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Cartas

BATO NO MEU MARIDO:  ele é feio e não gosto dele!

BATO NO MEU MARIDO: ele é feio e não gosto dele!



 

 

----- Original Message -----
From: BATO NO MEU MARIDO:  ele é feio e não gosto dele!  
To: contato@caiofabio.com
Sent: Tuesday, July 11, 2006 10:03 PM
Subject: Agressão Física

Querido pastor,

 
Já lhe escrevi antes, mas não tive resposta. Tomara que dessa vez o senhor me responda.
 
Sou casada há 16 anos com um pastor. Eu também tenho mestrado em Teologia. Atualmente ele está fora do ministério. Nossa vida de casados sempre foi sofrida; alguns momentos muito bons, mas sempre muito sofrimento, brigas, ciúmes. Nos últimos anos me dei conta que o amo apenas como amigo, mas não como homem. Antes havíamos nos engajado em plantação de igrejas; e foi um tempo ótimo: sem brigas; mas me dei conta que o amor tinha ido embora, da minha parte apenas.

Tornamo-nos grandes amigos; colegas de ministério. Deixamos o ministério para tratar do nosso casamento. Não tem dado certo e nosso estresse é tamanho, que nem queremos mais buscar ajuda.

Às vezes vivemos momentos de amor e paixão; e depois vêm as brigas! Eu me desespero e me torno agressiva fisicamente, o que o ofende profundamente.

Quando nos afastamos, aquela amizade volta, e vejo que não o amo! É só amizade e entro em crise por isso! Aí volta de repente, do nada, o "amor". E ficamos lindos, românticos; e então volta o meu sentimento de amizade. Às vezes mesmo sem as brigas eu fico assim: amiga!

É uma montanha russa. Não entendo porque não nos separamos. Tenho 35 anos, ele 48; e temos um filho de 16. Claro que há muito mais a falar, mas sei que minha necessidade é imensa e o espaço não é para tudo isso.
 
Espero que leia. Dê-me uma dica; uma luz. Gosto muito do senhor, somos muito amigos de um grande amigo seu. Quando ele vem à nossa cidade, sempre fica com a gente e sabe da nossa luta.
 
Um grande abraço!
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Resposta:

Minha querida amiga: Graça e Paz!


Fiquei intrigado com sua carta, e, como você mencionou que já havia escrito e não obtivera resposta minha, fui atrás de seu outro e anterior e-mail, e, entre milhares, o achei. Aproveito a oportunidade para aqui transcrevê-lo em razão de que só entendi um pouco melhor a sua segunda carta após ler a primeira (a carta sem resposta minha).

Assim, comigo, re-leia a sua 1ª carta; pois ela carrega muitas explicações:

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1ª carta:


Querido pastor,

 

Tenho 35 anos e sou casada há 16 anos com um pastor de 47 anos. Era uma adolescente muito carente de abraço, de elogio, e acabei engravidando e casei. Meu filho tem 16 anos.

Meu problema é que meu marido é um homem feio, fisicamente falando; e sinto vergonha de apresentá-lo aos meus amigos. As pessoas quando o vêem a primeira vez, olham com surpresa, e algumas até comentam que nunca esperavam que meu marido fosse assim.

Não sei se se surpreendem pela diferença de idade, pois todos acham que aparento uns 25 anos; ou se por verem que ele não é um cara bonito. Não estou dizendo que sou linda, mas as pessoas mais amigas fazem gozação de nós dois, dizendo que eu devo ser louca por ter casado com um cara tão feio.

Falam na brincadeira na nossa frente!

Confesso que isso me fere porque concordo!

Ao mesmo tempo meu marido não é lá uma pessoa fácil de viver. É um casamento sofrido, complicado, sem respeito. Já tentamos nos separar varias vezes; mas sempre meu marido vem e faz planos para nós; e eu cedo, mesmo sabendo que não passam de planos.

Tenho vergonha de dizer ao meu pastor que sinto vergonha do meu marido por ele ser feio e mais velho. Sinto-me culpada, fútil, injusta...

Pastor me ajude. Dê-me uma direção. Sinto-me numa armadilha armada por mim mesma.

Quero que saiba que admiro seu trabalho!

Um grande abraço!
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Resposta a ambas as cartas:

 

Minha querida,


Não sei nada acerca de seu marido e desconheço tal feiúra. Mas, no que concerne a você, sinto que havendo amor ou não, por ele, seu problema é um outro: sua profunda carência e imaturidade! E que é fruto de sua falta de amor próprio!

Você se deu a ele porque precisava de um “abraço” (coisa de crente-carente). E a carência era tão grande que, mesmo sendo ele feio, à época serviu não só para o abraço, mas para transar com você. Então veio o filho do abraço!

