Português | English

Cartas

AMIGO CULPADO DE CULPA

AMIGO CULPADO DE CULPA

 

-----Original Message-----

From: Irmão Culpado de Culpa!

To: contato@caiofabio.com

Subject: Culpado de Culpa!

 

 

 

Amigo Caio, que a paz do Senhor Jesus esteja contigo, meu amigo...

 

 

 

 Bem, quem me dera ter a graça de tê-lo como amigo, pois, sempre tive vontade de conhecê-lo. Sei da sabedoria de Deus derramada sobre você; e sempre tive a falta de alguém assim, que me orientasse em minha vida cristã, tão cheia de altos e baixos.

 

Vivi assim, subindo e descendo, creio eu, como fruto de um casamento que por pouco não se tornou doentio. Por pouco não me separei de minha esposa; visto que, por causa da obra de Deus, muitas vezes fui maltratado e humilhado por ela.

 

Ela morre de ciúmes de tudo — sempre coisas banais! Esse fato me leva a argumentar a Deus aonde errei em minha escolha... Mas sei que em Deus não há erro nenhum...

 

Até que um dia, cansado de tudo, e de todos, caí no pecado de amar uma outra pessoa... Essa pessoa sabia de minhas lutas e perseguições de minha mulher... sabia de meus conflitos interiores...

 

Sabe, amigo Caio, acabei caindo no adultério... Me afastei da igreja... Por pouco não perdi a fé...

 

Mas Deus, com sua paciência e amor, tem me tocado... Terminei o caso...

 

Minha esposa, depois que me afastei das igrejas por onde trabalhava para o Senhor, modificou bastante... Está mais compreensiva; estamos nos dando melhor agora. Acho que ela desconfiou do que aconteceu...

 

No fundo ela sabe que eu a traí... Mas não sei se conto... Não sei se admito tudo... Sei que ela jamais me perdoará! Eu a conheço...

 

Ainda estou sem forças pra retornar à Casa do Pai Amado. Sinto falta de Deus...

 

Meu amigo de Deus, o que devo fazer? Acabei de ler carta que um irmão escreveu a você — mais ou menos esse assunto... Sua resposta foi bastante sincera e tocou meu coração...

 

Obrigado pelo senhor ser esse homem de Deus, que fala a verdade. Eu sempre o admirei também por isso. É bom vê-lo pregando a Palavra de Deus novamente... Eu espero também um dia voltar a anunciar a Graça de Deus, mas de uma maneira transformadora...

 

Aguardo ansioso uma palavra amiga do amado amigo e irmão. Que Deus o abençoe abundantemente...

 

___________________________________

 

Resposta:

 

 

 

Meu amado irmão: Paz e Bem!

 

 

 

Li com atenção a sua carta. Agradeço a confiança e o carinho. Eis o que tenho a lhe dizer:

 

1. O que lhe aconteceu não faz separação entre Deus e você. Faz separação entre você e Deus. Assim são os nossos pecados: eles não separam Deus de nós; separam a gente de Deus. É isso que diz a Palavra.

 

2. Portanto, confie no perdão. Abrace a Graça que já é sua. E descanse. Está pago. O Advogado é Fiel!

 

3. A “igreja” cumpre um papel muito infeliz nessa hora. Como ela se arroga o papel de “representante de Deus na terra”, então, numa hora dessas, muita gente confunde as coisas: tem gente que sabe que a “igreja” condenará aquele ato, e interpreta a condenação como sendo voz de Deus; e como a igreja demora a perdoar, ou não perdoa, há pessoas que pensam que aquele é o “tempo de purgação” que Deus estabeleceu; ou seja: que o humor da igreja tem alguma coisa a ver com o amor de Deus. E não tem. Se tivesse, estaríamos fritos!

 

4. Há mais gente vivendo de neurose culposa em razão da expectativa de punição da “igreja”, que a gente imagina. E o pior estelionato é esse: furtar a autoridade de Deus a fim de manter os homens sob a culpa patrocinada pelo humor sem amor; isso, da parte da “igreja”.

