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Cartas

A QUESTÃO SOU EU!

A QUESTÃO SOU EU!

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

From: A QUESTÃO SOU EU!

To: contato@caiofabio.com

Sent: Saturday, August 25, 2007 03:22

 

 

Graça e paz, prezado irmão.

 

Gostaria de lhe pedir uma orientação sobre uma situação que me vem a perturbar, apesar de estar sendo levada com temperança, placidez e gozo.

 

Sou cristão e fui doutrinado ao modo tradicional, mas tenho optado por uma doutrina não liberal nem fundamentalista tão pouco moralista! Anseio por uma doutrina do evangelho pleno de Cristo. E sobre isso trago-lhe a seguinte situação: sou um jovem de 24 e me envolvi com uma jovem de 23 anos e casada. Foi tudo muito delicioso como o sabor do mel, mas logo após teve um sabor amargo como fel. Isso se atribui a minha consciência moral diante da pratica do adultério perante Cristo.

 

Caio! Essa garota me diz que não ama o marido e que seu casamento e como o ´´de cristal``, onde o objetivo era aparência, profissionalismo, posição social e ainda por cima a pressão familiar.

 

Hoje após dois anos ela está se separando, e existe um desejo dela de estar comigo!

 

Diante da situação fico meio sem saber o que fazer, pois quero muito viver esse amor que está por existir, mas temo que esteja fora de conforme os padrões de Deus.

 

Primeiro por ela estar se separando e eu não ter uma posição estabelecida sobre o divorcio; sendo que ela não é uma cristã - e encontra-se fora desses princípios; segundo por ter certeza de que é uma mulher que vem de um casamento, e que teve uma vida sexual ativa, e como seria difícil para mim o ter que resistir a esses impulsos sexuais!

 

Mas a dúvida maior é: poderia essa mulher separar-se do seu marido e ter uma relação aceitável comigo, dentro dos padrões de Deus?

 

Visto que ela já tem mostrando interesse pelo evangelho, pois o tenho apresento a ela, e isso já tem resultado em sua não aceitação pela pratica do espiritismo onde ela acompanhava o marido.

 

Desde já agradeço pela oportunidade e espero resposta. Abrigado bom irmão, em nome daquele que vive.

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Resposta:

 

 

Meu querido irmão: Graça e Paz!

 

 

Um pensamento para você:

 

“Perguntar” vem de “per conta”; ou seja: pela [mediante] a conta; ou vara usada pelo barqueiro a fim de empurrar a gôndola e, ao mesmo tempo, afastar as folhas da lamina da água, a fim de andar enquanto sabe o fundo...

 

 

Obrigado pela confiança; e é em razão dela [de você para comigo], que peço que me dê a confiança de poder dizer-lhe a verdade sem que isso o ofenda; pois, para mim, mais cômodo seria não me botar em rota de analise acerca do que não me foi perguntado, embora me tenha sido dito. Entretanto, frequentemente, os problemas não estão nas questões, mas nas supostas razões delas.

 

Assim, um rapaz “doutrinado ao modo tradicional”, mas tendo “optado por uma doutrina não liberal, nem fundamentalista, tão pouco moralista” traz-me uma questão que o está a afligir, embora seja tratada com “temperança, placidez e gozo.”.

 

A questão é:

 

Eu tive um caso com uma menina casada e foi uma delicia, até que minha culpa começou a tornar o mel em fel. Mas ela não ama o marido, e está se separando dele. O medo é que o que antes foi fel no final [que nunca houve mesmo], volte; pois, agora existe um desejo dela de estar comigo! O meu medo se atribui a minha consciência moral diante da pratica do adultério perante Cristo. Ao mesmo tempo quero muito viver esse amor que está por existir, mas temo que esteja fora de conforme os padrões de Deus. Primeiro por ela estar se separando e eu não ter uma posição estabelecida sobre o divorcio. Como ela não é uma cristã, encontra-se fora desses princípios e preocupações morais que tenho. Segundo por ter certeza de que ela é uma mulher que vem de um casamento no qual teve uma vida sexual ativa com o marido. E como seria difícil para mim o ter que resistir às lembranças do que eu fazia com ela quando a pegava escondido. Pensar que ela agora é minha mulher e fazia as mesmas coisas com ele é algo que não sei se saberei resistir; digo: com os impulsos sexuais de trair para fazer mais que ela. Além disso, também me pergunto, em razão de minha consciência moral para com Cristo: poderia essa mulher separar-se do seu marido e ter uma relação aceitável comigo, dentro dos padrões de Deus?

 

Então, eu leio, e me pergunto:

 

Será que ele já ouviu falar em algo como coar o mosquito e engolir o camelo?

