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Cartas

ALMA DE EVANGELISTA TAMBÉM SE VICIA EM SEXO...

ALMA DE EVANGELISTA TAMBÉM SE VICIA EM SEXO...

   

-----Original Message-----

From: SOU EVANGELISTA, E SOU VICIADO EM SEXO

To: contato@caiofabio.com

Sent: terça-feira, 9 de março de 2004 15:29

Subject: ME AJUDE!

 

 

 

Pastor Caio,

 

 

 

Preciso de ajuda. Sou evangelista, tenho 37 anos, sou casado com uma ótima mulher, tenho 3 filhos maravilhosos, sou vice pastor de minha igreja, mas vivo numa luta constante, pois não consigo abandonar a dupla vida que levo. Sou um viciado compulsivo em sexo! Vez por outra eu me envolvo com mulheres diversas, e até prostitutas. Vivo constantemente pensando em sexo.

 

Já jejuei por isso, já busquei várias formas de ajuda, em livros, orando, etc.. Mas não tenho conseguido me livrar. Às vezes fico um período sem fazer... mais calmo. Mas, então, volto a tais praticas.

 

Isto me faz sofrer muito, pois acho que não só peco contra Deus, mas também contra a minha família; e com isso vivo um grande conflito interior.

 

Já pensei em abandonar tudo, a igreja, a família; e também não tenho coragem de falar com ninguém a respeito do assunto.

 

Por favor, me socorra.

 

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Resposta:

 

 

 

Meu amado amigo: Graça e Paz!

 

 

 

Para que eu possa tentar ser útil, me responda algumas perguntas:

 

1. Você ama a sua esposa?

 

2. Têm vida sexual ativa?

 

3. Com que idade você percebeu que esse vício se instalou?

 

4. Como a sua igreja trata a questão?

 

5. Fale-me de sua vida, família, pais, criação, etc...

 

Aguardo sua resposta.

 

Com oração e carinho,

 

Caio

 

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Mensagem:

 

Pastor,

 

Obrigado por me responder. Gostaria de responder as suas perguntas para complementar.

 

Amo muito minha esposa, e também a desejo muito. Não fazemos sexo com a freqüência que eu gostaria que fosse; e nem na forma que eu às vezes gostaria, mas em media quatro vezes por semana a gente transa. E quando fazemos sexo, quase sempre é muito bom.

 

O vício começou aproximadamente aos 14 anos de idade. Nessa época já não conseguia me controlar. Sou convertido há mais de 20 anos, mas já nasci em um lar cristão. A igreja é (disse o nome), uma igreja bem pentecostal e muito legalista.

 

Tenho a visão de que o sexo, biblicamente falando, é uma benção para o matrimonio; e que é um presente de Deus para o homem.

 

Minha família tem antecedentes de viciados em sexo. Já ouvi dizer pela minha mãe que o meu pai, já morto, era um homem de desejos sexuais fora do normal; já havia traído, e já tinha sido pego em atitudes desconfortáveis, o que o comprometeu com certo conceito de compulsividade sexual.

 

Mais uma vez, obrigado.

 

Aguardo!

 

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Resposta:

 

 

 

Meu querido irmão em Cristo: Graças a Deus por Jesus, em quem temos a Vitória!

 

 

 

Nossa constituição humana, depois da Queda, tem muitas contribuições, para o bem e para o mal.

 

Quando digo isto estou assumindo que há coisas que nos fazem sentir algo bom acerca delas, portanto fazendo-nos dizer que elas são boas, visto nos fazerem “bem”; assim como há aquelas coisas que nos fazem sentir mal, e, pela mesma razão sensorial e emotiva, nós dizemos que nos fazem mal.

 

O que não sabemos é que em geral Deus está agindo mais através daquilo que nós sentimos como mal, do que naquilo que nós sentimos como bem. Pois, para nós, o bem é conforto, e o mal é sofrimento.

