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Cartas

BENTO SOUTO: UM TESTEMUNHO SOBRE A MORTE DO MITO E O NASCIME

BENTO SOUTO: UM TESTEMUNHO SOBRE A MORTE DO MITO E O NASCIME

Sábado passado, 13/12/03, tive a alegria de participar do I Encontro da Irmandade Virtual www.caiofabio.com Fui lá com o objetivo claro e definido de reencontrar o “Pastor Caio Fábio”. Era um dia que eu há muito ansiava. A última vez que eu havia estado com o “Pastor Caio Fábio” havia sido em Goiânia, em 1996. Muita coisa mudou desde aquele encontro. O “Pastor Caio Fábio” de agora e o de antes são seres completamente diferentes. O anterior, reconheço, era fruto da nossa imaginação. Sonhávamos que ele seria o Billy Graham dos evangélicos brasileiros. Na verdade, “Pastor Caio Fábio” era um totem que havia sido criado por muitos cristãos (inclusive eu). Da mesma forma que os fãs de Eric Clapton escreviam nos muros de Londres: “Clapton is god” e dele demandavam performances ainda mais espetaculares que as anteriores – numa pressão que quase levou Clapton ao suicídio – muitos de nós exigia que os sermões do “Pastor Caio Fábio” fossem ainda mais “ungidos” que os anteriores. Exigia-se do “Pastor Caio Fábio” o espetáculo da Fé. Desejava-se ouvir soluços, ver lágrimas sendo derramadas e gritos de aleluia em todo lugar que ele pregasse. Contudo, a maior demanda para o “Pastor Caio Fábio” era que ele fosse o “santo” que nós não éramos. Colocamos o “Pastor Caio Fábio” num pedestal onde jamais qualquer humano deve ser colocado. Não nos apercebemos que havíamos colocado o “Pastor Caio Fábio” acima de Elias, que “era homem sujeito às mesmas paixões que nós” (Tiago 5:17). O fracasso conjugal do “Pastor Caio Fábio” decepcionou muitos de nós. Afinal, o nosso totem jamais poderia fracassar nessa ou em qualquer outra área. Mas Deus é Deus e nós, humanos, somos únicos em nossas individualidades diante dEle. Só há um Billy Graham, assim como só há um Caio Fábio. Nossos dramas pessoais são “nossos” e de mais ninguém. Hoje, passado o turbilhão que destruiu o nosso totem, vejo que Caio Fábio é um Homem, servo de Deus, que teve a coragem de assumir que o seu casamento havia acabado. Ele preferiu ser quem é – como Deus o conhece – do que viver uma farsa apenas para agradar aos que o julgavam um super-homem. Muitos desses, ao invés de respeitar a dor (porque não há separação indolor!), dele e de seus familiares, guardando o devido silêncio, preferiram desprezá-lo ou apedrejá-lo. Aquilo que eu mesmo temia (e cheguei a escrever-lhe dizendo isso!), graças a Deus, não aconteceu. Caio Fábio não mudou sua pregação. Ele não procurou acomodar a mensagem à sua situação. Como ele mesmo diz: “prego as mesmas coisas, ainda que sejam elas contra mim”. Sua mensagem continua sendo a mesma. “Jesus Cristo é o centro de tudo” “Jesus Cristo é a chave hermenêutica para entender as Escrituras” “A Graça de Deus é a única esperança para a Humanidade” O incrível é que muitos queiram negar ao Caio Fábio justamente aquilo que mais nos atraía em sua mensagem, a Graça de Deus. Para muitos o ministério do “Pastor Caio Fábio” acabou, pois ele cometeu o “pecado imperdoável”. Para muitos, o sangue que Jesus Cristo derramou na Cruz não é eficiente para purificar pecado sexual de Pastor. Ao ler seu mais recente livro, O Enigma da Graça – Um Comentário Existencial do Livro de Jó – percebi que fomos “amigos de Jó” para o Caio Fábio, durante o seu turbilhão pessoal. “A Teologia Moral de Causa e Efeito, uma espécie de kardecismo evangélico” – para usar a terminologia do livro – havia nos aprisionado. Graças a Deus, que a reflexão existencial que o Caio Fábio faz sobre o livro de Jó nos mostra o caminho de volta à Graça de Deus. A leitura das cartas de aconselhamento e dos artigos e reflexões do site (www.caiofabio.com) já eram um prenúncio de quem seria o Caio Fábio que eu haveria de encontrar. O “Pastor Caio Fábio”, totem evangélico brasileiro – criação nossa – há desaparecido. Em seu lugar eu encontrei Caio Fábio, pastor, mas primeiro que tudo, humano e honesto com sua própria consciência. Alguém, dotado por Deus, de uma incrível capacidade de reflexão dos problemas e dos dramas atuais, tendo como ponto de partida o Jesus das Escrituras. Alguém que tenta servir e andar com Jesus no dia que se chama “Hoje”. Alguém que busca viver, diante de Deus, de acordo com sua consciência, desassombrado do que os homens possam pensar. Enfim, escrevo tudo isso para dizer o quão bom foi encontrar você, meu amigo e pastor, Caio Fábio. Também, para tornar pública a confissão das minhas faltas para contigo. Por último, escrevo para pedir aos demais que reconsiderem seus juízos e conceitos sobre alguém que tanto nos abençoou (e ainda há de nos abençoar!) ao pregar a Palavra de Deus. Nele, que sempre nos aponta com a possibilidade de um futuro melhor que o passado Um beijo Bento Souto