 

Por que será que a “culpa moral dele para com Cristo” só foi suficiente para conflitá-lo a com “temperança” que come o proibido, mas só de vez em quando; com a “placidez” de quem diz “é errado, mas vamos com calma”; e com o “gozo” que foi “uma delícia” até a menina se apaixonar e ele se culpar [?] afligir tanto por isso que fez tudo virar fel?

 

Por que será também que ele mesmo tendo certeza sobre o “adultério”, adultera; e não tendo certeza sobre o divórcio, não a tem apenas para casar-se com a divorciada com a qual ele adulterava?

 

E por que será que ele que é tão preocupado com a sua moral perante Cristo, só a tem como doutrina e lei, mas como nada inscrito no coração; pois a própria “fé” hoje por ele confessada é uma opção de ficar no meio do miolo do limbo do coisa nenhuma —; mas, mesmo assim, é tão coisa nenhuma, que não o impede de achar uma delícia pegar a mulher do próximo só até o momento em que ela diga que o ama e que quer ser só dele?

 

Será que ele não vê que gostava mesmo era de comer a mulher do próximo pensando que era do próximo; e que a desculpa moral era apenas para ela ficar lá, casada e dando para ele, sem que ele tivesse que se preocupar com nada, a não ser com a manutenção de uma crise moral aqui e outra ali?

 

Também será por que ele usa essa desculpa da dúvida sobre o divorcio para não assumir a menina, e nunca usou a certeza do adultério para não comer a garota casada?

 

Terá ele sinceramente a idéia de que é o pacote de doutrinas a corretas aquilo do e para o quê vive o homem?

 

Será que ele acredita de coração que estar com uma mulher casada, dois anos, informalmente, sem queixa sobre o fato de a menina ser casada [antes, achando uma delícia] — dá a ele agora o nobre direito de se queixar do passado dela, como se a única coisa ruim de tal passado não tivesse sido o que ele fazia com ela escondido do corno do marido?

 

E por último: quando me pergunta: poderia essa mulher separar-se do seu marido e ter uma relação aceitável comigo, dentro dos padrões de Deus? — pensa porventura ele que Deus é como um Maridão à antiga, e que diz aos filhos e netos: — Meus filhos! Honrem sempre as esposas de vocês; as mães de seus filhos. Comam quem vocês quiserem, de preferência mulher já comprometida [que geralmente mesmo quando se apaixona não pensa em deixar a família; essas são as “seguras”]; mas na hora de escolher para casar, lembrem: tem que ser uma virgem de família; não pode ter sido casada antes; se tiver sido casada com homem esperto, aí é que ele é boa só pra pegar, mas nunca para levar para casa; pois, meus filhos, o que vale mesmo é o que é oficial diante de Deus. O mais a gente leva... Com umas culpinhas..., mas salva o casamento. Mas o que é no papel, na igreja e na sociedade, isso sim é que tem valor! — seria como algo assim que ele me perguntava?

 

 Assim, meu mano, o que você me perguntou não tem nenhuma importância ante quem você disse que é; não moralmente [isso é coisa do diabo pra fazer a pessoa ficar assim como você está: cheio de lei e sem consciência], mas espiritualmente; pois, sua questão apenas me diz como sua alma está perdida; como o evangelho em você é ainda religião sem consciência; como você gosta de se auto-enganar fugindo da verdade com mascaras e sombreiros morais; como você quer ser tão moral que, mesmo não amando a menina, diz que quer muito viver o amor que ainda não existe; como você a acha boa pra correr uma milha, mas não pra tirar uma cria; como o “casamento de cristal” dela de repente virou um casamento caliente em sua cabeça neurótica pelo vício que o sexo feito em traição produz na mente; e como você tenta crer que Deus tem alguma coisa a ver com leis morais; pois, se assim fosse, o que prevaleceria para você seria a Lei do Deus Maridão à Antiga.

 

Assim, olhe para você mesmo, com toda a verdade; pois, se você me escreveu e se Deus teve qualquer coisa a ver com isso, então saiba: você me escreveu para ter a chance de se converter à verdade no íntimo; e converter-se a Jesus com consciência, e não no engano da Religião de Cartório.

 

 

Receba meu beijo e meu amor sincero pela sua alma e pela sua saúde humana.

 

 

Pense; e, depois, leia  muito o site. Então, só depois, bem depois de ler muito, me escreva outra vez; ou, então, caso o Espírito Santo faça você ver no dia de Hoje que a verdade não é o que você me escreveu; e que sua real necessidade é conhecer o Evangelho como consciência em fé, e não como uma doutrina pela qual se “opta”.

 

 

Nele, em Quem nada se pode contra a Verdade, mas tão somente em favor da Verdade,

 

 

Caio

 

26/08/07

Manaus

AM