 

Ora, isto tudo tem a ver com minha primeira afirmação de que nossa constituição humana tem muitas contribuições, para o bem e para o mal. Somos feitos de materiais energéticos similares e conectados em reação química e elétrica, no corpo; e somos constituídos de alma, que existe como um termo de conexão com o espírito, nosso eu indecifrável e quase irreferível.

 

A alma é esse “nós” que nos junta entre tempo-espaço, na dimensão física, ao absolutamente atemporal, que é o espírito.

 

A alma é sem ser mesmo sendo quem é. Portanto, ela nos representa de modo perfeito, pois nós somos esses seres que são sem ser, sendo para ser. No corpo carregamos materiais minerais e orgânicos — pó da Terra —; e no espírito somos aquilo que se deriva da natureza Daquele que é, e do ambiente onde o que é, é: a eternidade.

 

A alma está aí, entre seus instintos mais da Terra e do chão, e sua vocação divina, atemporal e transcendental — ou seja: eterna. É na alma que essa síntese é feita. O chamado para o eterno co-existe com o clamor do pó da Terra na alma de todo ser humano, pois todos somos caídos, e experimentamos a vida como angústia e ambigüidade, até que encontremos a Graça de Deus e nela iniciemos o caminho da pacificação do ser, que é, sendo... Enquanto existir no tempo e no espaço; ou seja: neste corpo de morte.

 

Aqui onde vivemos nascem cardos e abrolhos, e o chão aprendeu a espirrar espinhos! Aqui onde vivemos, falta de Lítio pode produzir depressão; e falta de amor, também. Aqui, neste lugar-que-sou, zinco e proteínas, hormônios e outras químicas, geram estímulos que afetam até a alma. E a alma, por sua vez, sente coisas que têm o poder de virar carne, e de afetar o corpo até para a morte.

 

Mas a natureza, mesmo em seu estado caído, existe em natural dor e em dor natural, pois ela expressa o sentido da vida, visto que ela sempre busca o caminho da vida, mesmo enquanto geme. A natureza não sabe se suicidar. Ela tem que ser matada.

 

Assim, no homem, o chamado para o eterno convive com o clamor de minerais, vegetais, e de toda produção do chão da Terra. Não é só a serpente, e nem tampouco os principados e potestades espirituais que ficaram confinados ao pó da Terra. A alma também ficou.

 

Daí sua salvação implicar também nela transcender ao mundo. “O que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?”

 

Desse modo, a alma celebra o eterno e se alimenta do terreno; sendo atraída pelo que é espiritual, e cedendo aos apetites daquilo que é instintual. O problema aumenta muito por, pelo menos, duas outras razões:

 

1. A herança genética: Isto porque inegavelmente eu carrego muita gente em mim. Não sou só eu quem mora “aqui”. Há tantas cargas que já estavam em mim... Antes de eu me “tornar eu”, ou seja: um ser com uma consciência que se “assume”. Todos os dias eu vejo os pecados e as virtudes de meus ancestrais bem vivos em mim. Para o bem e para o mal. Depende do que eu faço com tais presenças-codificadas, que viajam em mim de modo mais sutil do que posso discernir, e que se manifestam naquilo que em mim são: códigos de memória genética; além de fazerem parte de minha constituição cultural e psicológica também. Sim! Dependendo de como eu trato tudo esse legado, ele pode fazer bem ou mal.

 

Pedro diz que esse legado, o “vão comportamento de nossos pais”, só é tratado na Graça, quando a gente crê que o Sangue de Jesus nos comprou dessa “determinação”, que é escravidão... É carma.

 

2. A cultura e as reações da alma ao meio em relação a si-mesma: Como disse, as heranças genéticas também andam de mãos dadas com minha constituição cultural e psicológica, as quais, por seu turno, vão se somando para produzir em mim novos estados psicológicos, que podem se amainar ou se agravar, dependendo de como “eu” interpreto e respondo a tais “constituições”.

