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Cartas

CANTANDO A GUERRA ENTRE CRISTÃOS E MULÇUMANOS...

CANTANDO A GUERRA ENTRE CRISTÃOS E MULÇUMANOS...

 

----- Original Message -----

From: CANTANDO A GUERRA ENTRE CRISTÃOS E MULÇUMANOS...

To: contato@caiofabio.com

Sent: Thursday, April 30, 2009 6:23 PM

Subject: Confirmando meu amor ...

A propósito do seu texto O MUNDO SERÁ DOS MULÇUMANOS?!...

Olá querido pastor,
Incomodo-o mais uma vez porque lendo a carta sobre os muçulmanos, lembrei-me desta 'matutagem'...

Assim sendo...



matutando...

Terça-feira, 21 de Abril de 2009


Confirmando meu amor para quando souber amar
Aproveito o feriado para passear um pouco no tempo e redescobrir paixões musicais antigas, e entre elas, sobretudo, Cat Stevens.
Lembrei do quanto gostava e gosto de sua voz, de suas canções e de sua doce carinha...dai comecei a refletir sobre escolhas.
Cat Stevens já não é Cat Stevens, é Yusuf Islam. 'Virou' muçulmano e tem outro nome. 'Alice não mora mais aqui', me diz o filme, e a amiga Sofia - no mundo de Alice. E eu, ainda apaixonadinha por Cat Stevens, agora Yusuf Islam, comecei a pensar querendo ser ele, ou melhor, querendo saber o que o fez ser muçulmano, o que o fez tocar como agora toca, vestir o que agora veste, ser como agora é. Daí os pensamentos foram-se abrindo em gomos, e outras pessoas queridas ou nem tanto, foram aparecendo em minha memória; pessoas que tomaram caminhos no 'formato' religioso e percebo, então, que todos esses caminhos se apresentam com símbolos e adereços que os identificam, às vezes nem tanto, mas quase sempre. Seja o 'sari' das indianas, o rabinho de cabelo dos hare-khrisnas, o açafrão nas túnicas dos budistas, o tom mais cinza na dos muçulmanos, os diversos tipos de tocas, barretes ou chapéus e tantas outras coisas que para mim, até bem pouco tempo, me fascinavam, porque 'manifestavam' o desejo pelas coisas do sagrado ou do espírito. Funciona quase como um outdoor para anunciar o que se crê. Nossa 'identidade' espiritual. Sugerir aos outros nossa fé, ou na pior das hipóteses, nosso clubinho.
Hoje, crendo que amo, e querendo seguir amando Jesus, penso comigo: pôxa...Jesus não tem nada além da cruz - do crucifixo- para identificá-lo. Ele é tão pobrinho, não é representado por nada...uma roupinha legal, umas cores especificas, um corte de cabelo, um véu, umas coisas 'fashions' para criar moda e ser mais desejado,ficar mais atraente...
-'Não,absolutamente,não! Pára com isso!' digo para mim mesma (como quem diz 'arreda satanás').

Ele não tem nada porque Ele é tudo! Ele não tem nada disso porque Ele é tudo isso! Ele não é embalagem, porque é somente conteúdo! Ele não é uma cor, é o arco-íris! Ele não tem véu, porque o rasgou em Sua carne. Ele não é moda porque modas pertencem a um tempo e espaço, e Ele é a Eternidade. Ele não tem dietas de comida porque Ele é o Pão da vida. Porque só Ele importa. Só Ele é. Só quem tudo é, não reclama nada ser - já sendo tudo. Não precisa 'mostrar' nada, porque é Revelação. Ele pode aparecer e pode se ocultar, estando sempre presente. E nos amar perdidamente e rir-se de nós que queremos tanto rituais para mostrar o que, às vezes, nem temos. Para ser o que, às vezes, nem somos; para não reconhecermos que Aquele que chega para ficar e nos transformar, chega de mansinho, montado apenas num jumentinho. Sem glamour, sem alarde, enquanto olhamos e nos ofuscamos com as cores e adereços de magnitude apenas transitória.

Por incrível que pareça, Dalai Lama me 'alertou' para esse fascínio, dizendo que nossa cultura já tem o que precisamos. No caso da sedução ser pelo 'diferente'.
Não, não quero modas, quero um modo de vida permanente, não preciso de um tapetinho (como imagem,é lindo!) para adorá-Lo numa direção, posto que o mundo é estrado de Seus pés e Ele é a direção. Não, não quero nada além do tudo ofertado por Ele, porque quanto menos eu tiver o que mostrar do lado de fora, mais, com Ele, terei alcançado do lado de dentro, lugar esse, o mais difícil de se embelezar porque ninguém vê, além Dele. Somente Ele, onipresente/mente em nós, enxerga. Ninguém vê se verdadeiramente amo, ninguém vê se verdadeiramente perdôo. Pilares básicos em qualquer 'religião', exceto em Jesus, que abolindo religiões, torna-se Ele mesmo o Amor e o Perdão em todos e para todos nós. Simples assim, sem adereços.
É abraçar o nada se crendo que se abraça o Tudo.

