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Cartas

 OBRIGADO PELO PARÁGRAFO! – Oswaldo.

OBRIGADO PELO PARÁGRAFO! – Oswaldo.

 

 

 

----- Original Message -----

From: OBRIGADO PELO PARÁGRAFO! – Oswaldo.

To: Caio Fabio

Sent: Tuesday, January 06, 2009 11:17 AM

Subject: Obrigado pelo parágrafo, Irmão Caio!

 

LINK REFERENTE AO TEXTO: .PÁRA GRAFO! GRAFO, PÁRA! PARÁGRAFO!

 

 

Amado amigo Caio,

 

Você me fez lembrar de um antigo rabino, piedoso, reformador, chamado Israel ben Eliezer (1698-1760), conhecido na Polônia como Baal Shem Tov (mestre do Nome ou da Palavra), que passou para a história como Besht.

 

Era um mestre na arte do “parágrafo”, quando morreu deixou mais de 40 mil discípulos hassidim (piedosos) e transformou o culto judaico naquela região da Europa.

 

Quando velho, foi apresentado ao seu sucessor, Dov Ber (1716-72), um cabalista erudito e extremamente apegado à exegese.

 

Os dois homens estavam estudando a Torá juntos quando começaram a falar sobre anjos. Dov abordou a passagem de maneira exegética, erudita e abstrata como hábil teólogo. Besht pediu licença para ficar em pé como sinal de respeito ao anjos sobre os quais falavam.

 

Assim que se levantou, “a casa inteira onde estavam ficou banhada de luz, algo como um fogo ardia por toda parte, e eles sentiram (ambos) a presença dos anjos ao redor.”

 

Então Besht disse a Dov:

 

“A simples leitura da Torá é como dizes, mas faltava alma à tua maneira de estudar.”

 

Uma exegese sem a atitude devocional e a oração de íntima comunhão com Deus, não pode produzir uma visão do invisível.

 

Besht dizia que, caso se aproximassem da história do monte Sinai dessa maneira, iriam “sempre ouvir Deus lhes falar, como fez durante a revelação no Sinai, porque foi intenção de Moisés que todo Israel se tornasse digno de alcançar o mesmo nível espiritual dele.”

 

O mais importante não era ler sobre o Sinai, mas experimentar o próprio Sinai.

 

Desde então a erudição do novo líder do movimento hassídico não era mais seca e acadêmica. Mais tarde, um de seus discípulos declarou:

 

“Quando ele abria a boca para dizer palavras de Verdade, dava a impressão de não ser absolutamente deste mundo, e a Presença Divina falava de sua garganta”! Às vezes, no meio de uma palavra, ele fazia uma pausa (provavelmente o seu “parágrafo”, Caio), e aguardava algum tempo em profundo silêncio (Dubnow, “The Maggid”, p.65).

 

Os hassidim estavam desenvolvendo sua própria “lectio divina” (um lugar silencioso para as Escrituras em seus corações).  

 

 

Oswaldo Paião

Sociedade Bíblica Ibero-Americana / SBIA

www.bibliakingjames.com.br

Abba Press do Brasil

www.abbapress.com.br

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Resposta:

 

 

Amado mano Oswaldo: Graça e Paz!

 

 

O interessante é que Baal Shem Tov tem como seu único milagre uma repreensão recebida por Deus.

 

Dizem que uma vez, estando em Constantinopla, foi hospedado por um casal que não podia ter filhos. Ao despedir-se, extremamente grato, Baal Shem Tov disse que o Divino Nome lhes daria um filho; pelo que foi imediatamente advertido por uma voz, a qual lhe dizia que como ele invocara os poderes do mundo vindouro como um “brinde dele” ao casal, o casal teria o filho, mas ele, Baal Shem Tov, ficaria sem galardão. 

 

Então o que se diz é que o rabino disse em grande alegria:

 

Louvado seja o Teu nome Senhor, pois, assim, servir-Te-ei sem ao menos ter a motivação da recompensa!”

 

Então ele ouviu: “Por causa disto estás perdoado!

 

Ou seja: foi justificado pela fé na Graça de Deus!

 

Lembro do tempo em que os possessos abundavam à porta de nossa casa em Manaus.

 

Ora, entre nós havia um amigo pastor que viajara para uma conferencia de “avivamento” [1973] e voltara com umas praticas um tanto estranhas quanto à expulsão de demônios.

 

Agora ele batia nos possessos com a Bíblia, enorme, de capa dura; e, além disso, queria entrevistar os demônios, e se não falassem com ele conforme a enquête que fazia, ele os xingava e amaldiçoava em nome de Jesus.

 

Vimos aquilo umas duas vezes. Na terceira vez a acontecer papai se levantou e citou a epistola de Judas, no Novo Testamento:

 

Mas o próprio Arcanjo Miguel não teve como usurpação o amaldiçoar a Satanás, antes lhe disse: O Senhor te repreenda Satanás!”

 

E completou:

 

Anjo a gente não adora; e nem xinga demônios. Aos anjos do Senhor tratamos com alegre reverencia. Aos anjos caídos, aos demônios e todos os espíritos malignos, nós tratamos como Jesus tratou: mandamos sair; não perguntamos de onde vêm e nem dizemos para onde vão. E não temos que fazer nada senão apenas falar com a autoridade de Jesus”.

 

Ora, é essa reverencia que se tem que ter até diante das trevas, que, elevada a potencias bem superiores, tem-se que ter diante da Palavra que rompe o silencio, e, também, diante do Silencio ouvido como Palavra.  

 

É verdade que tais coisas não são mostradas com posturas físicas apenas, mas, certamente, também através delas.

 

Ficar em pé em silencio não é nada se o coração antes não estiver com aquela postura. Mas, se está, pergunto: Por que não manifestar também com o corpo, quando a hora seja própria?

 

 

Jesus, que foi com Quem aprendemos sem dúvida que Deus olha o coração, no entanto, usou frequentemente de manifestações visíveis que representassem aquilo que Ele estava fazendo no coração; ou que expressassem aquilo que Ele desejava que a pessoa tivesse dentro de si, a fim de receber o que buscava; como por exemplo, quando mandou o homem da mão ressequida ir “para o meio” e “erguer a mão”, a fim de ficar curado.

 

O fato é que é discurso demais e muito pouca reverencia!

 

Minha oração é que cada vez mais eu precise de menos palavras para dizer a Palavra.

 

 

Oswaldo: receba todo meu carinho; e ofereça meu abraço a todos os seus amigos e amados!

 

 

Nele, que foi tudo e fez tanto, que lhe foi possível dizer tão pouco,

 

 

Caio

7 de janeiro de 09

Lago Norte

Brasília

DF