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Cartas

APENAS PARA OS LOUCOS DA MONTANHA

APENAS PARA OS LOUCOS DA MONTANHA



 

----- Original Message -----
From: APENAS PARA OS LOUCOS DA MONTANHA
To: contato@caiofabio.com
Sent: Wednesday, April 26, 2006 11:14 AM
Subject: De um coração agradecido!


Caio,


Muita Graça, Graça, Graça e toda paz que advém deste advento louco.

Primeiramente gostaria de agradecer a Deus por sua vida. Deste homem já ouvia falar nos tempos de minha infância e adolescência. Porem não conhecia a mensagem, o que gerou em mim até uma dúvida se a mensagem mudou com o decorrer da sua vida. (In)felizmente fui criado sob as amarras do cristianismo dito tradicional. E nesse tempo tu eras adorado. Servias de guia para um povo que carecia da revelação da Graça.  E pelo menos isso consigo lembrar das imagens que tenho daquele tempo.

Cresci nesse ambiente doentio de aparências, inquisições e de muita hipocrisia. Fui me afastando lentamente até que um dia me tornei ateu. Não cria em nada que fosse dito das bocas destes falsos profetas e por isso passei a atacar a tudo e a todos. Mas pela Graça um dia Deus me trouxe de volta até Ele de forma simples e singela. Porem, na minha mente Deus se fazia deus na "igreja" e para lá fui atraido pelas mirabolantes formulas de se conquistar o mundo para Jesus.

Em mim sempre habitou o sonho de ver o mundo rendido a algo bom. Até hoje não consigo ver o que se passa neste planeta sem me contorcer. E nesse templo de loucos surtados de vaidade me vi. Sentia-me bem até porque colocado fui sob os cuidados de um amigo de infancia (que tu conheces) e que sempre me tratou com muito amor e sinceridade de coracao.

Enfiei-me naquilo como alguém que só tinha um objetivo. Entretanto, Deus nunca permitiu que frutificasse conforme os frutos pedidos naquele lugar. Não permitiu que me tornasse um guia cego de outros. Não permitiu que "minhas" ‘células doentes’ se multiplicassem. Foi nesse momento então que me deparei com uma mensagem mais elevada.

A do amor.  Só não conseguia encontrar eco dela no lugar onde congregava e nem em mim, já adoecido pela santidade que quer alcançar a Deus e não ser alcançado por Ele.

Afastei-me de quase todos e voltei a viver minha vida no mundo. A única notícia que obtinha sobre mim era que tinha me desviado e até que tinha virado mendigo. Mas sempre que me encontrava com aqueles que me detratavam longe de mim, se mostravam solícitos e cheios de um "amor" dissimulado.

Ainda tenho passado por bons bocados. Minha história não e muito diferente de nada do que é confessado aqui no site. Durante esse lapso de tempo (cerca de dois anos e meio) entre a "igreja" e a Igreja, sempre me vi acusado pela culpa de não seguir o caminho que está guardado para mim por Deus. Os sonhos acabaram virando Lei porque sempre me acusavam de não fazer "nada" por eles. Creio que não é culpa deles, obviamente, mas sim pelo fermento farisaico que me fazia sentir sempre culpado diante de Deus e do seu amor por mim. Mas glorias a Deus, porque nunca me senti separado do amor Dele. Só sentia-me inapto a receber de Deus. Esquizofrenia pura, eu creio.

Acabei de ler o seu livro “Sem Barganhas com Deus”. A Ele não tenha nada a oferecer que Ele já não tenha me dado. Não sou Jó (estou mais para Jacó), mas tem acontecido um redemoinho muito grande em minha vida nesses dias. Não encontro abrigo em minha familia (quase toda evangelica). Para eles creio que sou um estorvo, quando não um rebelde sem causa e que precisa ser levado imediatamente pro hospício santo deles. Mas no meio de tanta oposição tenho visto que aonde mais batem..., são justamente nos lugares que sei que Deus tem realizado uma transformacao em meu ser. Mas nada nos separara do amor de Deus.

Escrevo esta carta mais como testemunho do que Deus tem feito por Ele mesmo em mim, e através de pessoas graciosas como voce.

Queria te deixar uma musica que por coincidência estou ouvindo agora e que resume bem o que creio e tenho vivido.

Um beijo e um abraço no seu coração.
 
The Rain Song (tradução)

Led Zeppelin

Composição: Indisponível

A Canção de Chuva


Esta é a primavera de meu amor - a segunda estação eu estou a saber

Você é a luz solar em meu crescimento - tão pequeno calor antes o que eu senti.

Não é difícil de me sentir ardendo - eu assisti o fogo que cresceu tão suavemente.

É o verão de meus sorrisos - fujam de mim os Guardiães da Obscuridade.

