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Cartas

ALIANÇAS DE COQUINHO!

ALIANÇAS DE COQUINHO!

 

 

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

From: ALIANÇAS DE COQUINHO!

To: contato@caiofabio.com

Sent: Friday, July 11, 2008 11:06 AM

Subject: Meu irmão, me ajude!

 

Olá Caio,

Gostaria de sua ajuda para poder entender o que esta acontecendo comigo. Tenho quase 40 anos e desde os 15 estou numa igreja evangélica. Sempre fui muito envolvido com tudo da igreja ao ponto de me tornar um líder. Entretanto, algumas coisas aconteceram durante esse tempo. Só namorei uma menina da igreja por seis anos, namoro este que mais parecia um namorico de criança. Nunca tivemos uma vida íntima embora eu sempre quisesse experimentar o sexo. A vida para mim se resumia à igreja, por isso nunca tive amigos fora dela. Como conseqüência nunca aprendi a dançar, a me divertir, a conhecer outras pessoas que não fossem de igreja.

 

Na universidade me afastava de todos, pois pareciam “perdidos”. (Perdido estava eu, não eles). Acreditava que o melhor mundo para se viver só poderia acontecer dentro da igreja evangélica. Minha primeira experiência com o sexo aconteceu aos 26 anos com uma mulher que trabalhava para minha família. Após esta experiência tive uma crise de consciência tremenda. Casei-me com a pessoa com a qual havia perdido o medo do sexo. Formei-me na área de exatas, mas como senti o chamado de Deus fui para o ministério, acabei fazendo um mestrado em teologia. Depois de algum tempo, comecei a ler não só teologia, mas filosofia, e descobrir que o meu mundo era de mentira. Desde meus 20 anos leio tudo o que você escreve; o que tem me ajudado de uma maneira extraordinária.

 

Hoje discordo completamente do modelo de igreja evangélica estabelecido. Acho as mensagens uma verdadeira alienação. Por exemplo, na igreja em que eu freqüentava os jovens são incentivados a usar um anel de coco para fazer uma aliança com Deus para ter sexo somente depois do casamento. Como conseqüência, existem muitos jovens frustrados e adoecidos por não poder experimentar o sexo antes do casamento.  

 

Caio, já não agüento mais isto; tenho tido a sensação de que perdi muito tempo dentro desta loucura. Quero correr atrás do tempo perdido e mandar esta galera se lascar. Já não tenho mais amor pela pregação, pelo ensino das escrituras. Parei de ler, de meditar; só não parei de orar. Quero largar tudo e começar novamente, mas não sei se tenho coragem e tempo. Tenho também tido vontade de conhecer outras mulheres fora do casamento. Vou parar por aqui. Quero Jesus, mas não a instituição chamada igreja evangélica.

 


 

Resposta:

 

 

Meu mano amado: Graça e Paz!

 

 

A questão da sexualidade “dentro” da “igreja” tem sido marcada por milênios de ignorância e doença.

 

Digo isto apesar de crer que uma “igreja” que tem um “dentro” está “fora” do que seja Igreja.

 

O problema nunca esteve no sexo, nem em quando se o pratica nem tampouco em evitar praticá-lo antes de haver um amor que estabeleça o casamento entre as partes. Não! O real problema está na “energia negativa”, no modo “diabolizante” como se trata a questão, e mais: no modo “santarado” mediante o qual se fala de sua abstinência como “meio de santificação” e da prática sexual como meio de “danação”. Afinal, pela experiência, fico sabendo que são essas pulsões justamente as que acabam criando aquilo que se pretende evitar ao serem impostas sobre as pessoas.

 

Ora, sexo é bom, e foi criado para ser muito bom mesmo!

 

Entretanto, na “igreja”, muitas vezes se casa para resolver o “problema do sexo”. Nesse caso, o sexo passa a ser um problema.

 

Se a pessoa sendo livre e madura para escolher ainda tem muitas dificuldades, imagine quando a alternativa é casar para poder transar!

 

Sua análise da situação dos moços do “coquinho” é correta. Uns ficam como você disse, mas outros tiram o “coquinho” do dedo e metem o dedo em alguma “coquinha” por aí, como tenho visto acontecer em alguns lugares.

 

Ou seja: somente gera neurose e hipocrisia!

 

Gente que apenas lembra de seus compromissos se olhar um anel de coquinho no dedo tem um coquinho na cabeça!

 

Entretanto, o que me preocupou em sua carta foram duas coisas:

 

1ª. Você disse que parou de ler a Palavra. Isso me preocupou, pois, de fato, o que você chama de “pregação” eu também não amo, posto tratar-se do discurso da religião sobre Deus e Jesus, o que, em geral, é a negação do Evangelho como ele é. Mas o que tem a Palavra ver com isto? Sim! Se é justamente por ela que você se alimenta para resistir às falsas pregações?

 

2ª. Você mencionou, de modo fugidio, que anda com vontade de ter sexo com mulheres fora de seu casamento, ao mesmo tempo em que diz desejar largar as bobagens da religião e começar tudo outra vez. Ora, para começar tudo outra vez, saiba: você não poderá voltar ao ventre materno e nascer segunda vez. O “tudo novo” do Evangelho acontece dentro desse homem traumatizado que você é, e não num ser que não existe. Assim, no Evangelho, a sua mulher pode fazer parte do “tudo novo” que ele propõe, sem que você a “descarte” a fim de começar tudo outra vez. Sim! Pois o recomeço é no coração e não em uma geografia física e fixa. Pareceu-me que você quer “Graxa” e não “Graça”, pois, na Graça, ninguém se aproxima a priori do Evangelho com (ou pela) determinação de abandonar a mulher ou em busca de uma concessão para trair. No seu caso, parece que pelo fato de você ter se sentido enganado pela “igreja” é a sua mulher quem tem de pagar a conta. Não se engane!

 

 

Auto-engano é sempre presente e forte numa hora assim!

 

Você, creia, está num processo dramático de auto-engano outra vez, posto que tendo deixado as “crenças antigas”, hoje deseja ir para um outro pólo, ainda que negue isso para você mesmo. Entretanto, não dá para “deixar pra lá”, como você terminou apressadamente dizendo. É sério. Sim! E pode acabar com você, pondo um “coquinho” em sua alma, numa aliança com a infantilidade.

 

Está tudo certo, mas você está usando o seu acerto sobre o errado a fim de errar com base em seu acerto!

 

Pense no que lhe disse e, além disso, leia o www.caiofabio.com, no qual você encontrará razões de sobra a fim de pensar melhor sobre tudo.

 

Um forte abraço!

 

 

Nele, que nos chamou à liberdade que não conduz a outras formas de escravidão,

 

 

 

Caio

 

12 de julho de 2008

Lago Norte

Brasília

DF