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Cartas

ANJOS, DONS E COISAS ESTRANHAS…

ANJOS, DONS E COISAS ESTRANHAS…

 

 

----- Original Message -----

From: ANJOS, DONS E COISAS ESTRANHAS…

To: contato@caiofabio.com

Sent: Thursday, February 26, 2009 1:49 PM

Subject: Os anjos e os dons espirituais

 

Caio, meu manão querido,

 

Graça e paz!

Em seu texto  ANJOS SÃO ESPÍRITOS AMIGOS DE DEUS E DOS HOMENS! , você afirma:

“Paulo diz em I Coríntios 14 que os dons do Espírito Santo também são ministrados aos homens por espíritos. O ‘Espírito’ concede, mas os anjos [espíritos] ‘ministram’ tais dons aos homens.”

Gostaria, se possível, que você comentasse sobre essa relação entre “anjos” e “dons espirituais”.

Há algum tempo li uma entrevista feita com o Dr. Shedd, e nela ele dizia que os anjos podem vir e falar em línguas por nós. Quando li isso, sinceramente, pensei: “O Shedd deve estar ficando senil ou as muitas letras o fizeram delirar. Ele está falando grego mesmo”. Rsrs. Mas, pelo que vejo, o equivocado era eu...

Com você, a palavra... O que me diz?

 

Um abraço forte!

 

Marcos

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Resposta:

 

Meu mano amado no Senhor: Graça e Paz!

 

 

A questão começa na seguinte pergunta: “Para quê servem os anjos aos homens?”

Sim! Pois, Deus sendo Deus, para quê anjos servindo a Deus no serviço aos homens e à criação?

Ora, a mesma pergunta poderia ser assim feita também relativa aos homens:

“Por que Deus manda os homens cuidarem dos homens e da criação sendo que Deus é Deus e não precisa que ninguém faça nada por ninguém?”

Assim, olhando para o principio de Jesus, que enuncia que no juízo os homens serão julgados pelas suas omissões ante as necessidades do homem e também que os homens julgarão a anjos — podemos inferir que Deus determinou que cada criatura servisse a sua própria espécie e natureza, assim como sirva a todas as demais criaturas que Deus tenha determinado que sejam servidas por aquela existente criatura; sejam anjos, homens ou animais de qualquer espécie, natureza ou tipo de existência.

Na criação natural que conhecemos, cada criatura serve à sua própria espécie, e serve instintualmente ou arbitrariamente a outras formas de vida — uns são comida; outros comem e assim abrem espaço para que outras criaturas tenham espaço de vida com menos predadores; uns limpam os outros; alguns servem de ventre para espécies inteiras que existem em um hospedeiro; e, desse modo, assim vai...

Ora, onde entram os anjos nisso?

Usando linguagem poética ou arquetipica tanto os Salmos quanto o Apocalipse nos falam de anjos cuidando da criação: vegetação, fogo, fontes de águas, rios, etc.

Também se fala dos anjos como batalhando batalhas humanas, tanto quanto se fala de anjos enfrentando outros anjos em camadas espirituais ou dimensionais que têm influencia na vida humana — conforme se vê em Daniel e no Apocalipse, por exemplo.

Em relação aos anjos e ao socorro aos homens, nem se precisa falar muito, pois, as imagens que a todos vêm à mente são inúmeras.

Jesus tratou a questão com simplicidade. Anjos socorrem, servem, consolam, assistem, vêem a face de Deus de dia e de noite por crianças e gente humilde; podem ser requisitados em lutas espirituais ou no enfrentamento de poderes humanos; e, sobretudo, são mensageiros de Deus aos homens e à criação como um todo. Para cada afirmação acima há textos e textos nos quatro evangelhos.

Ora, no que tange a eles Paulo trata o assunto com a mesma simplicidade de Jesus. Para ele os anjos socorrem e livram, informam, e são portadores de dons aos homens. Ao mesmo tempo, Paulo adverte quanto a não se dar aos anjos nenhum tipo de reverencia adoradora; ou seja: ele adverte quanto ao “culto aos anjos”.

Anjos sempre foram um dos temas perigosos entre os cristãos. Sim! Pois, em nome dos anjos cultos são criados, anjos são adorados e passam a ser objeto de oração por parte de muita gente. É a hipertrofia dos anjos.

Provavelmente, entre outras possibilidades, algumas pessoas incautas e precipitadas, ao saberem que anjos eram portadores de dons aos homens, tenham feito deles os seus “santos de devoção”.

Entretanto, o que Paulo diz aos Corintios é que o Espírito Santo dá dons como lhe apraz. No entanto, também se diz que a mediação da dádiva é feita não pelo Espírito, mas por espíritos, conforme I Corintios 14; ou seja: anjos.

O Dr. Shedd está dizendo o que ele lê literalmente no texto grego de I Corintios 14.

Não concordo, no entanto, que sejam os anjos que, no caso das línguas, as falem nos homens, como se fosse uma incorporação.