 

Ora, eu estou dizendo tudo isto a fim de mostrar para você porque você ama a Deus e, ao mesmo tempo, se sente compulsivamente atraído por aquilo que para você pertence, psicologicamente, ao pó da Terra.

 

No entanto, o cenário por mim pintado fala de um quadro amplo. Mas esse Grande Cenário tem aplicativos e resposta, completamente diversos em cada ser humano, dependendo das combinações que constituem aquele indivíduo, e, também, de acordo com as interpretações que ele fez e faz da existência; e ainda, das respostas que ele deu e dá ao que sentiu e sente; se relacionou e se relaciona.

 

Desse modo, quando explodem vulcões, cada um corre para o seu lado. E há aqueles que não saem do lugar, pois têm mais medo de sair de casa do que de morrer. O mesmo vulcão gera reações diferentes nos indivíduos.

 

Você deu uma resposta psicológica e comportamental às pulsões que existem em você e que devem ter características genéticas (pai-mãe), culturais (a história familiar mais ampla), e psicológicas — a família imediata, crente, e filha de um pai devasso e sexualmente incontrolável.

 

Ora, é obvio que a criação com a moral cristã em luta com as pulsões orgânicas, junto com as predisposições psicológicas, gerou essas erupções na direção sexual, até porque essa “energia”, esse instinto, essa vontade visceral, aumenta em intensidade quando é tratada como maligna. Nesse ponto o estimulo orgânico e hormonal ganha dimensões de natureza psicológica por causa do juízo moral e da culpa que ele, o juízo, produz.

 

Desse modo, aquilo que tem origem orgânica fica turbinado pelo fogo da culpa, e aumenta seu próprio volume, tornando-se algo avassalador, conforme você sabe. Portanto, o caminho a seguir é longo, porém simples.

 

1. Creia que Jesus morreu pelos seus pecados. Morreu pelos pecados que você peca por volição, e também pelos que você peca por compulsão. E, também morreu pelos pecados que lhe são ocultos. E pagou toda a sua dívida. Você não é uma surpresa ruim para Deus.

 

2. Não entre no esquema psicológico do pecado; ou seja: você peca, se desespera, fica um tempo sob culpa, estoca pulsões, reprime-as, aumenta-as tornando-as em compulsões, luta contra elas... E, então, EXPLODE tudo outra vez... E o processo não pára nunca.

 

A fim de parar com o esquema psicológico do pecado, você tem que crer, de uma vez e para sempre, que seu problema com Deus já está resolvido. A obra da Cruz pagou tudo e acabou com seu problema de culpa na presença de Deus.

 

Sobrou para você aquilo que hoje faz você sofrer, especialmente porque além da dor que a situação em si já produz você a exacerba na proporção do eterno, exatamente no momento em que faz aquilo ser um estupro seu na Graça de Deus. Então, assim, você mergulha em culpas imperdoáveis, o que aumenta sua compulsão muito mais.

 

O que pára este processo é a Posse do Perdão Definitivo. A gente só consegue ter paz em si mesmo bem depois de ter crido que tem paz com Deus por meio de Jesus. Nós somos salvos para podermos ir sendo salvos, em nossa existência na Terra. Nossa alma é salva para que ela possa crescer na salvação. Ou seja: não há nenhum bem a ser realizado em você que não tenha que ser precedido pela sua decisão de crer, confiar e descansar (O site está cheio de textos acerca disto; leia).

 

3. Paulo nos diz que a culpa viaja com muitas caras. Veja em Romanos, na epístola. Lá, há os que se entregam totalmente aos instintos e que perdem toda sensibilidade (cap.1).

 

Há os se acham “pura verdade e consciência”, não praticam as “indecências” dos outros — os puramente instintuais —, mas vivem uma subjetividade cheia de outros males, pois o pecado apenas muda de máscara, nunca de essência. Esses são os religiosos (cap.2).