 

5. Não confunda as coisas. O caminho de Deus não é o caminho da “igreja”. A “igreja” cuida de seus próprios interesses. Deus não precisa da “igreja” para tratar de ninguém. Aliás, você é prova viva de que a “igreja” pode ser muito boa pra quem não sabe nada e está chegando; mas pra quem já sabe alguma coisa e “cai”— conforme a pobre designação que a “igreja” empresta ao termo —, para esse tal, não há perdão por um bom tempo. A menos que tenha muito poder e dinheiro. Nesse caso, a “graça” aparece rapidinho.

 

6. Procure uma igreja limpa e que não viva de explorar a culpa humana; e congregue-se lá. Não é bom deixar de congregar — conforme Hebreus.

 

7. Quanto a sua esposa, creio que há algumas perguntas que apenas você pode responder; e bom será se o fizer com total honestidade. Que perguntas são essas?

       7.1. Você um dia a amou, de verdade?

       7.2. O que você sente por ela? Amor? Culpa? Pena? Medo?

 

Você confessou que ela fez de sua vida um inferno, mas não disse de que tipo. O que supus é que ela é uma espécie de mulher rixosa. Há quem possa amar a mulher de rixas, mas certamente estará sofrendo de um outro mal: a rendição ante o espírito amargo da patroa. Se sua mulher é rixosa, saiba: só Deus agüenta ser alguém pra ela. Veja bem se ela está apenas insegura, ou se está dando sinais de cura.

 

Não conte nada a ela, sob hipótese alguma. A menos que você queira, de duas, uma coisa: a) ficar com ela num inferno ainda muito mais profundo — ela não vai dar nunca mais nenhuma paz a você; b) se separar dela da pior maneira possível — o que será totalmente não recomendável, por todas as razões do céu e da terra.

 

Aqui no site há vários textos sobre a questão de quando, para quem, e em que circunstâncias alguém deve confessar uma falta a outra pessoa. Procure e leia esses textos. A maioria está em Cartas, eu creio.

 

No mais, saiba: Não pense que Deus botou você de quarentena. Você é que está se punindo nesse lugar miserável. Pare com isso, já!

 

Eu tinha um filho na fé, dentre tantos. Mas esse era especial para mim. Quando eu passei tudo o que passei, ele mudou. Passou a jogar um jogo duplo: no “particular”, só beijinhos; no “público”, distância; e, depois de um tempo, falava mal.

 

Eu fiquei sabendo durante dois anos, e dando a ele a chance de se converter de menino em homem. Ele não sabia que eu sabia.

 

Um dia perdi a paciência. Mandei chamá-lo. Ele veio e dei-lhe um super-aperto; desses que você pede a Deus pro cara não reagir, senão, apanha, e muito.

 

Como era óbvio — ele me conhece —, o resultado foi o esperado. Botou o galho dentro! Mas saiu com essa “pérola de porcos”: Pastor Caio, você não deve mais pregar porque você foi usado por Deus para atingir milhões. Agora a sua responsabilidade é tão grande, que você nunca mais deve pregar”.

 

Perguntei a ele se eu fazia parte de um grupo que fora salvo pela Cruz Vip. Ele foi... nunca mais voltou. Sinto pena dele. E por que? Porque ele pensa que a Cruz de Cristo não é a mesma para todos!

 

Se você estivesse pregando para alguém vivendo nas suas circunstâncias, eu sei o que você diria. Você diria que o pecado está perdoado, e mandaria o cara em paz pra casa; e diria pra ele viver a melhor vida que pudesse, em Cristo. É, ou não é? Pois bem, vai tu e faze o mesmo! A Graça de Deus é pra você também. E você não ajudará a Deus ficando aí nesse purgatório. Está pago, meu irmão! Levanta, toma o teu leito, e anda!

 

 

 

Um beijão,

 

Caio