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Cartas

CAIO, VOCÊ É RADICAL?

CAIO, VOCÊ É RADICAL?

 

 

 

 

----- Original Message -----
From: CAIO, VOCÊ É RADICAL?
To: contato@caiofabio.com
Sent: Tuesday, June 27, 2006 11:19 AM
Subject: O Caio Radical

 

Pastor Caio,


Já li aqui no site e em alguns livros seus que no início de sua fé você foi bem radical. Exemplo: não transar no Dia do Senhor; não trabalhar sem fechar
o tubo de pasta; enfim...

Parece que todo cristão passa por essa fase radical na vida.

Uns se livram, outros morrem assim.

Minha pergunta é: como você se
livrou e passou do Caio Radical para o Caio-Caio; ou seja: o Caio normal,
humano, consciente.

Você não entendeu a Graça no início de sua conversão? O que aconteceu?

Abraço,

Ismar

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Resposta:


Meu querido amigo: Graça e Paz!

 

“Quando eu era menino, pensava como menino... Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” — apóstolo Paulo.

 

Eu cri na Graça. Foi por essa razão que não vivi assombrado pela culpa das “obras mortas”; ou seja: de meus pecados inegáveis. E se você, que é de Manaus, estivesse vivo e ativo antes de 1973, saberia acerca do estou falando. Todo mundo na cidade e que é desse tempo, mais do que lembra de tudo.

Eu, entretanto, já cheguei perdoado e pregando com a alegria. Meus jejuns nunca foram meritórios e nem santificatórios. Também, quando voltava da rua para, por exemplo, para fechar o tubo de pasta que havia esquecido aberto, o fazia apenas porque tendo sido eu excessivamente indisciplinado, queria colocar-me sob controle e disciplina. Por isso é que eu voltava para fechar o tubo de pasta.

Radical, entretanto, sempre fui em tudo. Radical é o que tem a ver com as raízes; e não sei viver nada que não me leve às raízes das coisas em questão.

Jesus era radical. Todos os profetas. Todos os apóstolos. Todos os que viverem sem medo da existência!

Radicalidade, entretanto, não tem nada a ver com radicalismo. Radicalidade é a qualidade daquilo que vai às raízes. Já radicalismo é uma ideologia da qual sempre tive asco psicológico e filosófico.

A radicalidade convive e mesmo precisa do bom-senso para tudo. Afinal, ninguém chega à raiz das coisas sem prudência e equilíbrio no sentir e no pensar.

Por isto Jesus era radial sem radicalismo; e, Nele, tudo o que sobrava era Bom-Senso!

Bom-senso e sentido de propriedade no fazer, ser, dizer e se postar — fazem parte da mensagem do Evangelho percebida nos modos de Jesus.  

Já o radicalismo é sempre tresloucado, irracional, implacável, hostil, dogmático, e também legalista. Até quando o radicalismo é antilegalista, ele é legalista do mesmo modo, pois, luta contra o legalismo com radicalismo; que é, em si, um legalismo-do-modo; sendo, portanto, uma forma de “legalismo existencial”.

Meu lema, naqueles dias, era o seguinte: Para mim, toda radicalidade; para os outros, toda generosidade!

E foi assim que vivi toda a minha vida de fé e tenho milhões de pessoas que podem testemunhar que se mim só receberam isto durante mais de trinta anos.

Sobre isto ser uma fase da vida, digo que creio que sim. Na realidade, tudo isto acompanha o processo de amadurecimento individual e coletivo. Israel, por exemplo, diz Paulo que foi tratado como menino, carente de um “aio”, de um escravo-babá, que, no caso, foi a Lei (Gl); até que chagasse a Era Adulta, a qual, em Cristo se manifestou; se tal modo que “já não precisamos do aio”, conforme disse Paulo.

Entretanto, quando vejo um discípulo novo vivendo suas próprias radicalidades, nada digo; pois sei que é importante que cada estação da vida seja vivida integralmente. Também sei que ninguém deve queimar etapas; pois, no futuro, as “sombras” geradas pela repressão infundada, voltam; e nos cobram caro o descaso para com o tempo no qual a hoje “sombra” era apenas uma pulsão natural e até boa.

Apenas para ilustrar a diferença entre radicalidade e radicalismo, digo o seguinte: Jesus era Radical. Já os religiosos de Israel, especialmente os fariseus, eram Radicalistas.

Para mim, tudo foi e é útil; pois, até hoje, sou o maior beneficiado pelas radicalidades da infância na fé!

Todavia, as radicalidades de minha infância na fé apenas deram lugar às minhas radicalidades adultas. Eu, todavia, morrerei radical; apenas porque não chamo de vida coisa alguma que não me conduza às raízes da existência; especialmente com Deus e com o Evangelho.

Espero poder ter sido de algum modo útil!

Beijos e até breve!


Nele, que “cresceu em estatura, poder e graça, diante de Deus e dos homens”,

 

Caio