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Cartas

ANTÔNIO ELIAS E JACQUES ELULL

ANTÔNIO ELIAS E JACQUES ELULL

 

 

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

From: ANTÔNIO ELIAS E JACQUES ELULL

To: contato@caiofabio.com

Sent: Thursday, December 27, 2007 10:13

Subject: Antônio Elias e Jacques Elull

 

Meu amigo Caio,

 

Saudades!

 

Pastor Antônio Elias

 

No dia 22 de dezembro, partiu o Pastor Antônio Elias.

 

Você poderia escrever algumas linhas sobre este homem de Deus?

 

Jacques Elul

 

Você escreve que durante algum tempo inspirou-se na leitura do Jacques Elull (perdoa-me se a escrita estiver errada).

 

Você poderia escrever um pouco mais sobre as idéias deste homem. Se não estou enganado, não há livros dele traduzidos para o português. E aqui fica outra sugestão: a de traduzi-lo, pois tenho certeza de que seria ótima a difusão das idéias deste historiador.

 

 

 

Pergunto: Eu receberia alguma informação da veiculação deste e-mail em teu site ou alguma resposta pessoal?

 

No mais, um abração e desejos de um 2008 repleto da graça.

 

Teu amigo Fred.       

 

      

_________________________________________

 

Resposta:

 

 

Amigo Fred: Graça e Paz!

 

 

Você estava lá na Igreja Presbiteriana Betânia entre 1981-84 enquanto fui pastor titular da igreja, tendo o reverendo Antônio Elias como pastor emérito daquela comunidade Presbiteriana em Niterói.

 

Se eu tivesse que resumir quem o Reverendo Antônio Elias foi para mim, diria que mais do que meu pai, ele me passou um legado de Graça na fraqueza humilde e temente a Deus, e que por sentir-se e saber-se amado e acolhido em Jesus sempre, não cessou jamais de repetir o anuncio do amor de Deus por todos os homens; e isto, como é sadio que seja, a partir de sua própria gratidão cotidiana para com o Pai de todas as Misericórdias.

 

Esta era a essência do ser dele. O resto foi conseqüência. Entretanto, as conseqüências foram extraordinárias, pois, durante os anos 50 e 70 do século passado, o reverendo Antônio Elias, juntamente com Enéas Tognini, Rego Nascimento e Jonathan dos Santos, foram os primeiros pastores históricos a pregarem a contemporaneidade dos dons espirituais; sendo que os outros três se separaram de seus grupos pela via da cisão, mas o reverendo Antônio Elias permaneceu sempre na Igreja Presbiteriana, além de jamais ter feito daquela possibilidade de “experiência espiritual” uma bandeira, e, menos ainda, uma causa pela qual valesse a pena uma briga — qualquer que fosse.

 

Ele pregava com ardor espiritual, emoção e muita riqueza de singeleza humana. Não era um erudito, mas falava com propriedade em tudo; nunca, porém, aventurando-se em campos que não fossem de seu conhecimento pessoal.

 

Orava, lia a Palavra com amor; jejuou inúmeras vezes; e era amigo de vigílias de oração.

 

Sempre manteve o pé na “igreja” embora pela via de uma associação interdenominacional que criou [AESA – Associação Evangelística Sarça Ardente] tenha garantido sua independência de movimentos entre os diversos grupos.

 

Pregava com simplicidade; sempre com os três pontinhos da Retórica Reformada, partindo de uma Introdução alegre, indo pelos pontos propostos, fazendo aplicações bem humanas, misturando tudo com os feitos do amor de Jesus expressos nos evangelhos, e concluindo com um apelo de fé, convidando para a Salvação Segura e Certa; deixando a porta aberta para que a Graça também se revelasse de todos os modos possíveis.

 

Ele era tão crente e tão aberto que um dia me disse que cria que haveria um derramamento do Espírito entre e sobre os Islâmicos; e que isso aconteceria sem que eles se tornassem “cristãos”, mas ainda assim salvos pela Graça de Jesus.

 

Ele era um homem que via os atos de Deus na História e que identificava ações do Espírito em toda parte. Às vezes numa música Pop, como em muitas ocasiões vi acontecer na década de 70, quando praticamente morei na casa dele.

 

Ele amava os crentes e ao mesmo tempo achava tudo muito engraçado. Morria de rir de certas coisas. E nunca o vi com ódio ou raiva de ninguém. Não falava mal de ninguém, por mais certo que estivesse, mas não deixava de dar uma boa gargalhada quando algum afoito falava com propriedade sobre alguém acerca de quem ele tivesse a mesma opinião.  

 

Fazia pouco de si mesmo com fino bom humor como vi poucas pessoas conseguirem.

 

Era um pai amado e próximo dos filhos. Dona Maria José era a esposa e santa dele.

 

Ele amava a Jesus e tudo aquilo que pudesse exaltar o Seu Nome.

 

Assim ele foi; assim viveu e assim morreu; ou melhor: entrou na vida que é.

 

Viveu 97 anos.

 

Amém!

 

Quanto ao Jacques Elull, aqui no site, em “Busca”, você acha algumas coisas sobre ele. Dele, em português, creio que você acha “A Sociedade Tecnológica”, “Apocalipse: Arquitetura em Movimento”, e também “Políticas de Deus e Políticas dos Homens”, este último publicado pela Editora Fonte Editorial e por sugestão minha.

 

Aqui no site já havia escrito algumas vezes antes da partida do reverendo Antônio Elias, sobre o significado e a influencia dele em minha vida.

 

A família do reverendo e toda a Igreja Presbiteriana Betânia das décadas de 60 a 90 testemunharam tal realidade.

 

Considero os filhos dele como meus primos-irmãos. Gente da família. E todos sabem que não sou prolífero em tais declarações.

 

Amo-os de verdade!

 

Quanto a você, meu filho na fé, fique forme na Palavra que você ouviu dele e de mim durante aqueles anos.

 

 

Nele, em Quem Antônio Elias vive,

 

 

 

Caio

 

30/12/07

Lago Norte

Brasília

DF