Mas' voltando ao inicio', como já disse, continuo apaixonadinha por Cat Stevens,agora Yusuf Islam - mas não mais querendo ser ele.

(querendo conferir:)

http://www.youtube.com/watch?v=Q29YR5-t3gg

http://www.youtube.com/watch?v=D7YLRMXmdPQ

http://www.youtube.com/watch?v=9FGS4wKDZ6M

 

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Querida amiga: Graça e Paz!

 

Obrigado pelo seu carinho. Aliás, gostaria de dar um abraço em você domingo que vem, lá no La Salle.

Sua carta me fez muito bem. Primeiro por vir de você. Segundo por que hoje mesmo, à tarde, enquanto Adriana lia o que escrevi sobre o crescimento do Islã, de súbito, ela olhou para mim e me disse: “É! O pessoal esquece de que tudo é gente; que é de gente que se está falando; gente!...”

Sim, por que o espírito da religião é sempre criador de mares e de oceanos de separação, por isto, é somente no Apocalipse, onde não há santuário, e, portanto, não há religião [pois, todos apenas viveremos da Luz do Cordeiro], que se diz: “E o mar já não existe”.

Até lá, enquanto “os outros” forem feitos diferentes por muitos, mas especialmente pela Religião, o mar existirá sempre, os oceanos separarão os homens, ainda que todos sejam vizinhos de rua...

Aqui em Brasília, pregando na televisão a partir do jardim de casa, por vezes até de bermuda, e com um gorrinho mulçumano na cabeça, tem gente que me escreve perguntando ou me aborda na rua e indaga... — que filosofia de Jesus é essa que ensino...

Pergunto por quê?

A resposta é sempre a mesma:

É que o senhor não se parece com ninguém, nem com pastor, nem padre, e, com certeza o senhor fala de Jesus...

Mas, pela aparência ou pela não aparência, querem saber qual é a diferença...

Ora, a diferença é a total falta de importância na aparência...

Assim, voltando à sua carta, pergunto: Seria o Cat Stevens hoje um homem melhor do que era antes de ser Yusuf Islam?

O que os cristãos precisam saber é que se Jesus se revela dentro do Cristianismo, do mesmo modo Ele pode se fazer conhecer em qualquer outro lugar/grupo de crenças do mundo.

Sim, pois a misericórdia de Deus é ainda mais infinita sobre quem não sabe, do que sobre quem pensa e diz que sabe sobre Jesus; e pior: é mais severa sobre quem ensina..., conforme nos adverte Tiago.

Nós, cristão, precisamos saber que nós não somos os samaritanos, nem os galileus, nem os romanos do tipo Centurião de fé, nem somos a siro-fenicia, nem os publicanos, nem os pecadores, nem as meretrizes... do Evangelho desta História.

Nós somos os sacudeceus, os fariseus e os herodianos!...

Sim, no Evangelho da Existência nós somos os que não andam na turma de Jesus, pois, embora usemos o Seu nome, não nos identificamos com as escolhas Dele na existência; e pior: não tratamos bem os que Ele tratou antes e trataria hoje, não guardando nós qualquer semelhança com o jeito do amor Dele.

Os mulçumanos se parecem muito mais com os samaritanos, tanto no estereótipo quanto na rejeição que sofrem como gente de um Quase-Deus-Único, do que os cristãos pareçam com os samaritanos.

Há cristãos samaritanos, mas a maioria é gente do sacerdote e do levita, gente de Jerusalém. Gente que diz que sabe, mas segue o caminho...

Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, enquanto os ‘filhos do reino’ ficarão de fora...

Assim, mostrando-nos o rosto humano e doído do Yusuf Islam, nosso amigo de geração musical, Cat Stevens, você humanizou a percepção de todos, pois, em toda esta história, o que falta mesmo é música.

Ouvindo as canções do Cat Stevens, mesmo cantando-as hoje, como Yusuf Islam, ninguém lembra que é um convertido ao islã que está cantando...

A gente lembra da gente, da nossa geração, da nossa vida...

A música opera esse milagre...

Ora, se é assim com a música, imagine se convertermos o nosso olhar ao olhar de Jesus...

Então, à propósito do crescimento dos islâmicos no mundo ocidental, nada estará mudando na geopolítica do mundo, exceto que, por quaisquer que sejam as motivações, há um monte de gente rejeitada e magoada, carregando um imenso complexo de abuso e inferioridade, filhos de Hagar, que estão se mudando para perto de nós.

O mais é guerra que Jesus nunca se preparou para combater.

Receba meu carinho e meu amor.

Vejo você no domingo!

 

Nele, que amava também os que os cristãos não reconhecem como gente, menos ainda, como gente que Deus ama,

 

Caio

30 de abril de 2009

Lago Norte

Brasília

DF