 

Há os que não são instintuais, e nem são religiosos de consciência, conforme a Lei. Todavia, vivem de acordo com a relatividade da luz que possuem, têm suas divisões interiores, e conhecem o freqüente diálogo que se dá em suas almas — acusando-se ou defendendo-se —; mas sempre servem de “lei para si mesmos”, respeitando os limites da própria consciência (cap. 2:12-16).

 

E, por último, há os seres absolutamente neurotizados pela Lei; e tal padrão aparece em Romanos 7, quando Paulo fala de si mesmo, e do estado de consciência culpada e neurótica que ele possuía até crer na Graça de Deus, assumir pela fé que não há mais nenhuma condenação para quem está em Cristo Jesus, e prosseguir para o estabelecimento da nova tendência, do novo pendor, que é para o Espírito, e produz vida e paz (Rm 8:1-4).

 

Assim, ficamos também sabendo que a alma tem seus pólos ou na total insensibilidade, ou na total neurose religiosa. É a Graça de Cristo que vai dissolvendo esse carnegão, e é ela que vai nos mostrando a possibilidade de transformar as pulsões que nos escravizam, em energias que se inclinam na direção do Espírito; acabando por gerar vida em nós.

 

4. Honrar pai e mãe é o único mandamento com promessa, porque é o mandamento que carrega em si os resultados da obediência. Honrar pai e mãe é enxergá-los, porém melhorá-los em nós. Ora, isto carrega benção-em-si. Você é chamado para melhorar seu pai em você.

 

Ele já é honrado em você hoje, pois, mesmo com seus conflitos, você já significa uma melhora para seu pai em você. Agora, chegou a hora de seu pai ser supremamente honrado em sua vida, pois eu sei que você vai encontrar o caminho do controle sobre suas compulsões.

 

5. Você, possivelmente, ainda tenha algumas recaídas. Mas trate-as no nível de quem já entendeu. Você verá como as coisas irão se acalmar em você.

 

6. Tudo o que eu disse, todavia, só funciona para quem quer mesmo, e para quem crê mesmo. Mas como você quer... Digo-lhe: não canse. Pois tudo isto haverá de se aquietar em você. Todavia, não faça de sua vontade uma pulsão culposa. Você quer ficar livre disso para o seu bem, não para o bem de Deus. Portanto, trate isso como se trata uma doença, não mais um pecado que vai jogá-lo no inferno; pois, acerca dos seus pecados, Ele diz que nem se lembra mais.

 

7. Além disso, não jejue mais por isto, e nem faça disso tema de suas orações. Quem ora pelo próprio pecado o faz crescer enormemente, pois o fixa na alma como culpa neurótica. Ore a Deus por Deus. Jejue pela alegria da devoção. Mas não mais pelo seu pecado; pois ambas as coisas — oração e jejum — também acontecem “em você”; e quando os temas da “devoção” são de natureza tão psicológica, a tendência é que “quanto mais você reze, mais assombração lhe apareça”.

 

8. Sugiro também que você inicie um processo psicoterápico, e que comece logo.

 

Hoje eu vou ficar por aqui. Mas espero que você leia todo este site, e que cresça no conhecimento de Deus e de Sua Graça em Cristo, pois eu sei que na medida em que você crescer na Graça, essas pulsões virarão apenas o que elas são: uma enorme energia sexual, oriunda das nascentes já indicadas, e que se tornou imensa pela culpa; e, na Graça, ela voltará a ser apenas testosterona e outros derivados... Nada, além disso.

 

Então, a vitória irá crescer em você. Saber qual é o vício e de onde ele vem, ajuda meio caminho no seu controle. A verdade sempre liberta, mesmo quando diz quem somos, e o que devemos discernir em nós mesmos a fim de vivermos melhor; isto é, com mais paz.

 

Receba meu carinho e orações.

 

 

 

 

 

Nele, que ama a todos os que criou,

 

 

 

Caio