sim! Não tenho tempo para quem está viciado em reclamar, mas que não deseja solução.
 
4. Não tenho mais tempo para qualquer forma de questão ou problema evangélico. Só estou disponível para questões humanas; e as questões evangélicas não o são. Sim, pertencem à Ordem da Desumanização.

 
5. Não tenho mais tempo para o que já me ocupou mais de 32 anos. O tempo que me resta é apenas para divulgar a Palavra para quem quer; pois, quem quer... — esse rompe; esse deixar lixo para trás; esse decide; esse mostra, na vida, quais são as suas escolhas. 


Assim, não me escreva reclamando do que não tem cura. Se você deseja vida e saúde, posso ajudar. Mas se você deseja de mim uma mágica que Jesus disse que não seria operável nem como milagre — que é botar remendo de pano novo em veste e velha e garantir que a nova não se perderá no “puído”; ou colocar vinho novo em odres velhos e garantir que o gosto será o mesmo e que nada se perderá — não me escreva, e nem tampouco me solicite ajuda; pois, eu não tenho nem o que dizer e nem como ajudar.

Pense no que estou dizendo e tome suas decisões. Mas não me escreva dizendo que não agüenta mais a “igreja” quando, ao seu lado, há grupos sérios e abertos, ensinando o Evangelho e dando oportunidade de vida em liberdade responsável; mas você não quer; pois se viciou em falar em liberdade, embora, de fato, não tenha peito para experimentá-la; e, menos ainda, tenha disposição para pagar o preço de viver como Homem, e não como menino.


Nele, em Quem tempo é tesouro,

 

Caio