Fale comigo só com seus olhos. É a você que eu dou esta melodia.

Não é tão difícil reconhecer - Estas coisas estão claras a todos de tempo em tempo.

Conversa, conversa - eu senti a frieza de meu inverno.
Eu nunca pensei que sempre iria. Eu amaldiçoei a obscuridade que se fixou em nós...

Mas eu sei que eu amo você assim

Estas são as estações de emoção e como os ventos sobem e caem

Esta é a maravilha de devoção - eu vejo a tocha que todos nós temos que segurar.

Este é o mistério do quociente - Em nós todos um pouco de chuva tem que cair.
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Resposta:


Meu amigo querido: Graça e Paz!

 

“Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos”

Quem dera o mundo se enchesse de almas como a sua, de mentes loucas de paz como a sua, de insanidade de amor como a sua, e de desviados tão no Caminho como você!

Ninguém e nem poder algum há de conter o que Deus começou nesta nova geração de discípulos como você!

Eu sei. Sim, eu sei. Sei que assim será. Houve tempos em que cri e tive esperança. Hoje, entretanto, eu sei. E sei porque o que me enche é maior do que eu, e me possui com o poder de uma plenitude de certeza que jamais tive antes em toda a minha exitência.

É como o por-de-sol que vi hoje a tarde quando fui pegar minha filha no trabalho no Lago Paranoá, aqui em Brasília. Meu Deus! As cores eram do tipo Salvador Dali, mas a beleza era do Salvador Daqui, Dali e do Além! Que maravilha! Que cores! Que pintura! E quanta adoração me possuiu a alma, e, com ela, essa certeza de que Deus está pintando um novo cenário sobre a cabeça de muitos; e quem tiver olhos no coração verá!

De fato houve um tempo em que me “totemizaram”. E o fizeram porque quiseram. Era-lhes bom ter alguém que representasse para o bem o que a “igreja” não tinha. E isto acontecia enquanto eu dizia que era gente, que sofria, que adoecia, que chorava, que amava, que desejava amar, que sentia angústias, que minha fraqueza era maior do que eu; além de declarar que todo ser humano tem o direito de dizer: “Tá doendo!”

Houve até quem dissesse que a “igreja evangélica” me “prestigiou” e eu a neguei. Primeiro, eu nunca recebi nada da “igreja evangélica”, mas somente me dei a Deus para ela, para o serviço de um povo que eu cria que era como era apenas porque lhe faltava conhecimento da Palavra e do Deus da Palavra. Entretanto, depois de 27 anos de milhares de pregações, ensinos, viagens, e de dias e dias, e noites e noites longe dos meus, sempre tentando dar “privilégio” ao povo da “igreja”, o que vi é que o povo, embora bom, era mais entupido e pedrado do que eu poderia jamais imaginar; e também vi que a maior parte da liderança que me incensava, almeja também que algo me relativizasse. Parecia que o fato de ninguém ter nada contra mim e nem do que me acusar, perturbava um monte de gente que de mim só recebia ajuda e carinho. Assim, aprendi também que quando os olhos não são bons, até a ajuda que se dá acaba por gerar um espírito hostil. Daí, eu ter aprendido também que em geral, além dos invejosos e doentes de plantão, as grandes e maiores surpresas vêm sempre daqueles que comem no e do seu prato. 

Descobri a duras penas que a “igreja” é, de fato, completamente igual aos fariseus acerca dos quais Jesus disse “Ai de vós...” (Mt 23). E a hipocrisia é tão grande que se hoje eu desejasse voltar a ser o “Caio do Evangélicos” as portas estariam abertas agora mesmo, bastando que eu declarasse uma “arrependimentozinho fajuto”, à moda evangélica, “e tudo seria como dantes no quartel de Abrantes”, como diz minha mulher. Digo isto porque não me faltam toda sorte de pedidos para que volte a ser para eles quem um dia fui. Eu, todavia, sei que o Caminho de Deus não passa por esse lugar religioso. Aliás, até creio que ainda haverá um derrame de arrependimento na “igreja evangélica”, mas não será agora ainda. Muitas fichas terão ainda de cair na consciência deles. Muita gente terá ainda de sofrer. Muitos líderes terão ainda que se arrebentar contra a Rocha Desprezada, o Senhor de Toda Graça.

Entretanto, no que me concerne, sei que muitos ainda hão de me apedrejar com ódio; e isto porque não submeti e nem me submeterei ao juízo deles. Morra eu antes, mas salve-me o Senhor de pecar contra o Evangelho fazendo qualquer que seja a Barganha com a “Igreja Evangélica”. No entanto, conforme o profeta Ageu, e também de acordo com Pedro citando o velho profeta mencionado, Deus derramará de Seu Espírito sobre toda carne, sobre todos os tipos de gente —  sobre homens, mulheres, meninos e meninas, velhos e aflitos —; e, por fim, “até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, diz o Senhor”. Portanto, conforme Deus, os que se dizem “Seus servos e servas” serão os do “até”... Ou seja: serão os últimos; e isto também conforme Jesus, que disse que os “primeiros seriam os últimos e os últimos os primeiros”.