Ora, o abraço, a transa, o filho do abraço, a igreja e suas “obrigações” — somados, levaram vocês ao altar. Para complicar, tanto ele quanto você, tornaram-se ministros e gente da teologia e da liderança da igreja. Receita para uma profunda infelicidade quando não há amor!

Dezesseis anos decorreram. E o cara feio fica mais feio aos seus olhos; e menina carente, que não envelhece conforme a idade; e, certamente, com nova e mais profunda carência, agora olha para o sapo que casou com a princesa carente de um abraço — e compara o que tem com o que poderia ter agora!

O fato de você dar tanta importância ao que os “amigos” dizem (e que “amigos” são esses?!) — revela o quão infantil você é.

Na realidade, se você olhar para dentro, para a sua alma, o que você verá será uma vontade danada de ter outro homem, de se dar em paixão a alguém que seja aceitável ao seu meio social. E mais: a alguém que você ache que faça jus à sua juventude e possibilidades como mulher, para quem, hoje, há muitas alternativas de amor e de paixão AGORA!

Seu pobre marido, feio ou bonito, de fato sofre “de você”; de sua infantilidade de ontem e de hoje; e da feiúra de seu olhar. Afinal, mesmo que ele não fosse tão feio, a crise estaria instalada de qualquer modo; pois a feiúra dele cresce mediante as “comparações” que você faz. Sim, sua feiúra interior o enfeia na mesma medida!

É clichê, mas creio na frase que diz que “a quem ama o feio bonito lhe parece!”
 
Não duvidaria nada se você me dissesse que olha os outros maridos, e sonha em que você tivesse pelo menos um marido que suas amigas e amigos achassem que era compatível esteticamente com você.

Casamento, para você, é passarela! Tudo coisa de adolescente!

E mais: tenho certeza que as coisas pioram sempre que a atividade “social” de vocês aumenta. Sim, porque você ainda é uma menininha impressionada; e que casou por um abraço e agora quer se separar pela feiúra dele; a qual existe para os feios de espírito (seus amigos); e para você, cujas fantasias demandam dele o que é perverso.

Quem precisa de uma plástica urgentemente é você: plástica no olhar! 

Você mencionou brigas, ciúmes e agressões físicas que você pratica contra ele. E certamente não é porque você tenha ciúmes dele!

Sim, acho difícil que o ciúme seja de você para com ele; mas sim dele para com você. Afinal, você tem vergonha dele; evita-o em público; e joga charme não sensual sobre os demais homens; especialmente para os que fazem gozação acerca da feiúra dele. E como ele deve amar você, a dor dele é grande; pois, nada pode fazer para mudar a estética pessoal; nada conseguiu fazer para fazer você gostar dele por ele; nem tampouco foi capaz de melhorar o seu olhar, fazendo mais maduro.

Assim, é obvio que ele, além de uma terrível insegurança, manifeste também ciúmes, e grande implicância com seu jeito, escolhas e opiniões; as quais, para ele, soam sempre como “indiretas” contra ele. Ou não são?

Desse modo, ele se enciúma e vocês brigam. E como você tem raiva de ter casado com um homem que, hoje, do ponto de vista de seus “amigos”, não merece você nem pela estética e nem pela idade — você o agride; mesmo que o que faça você fazer tal coisa seja a raiva que você tem de si mesma, por ter tornado a carência de um abraço, num filho do abraço, e num casamento que de abraço carente, virou abraço de tamanduá para a sua alma infantil e carente; porém, sobretudo, para a alma dele!

Você disse que não sabe por que ele não se separa de você. Eu, porém, pergunto: que covardia é essa? Não é você que o vê como a um sapo e quem não o ama? Não é você quem se envergonha dele? Não é você quem desejaria ficar livre? Então, pergunto: Por que, pela 1ª vez na vida, você não toma uma decisão sua e honesta, ao invés de esperar que ele a tome por você?

Será parte de sua cura assumir suas decisões como mulher adulta; e sem álibis!

O problema adicional disto tudo é que se ainda não houve nada entre você e um outro cara, será questão de tempo para que assim seja. Afinal, nenhuma mulher de 35 anos, imatura, e que dá tanto valor ao que os outros pensam e dizem — não acabará dando a si mesma a certeza de que, se desejasse, teria um homem bonito em sua cama e em sua vida.

Portanto, você foi e continua a ser a mulher-menina carente de abraços. E o resultado disso será trágico; a menos que você olhe para dentro de você mesma e enxergue o que está em seu coração. Sim, porque ele pode ser feio, mas, muito mais que feio, ele é a projeção de seu olhar!

Muito mais realista do que falar em diferença de idade, em feiúra, em ciúmes, brigas, etc. — seria dizer que você precisava dele antes, mas que, com o tempo, sua alma passou a ter outras seguranças e certezas; e que, por tal razão, hoje você se vê com a possibilidade de dizer que não o quer porque ele é feio e você sente vergonha disso.