Ou seja: não creio que os anjos falem línguas nas pessoas, mas que apenas sejam os portadores da dádiva, cumprindo o principio da criação que afirma que cada criatura serve aos que o Pai designou para que sirvam.

Creio que os anjos destampem o processo dos dons, como agentes espirituais. Mas não creio que o serviço deles vá além, no que tange aos dons.

O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra!

Com base nisso sempre andei crendo que nunca ando só aos olhos de multidões de seres espirituais e até de homens, que, muitas vezes, correm sem explicar, como quando tentaram me matar mais de uma vez em razão do Evangelho.

E mais: no curso da vida vi tais poderes de proteção agindo em minha vida, na de meus pais, e na de milhares.

Sim! Creio simplesmente conforme o espírito do Novo Testamento em relação ao serviço dos anjos.

Minha opinião, no entanto, é que eles, os anjos, têm múltiplas formas, faces e manifestações.

E mais: a maioria de tais expressões, se vistas pelos crentes, seriam interpretadas como tudo, menos como manifestação de anjos, posto que “os anjos dos crentes” sejam criaturas medievais em sua forma artística.

Os anjos da Bíblia, todavia, são figuras que podem aparecer com cara de gente, de bicho, de luz; ou como fogo, vento, relâmpagos, bolas de olhos, seres com aparatos estranhos [como em Ezequiel], e muitas outras formas.

Creio também que muito do que se hoje se chama de ET e Óvnis não passa de manifestação desse mundo de anjos, pois, a olhar para a Bíblia, não se deveria pensar de outra forme a principio.

“Eram os deuses astronautas?” — perguntou Von Däniken [http://pt.wikipedia.org/wiki/Erich_von_D%C3%A4niken].

Ora, se eu cresse como ele, também veria na Bíblia um monte de “provas” de tais coisas. Sim! Muito mais do que ele achou ter encontrado.

Entretanto, creio que anjos são tais criaturas — boas ou más. Aliás, os salmos chamam algumas vezes os anjos e a assembléia celestial de “deuses”.

Creio que tais “manifestações estranhas e diferentes” sejam da mesma natureza que nós chamamos de espirituais; e as coisas e aparatos que hoje são frequentemente detectadas por aparatos de gravação, são apenas mídias civilizatórias de anjos, que são seres de outra natureza, mas que entre nós são chamados de anjos.

Também creio que anjos tentam interagir com a humanidade o tempo todo. Entretanto, os anjos que criam aparatos e tentam se comunicar, em minha opinião, são maus; posto que se manifestem no espírito condenatório encontrado tanto em Pedro quanto em Judas, os quais deixam sua dimensão e seguem após outra carne.

Como vejo que o Dilúvio [Gênesis 4 a 6] como algo que aconteceu em razão da ação perversa de anjos — “benai Elohim” [http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=04329] — que buscaram alterar a natureza da espécie humana [obsessão sempre presentes neles; agora com as caras de engenharia genética de mutação e seus derivados], não tenho nenhum problema quando olho as manifestações de anjos, de Principados e Potestades, na forma das aparições e avistamentos que hoje tanto perturbam a humanidade.

No mundo espiritual do Novo Testamento há Principados, Potestades, Poderes, Tronos, Soberanias, etc.

Ou seja: no Novo Testamento as possibilidades de manifestações de tais poderes cobrem uma infinda variedade de possíveis manifestações, conforme a natureza espiritual/energética da criatura.    

Entretanto, no meio cristão, caso eu usasse a linguagem de Paulo e de Hebreus a fim de designar os anjos, chamando-os apenas de “espíritos”, o preço seria que me veriam como espírita, posto que para o “evangélico”, por exemplo, o termo “espírito”, não sendo usado pela própria pessoa como “em meu espírito”, será sempre ouvido como algo que tenha a ver com a manifestação de um morto — o que é total tolice.

Paulo disse que nada o poderia separar do amor de Cristo, nem mesmo “qualquer criatura”.

Ora, quando ele disse “e nem qualquer outra criatura”, Paulo abria o Universo e dizia:

Não há poder, nem dimensão, nem qualquer criatura, de qualquer mundo, criação, energia ou dimensão, que possam me separar do amor de Deus em Cristo, posto que tudo o que exista, de qualquer natureza ou dimensão, exista sob o Senhorio de Jesus, que recebeu o nome que está acima de todo nome, poder ou criatura”.

Em síntese mano, é isto que creio acerca dos anjos, embora haja muitas outras nuances e aspectos que não cabem no espaço de uma pílula de pensamento escrito de modo breve e apresado como este texto de agora.

Receba meu amor no Senhor e meu carinho por você.

 

Nele, que deu cada criatura para servir a outras, de modo que o todo da criação seja sempre expresso como vida e amor mostrado em cuidado e serviço,

 

 

Caio

26 de fevereiro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF