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Cartas

CAIO, COMO VOCÊ VÊ O INFERNO?

CAIO, COMO VOCÊ VÊ O INFERNO?



 

 

Oi Caio,

 

Numa resposta recente você pincelou uma idéia da limitação eterna do inferno, e disse que seria um tema para reflexão posterior.

Me interesso por isso, pois, antes de você dar a resposta eu já pensava assim...

Você tem como tecer mais sobre esse assunto?

Sou um cara que ouviu você dizer no Ginásio Rio Vermelho, numa pregação, há 20 anos atrás, que ainda que o inferno não existisse, você seguiria a Jesus do mesmo modo.

Beijo,

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Resposta:

 

Meu querido amigo: Graça e Paz!

 

Imagino que muitos de nós sabemos como é o inferno por já termos estado nele, aqui nesta existência.

Eu conheço o inferno pelo menos em parte, pois, de certo já estive nele, em agonias de alma, na culpa, em solidão total, sentindo-me sem Deus no mundo, sem ter nada além de um fogo gelado me consumindo o ser.

Jesus existencializou o inferno quando o provou de ‘modo pleno’ por todos os homens, num lapso de tempo que não era tempo eterno, mas sim “momento-eterno”.

Eu nunca pensei no inferno, depois de adulto, como algo cronológico, como se fosse algo como ‘um tempo sem fim’.

De fato, minha grande angustia como evangelista era que eu nunca conseguia tocar nesse assunto dessa forma, sendo apenas capaz de mencionar o inferno como eterno-momento de banimento de Deus, à semelhança do que Jesus provou.

Ora, quando se diz que Jesus provou a morte por todos os homens, também se estabelece uma outra referencia para o inferno, posto que Jesus não ficou, em relação ao tempo, para sempre no inferno, embora tenha passado a eternidade nele.

Foi eterno, mas foi rápido!...

Para nós, no tempo, a única realidade que de fato representa o eterno é o momento, e não o tempo longo ou o grande espaço.

Quem já viveu existencialmente o inferno sabe que ele é eterno, mesmo quando, no tempo, é rápido.

O inferno caberia entre a sexta-feira terrena da morte de Jesus, e a Sua ressurreição no domingo.

De fato, nem precisaria de ‘tanto tempo’, pois, na realidade o inferno caberia no “Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste?”

Quem pensa no inferno com categorias espaço/temporais, não consegue imaginar senão um grande cenário de castigos divinos num grande e interminável incêndio de torturas infindáveis.

Alguns ficam constrangidos de atribuir isso a Deus, e, então, arranjam um jeito de fazer com que esse “lugar” seja coordenado pela maldade de Satanás.

Afinal, precisariam pensar em Deus não como amor, mas como sádico, a fim de poderem atribuir a Ele tal ato.

O inferno existe. Já o experimentei existencialmente no tempo, embora ele tenha sido feito existencialmente de momentos-eternos, não de eternos-momentos-eternos.

E é obvio que não estou dizendo que já experimentei a plenitude do inferno como algo eterno em seu momento eterno, mas sim que existencialmente, nas limitações do tempo, experimentei as agonias que eu sei são do inferno.

Em outras palavras: sei, ainda que de longe, do que o inferno é feito.

Outra coisa, todavia, é estar imerso na eternidade, e conhecer o eterno sem as limitações do tempo. O que creio é que essa experiência não é longa conforme o tempo, mas é eterna conforme a eternidade.

Foi por isto que eu disse: É eterno, porém rápido!

Ora, tudo o que disse tem a ver com meu entendimento em fé, e conforme o que conheço de Jesus, embora as Escrituras não nos digam muita coisa a respeito, a não ser fazendo uso de linguagem metafórica ou alegórica.

Eu, como você mesmo lembrou, nunca tive no inferno motivação para nada. Nem para não fazer coisas, nem para fazer coisas, nem para pregar, nem para nada.

Afinal, eu conheço Jesus.

Ora, quem conhece Jesus como Deus e amigo não precisa de medos para ser; pois, ‘é’, existe, vive no constrangimento do amor de Deus.

É o que penso, meu irmão!

Você pergunta:

O que acontece “depois”?

Sinceramente, tudo o que eu dissesse seria ainda muito mais especulativo.

Mas fica para outra ocasião.

 

Um abração carinhoso,

 

 

Caio

24/02/2005