Ele não deve ter ficado feio nesses últimos 16 anos. Se ele é feio, então, já era antes. O que mudou foi seu olhar. Ele, todavia, não tem culpa disto. Portanto, também não adianta dizer que ele não é “fácil” de conviver. Afinal, quem seria em tais circunstancias e carregando uma espada dessas na cabeça?

Mude; inverta as coisas; ponha-se no lugar dele; ouça que você é uma aberração para ele; que é bonito, conservado, gostoso, e outras coisas — e, nesse contexto, imagine como você estaria se sentindo?

Ele não é “fácil”? Ora, quem seria? Você seria fácil e tranqüila sob tais pressões e inseguranças?

Quando você diz que descobriu que não o ama, e que quando vocês “dão um tempo”, separando-se conjugalmente, tudo melhora; pois ele “vira” amigo — você não diz nada além do obvio.

Afinal, tirando-se a necessidade de você ser a “mulher” dele e para ele, fica legal ser a amiga dele. E por que não ficaria? Ora, ele é o pai de seu filho; e, por mais difícil que ele seja ou fosse, é ele quem está segurando esta barra apenas porque ama você.

Minha sugestão é a verdade!

E a primeira delas é que ele não merece você; ou melhor: não merece ficar sob seu olhar. Você já imaginou a dor desse homem?

Deixe livre. Assim pode ser que ele encontre alguém que não se impressione com estéticas e veja a real beleza dele, ou de qualquer outro ser humano; a qual só existe, duradouramente, no coração. Sim, a beleza que com o tempo só tende a crescer!

Olhe para dentro de você e chame as coisas pelo nome. Mesmo que seja contra você. Mesmo que seja para constatar que você era nova e carente, e que, agora, mais velha e mais carente, desejaria conhecer outro cara; até para poder dizer para seus amigos (e só depois para você) que agora você tem um homem à sua altura estética e etária. Mas também pode ser alguém à sua altura otária!

Você se sente fútil. Porém, fútil mesmo é discutir um casamento que precisa do referendum de terceiros!

Sinceramente, se eu fosse ele, gostando ou não de você, já teria me separado há muito tempo. Afinal, nenhuma mulher que não me queira “contra o mundo”, se necessário for e fosse, poderia ser minha mulher. Assim, de minha parte, quem não serviria para mim, nesse caso, seria você.

Sim, se eu fosse ele, seria o melhor pai do mundo para meu filho; mas deixaria você livre na hora; fosse para ser feliz; ou fosse para deixar descobrir que há homens lindos, mas que se tornam feios e monstruosos quando a gente leva para casa.

Entretanto, é melhor que, como mulher, carente ou não, você tome a sua decisão; pois não é justo manter o cara seqüestrado a você; e mais: sob alegações tão infantis.

Não é justo fazê-lo sócio de seu desagrado. Sim, porque ele, seu marido, existe; e não existe apenas para a hora da conveniência de um abraço. Afinal, existem conveniências temporárias de sua parte. Isto porque após dizer que não o ama; e após afirmar que se separam de vez em quando; você falou de “paixão” —  para, logo então, dizer que após esse “surto” (que é carência sua), tudo volta a ser como antes. E você mesma admite que quem muda sempre é você.

Portanto, minha querida, minha “dica” é a verdade. Seja ela qual for. Mesmo que seja ainda a verdade de seu engano. Mas é melhor viver o engano só e sem reféns, do que fazer um ser quase-inocente ficar seqüestrado e refém de seus caprichos, medos e carências.

A diferença entre uma menina e uma mulher, é que a primeira quer álibis e justificativas; e mantém “alguém” ao lado para as eventualidades. Já a segunda, uma mulher, prefere quebrar a cara com honestidade e viver com as conseqüências, do que fazer alguém refém de um amor não correspondido.
   
Somente depois de você o deixar livre e provar a vida com seus próprios lábios, é que você saberá a verdade. Porém, pode ser que depois bata um profundo arrependimento. Mas esse será o seu preço a pagar. Afinal, em minha experiência, um ser humano com seus conflitos, carências, impressões e sob as circunstâncias nas quais sua alma se desenvolveu até aqui, só conhece a verdade na Existência. Porém, saiba: as conseqüências, boas ou más, serão todas elas arcadas por você.

Assim, procure-o e diga o que você sente. Mas não o humilhe com esse papo de feiúra nem de idade. Apenas fale de sua falta de amor. Será muito mais verdadeiro.

Pense no que lhe disse e me escreva outra vez!

Ah! Pare com essa coisa de agredir fisicamente o homem! Isso sim, é pura feiúra!


Um forte e carinhoso abraço!


Nele, em Quem não havia beleza alguma que nos agradasse,

 


Caio