Sim, a “igreja evangélica” secará em sua alma até que diga “Bendito é todo aquele que proclama o Evangelho da Verdade”; ao invés de louvar os falsos profetas que só lhe trazem cegueira sobre cegueira; e preceito de homens sobre preceito de homens; adoecendo-lhe a alma; enquanto eles mesmos morrem de sede, visto que trocaram o manancial das águas vivas pelas cisternas rotas que seus líderes narcisistas cavaram e cavam; sem falar que ainda cobram pela “água de esgoto” que oferecem ao povo. E o pior é que o povo paga e compra!

Quando esse Dia da Verdade chegar, grande será o pranto dos “evangélicos” e de todos os seus líderes. Mas por enquanto isto lhes está encoberto pelo véu do anti-evangelho. Sim, conforme Paulo em II Coríntios 3 há um véu posto sobre a cara de todo aquele que encobre a sua própria desvanecência. Porém, quando o véu for retirado, então verão e se arrependerão de terem seguido a todo aquele que não lhes ofereceu Vida, mas apenas morte e exploração.

Jesus chamou aqueles que muito se pareciam com os que hoje combatem a Palavra da Vida de “filhos do diabo”. Sim, é chocante! Mas “os filhos do diabo” e que têm espírito homicida e de mentira, para Jesus, estavam sobretudo dentro do Templo (João 8). “O diabo é o vosso pai”, disse Ele aos que se diziam filhos de Abraão.

Ora, os “evangélicos” pensam que essa foi uma “palavra fixa”, sem se darem conta de que Paulo disse a mesma coisa de gente que dizia que cria em Jesus, mas que negava a Graça, e pisoteava sobre o Sangue da Cruz, anulando assim o Escândalo do Calvário.

Agora, amigo, é hora de agir. E de agir com pressa e com força. Não dá mais para ficar esperando NADA vir de dentro da “igreja evangélica”, embora ainda haja um remanecente fiel. Mas, mais cedo ou mais tarde, eles também terão que se decidir. Sim, todo aquele que crê no Evangelho tem de se levantar e proclamar a Palavra da Vida, com ousadia e com fé. E a “igreja” os perseguirá também. Porém, chega de timidez e de espera. Quem ama a Jesus e ao Evangelho tem que botar a cara para fora e anunciar a Palavra nesses últimos dias como quem brada com o urro do leão.

Assim, ao invés de se encolher e sofrer, abra a janela, saia de casa, encontre pessoas, reúna-as, e, com elas, inicie uma comunhão simples, sincera e verdadeira. Se precisar de nossa ajuda, aqui no Caminho, apenas fale; e eu tentarei dispor alguém a fim de ajudá-lo. Todavia, é necessário que eu saiba onde você mora, pois, assim, quem sabe, possa até indicar um grupo “dos do Caminho” em sua cidade.

Além disso, mergulhe aqui no site até o fundo e leia tudo. Também ouça a rádio do site e ouça as mensagens diárias e as transmissões da reunião do Caminho da Graça, ao vivo, aos domingos, às 19:30; e que são geradas aqui de Brasília.

Aproveito a oportunidade para lhe enviar uma das músicas que eu estava também ouvindo enquanto escrevia a sua carta. É uma das minhas favoritas; e, além disso, sempre senti que ela contava um pouco de minha própria história existencial.

Fool On The Hill

(The Beatles)

Day after day, alone on the hill,
The man with the foolish grin is keeping perfectly still.
But nobody wants to know him,
They can see that he's just a fool.
And he never gives an answer .....

But the fool on the hill,
Sees the sun going down.
And the eyes in his head,
See the world spinning around.

Well on his way, his head in a cloud,
The man of a thousand voices, talking perfectly loud.
But nobody ever hears him,
Or the sound he appears to make.
And he never seems to notice .....

But the fool on the hill,
Sees the sun going down.
And the eyes in his head,
See the world spinning around.

And nobody seems to like him,
They can tell what he wants to do.
And he never shows his feelings,

But the fool on the hill,
Sees the sun going down.
And the eyes in his head,
See the world spinning around.

Link: http://www.youtube.com/watch?v=zDJ-015ojec


Receba todo o meu carinho; e também minhas orações no sentido de que você se levante como um anjo das Boas Novas na Terra. Afinal, nada há mais poderoso para se anunciar neste planeta de morte do que o Evangelho da Ressurreição.


Nele, que nos ama a todos,

 

Caio