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Cartas

 ESTOU AMANDO O AMIGO DE MEU MARIDO!

ESTOU AMANDO O AMIGO DE MEU MARIDO!



----- Original Message ----- From: ESTOU AMANDO O AMIGO DE MEU MARIDO! To: contato@caiofabio.com Sent: Wednesday, August 31, 2005 12:37 PM Subject: PRECISANDO DE AJUDA!!! Oi, tudo bem? Sei que pode demorar para você ler esta carta, mas vou esperar ansiosa por uma resposta. Estou vivendo um momento muito confuso em minha vida. Sou uma jovem, casada, vivo feliz no meu casamento, e amo meu marido. Há mais ou menos um ano, aconteceu algo que nunca imaginei que pudesse acontecer. Descobri que não sou amada somente por meu marido. No começo achei que era um engano ou no máximo uma atração. Não deveria... Mas pode acontecer de um amigo muito próximo se sentir atraído pela mulher do outro. Sei lá... Não sei o que pensei... O que sei é que isso mexeu comigo. E hoje sei que não é pouco. Só que tenho certeza que amo meu marido. Mas deixei que essa história fosse longe demais, se é que me entende... No começo tive forças para dizer “não”, e disse por muito tempo. Só que depois eu quis, e muito. Não fiz nada por pena dele ou coisa assim. Fiz porque tive vontade. Desejo... e não me arrependo de nada. Mas hoje vivo procurando uma resposta para tudo isso e não encontro. Não sei o que fazer. Sei que não sou indiferente a ele. Só que não posso viver sem meu marido. Então, eu pergunto: é possível amar duas pessoas? Ou o que está acontecendo comigo? Ninguém sabe de nada. Somente eu e ele. Já pensei em ficar sozinha, para tentar encontrar o meu caminho, evitando assim o sofrimento de pessoas que eu amo... Existem muitas coisas envolvidas nesta história, mas tentei ser o mais breve possível, esperando que me aconselhe de alguma forma. Sempre converso com Deus e peço perdão pelos meus atos, por minhas fraquezas. Mas não pedi para que isso acontecesse comigo. Eu estava tão quietinha no meu canto, com planos para meu futuro com meu marido. Não entendo porque isso veio a acontecer logo comigo... Tenho muito medo. Sei que não sou uma mulher imoral. Aliás, estou indo contra meus princípios. Sempre defendi a fidelidade no casamento... E hoje eu estou sendo infiel. Nunca apontei isso a ninguém. Mas, no meu intimo, nunca achei correto. No começo me culpava muito, tinha vergonha de mim mesma. Hoje estou mais tranqüila. Só que sei que não posso continuar uma vida assim. Eu e meu marido estamos planejando ter um filho.... Imagina a bagunça que está a minha cabeça. Me ajude! Desde já agradeço ____________________________________________________________ Resposta: Minha querida amiga: Graça e Paz! Insegurança é a coisa mais forte que existe em nós, sempre contra nós. A pessoa é insegura porque olha o mundo e tem medo. Toda sorte de medo. Medos discerníveis e indiscerníveis. E, paradoxalmente, a pessoa se torna insegura sob o argumento inconsciente de que deseja se proteger. Assim, a busca por segurança é insegurança. Pois somente na fé que não cuida de nada além de hoje, e confia que o mais Deus fará, é que se pode viver seguro e sem medo. Porém, assim fazer, implica em não buscar segurança, visto que a busca dela como tal, é, em si, insegurança. Na alma de qualquer ser humano, quando a insegurança se faz associar do desejo de obter a certeza de ser amado e desejado, o caminho pode ser esse que aconteceu sob seus pés. Digo isto porque o seu “desejo” — o que deflagrou sua cobiça — começou com a constatação de que poderia ser amada e desejada por mais de um homem. Para uma alma insegura, isto é como ter um cheque em branco, ou uma mansão de reserva para dias inesperados. Observei que boa parte de seu processo teve a ver com amar o desejo do amigo de seu marido por você. E mesmo quando você disse que “fez por que quis”, e não por “pena dele”, ao mencionar a “pena”, você manifestou o que seria uma “recompensa plausível” para um cara que amasse você sem que você o desejasse. Ou seja: há em você esse desejo de ser amada, e amada com folga, por mais de um. Ora, esta “folga” é do tamanho de sua insegurança. No entanto, mesmo desejando a segurança de uma “folga de amor”, você teme perder o que tem, e que você diz não saber viver sem ter: o seu marido. Aqui também sua insegurança se manifesta. Sim, porque, de um modo ou de outro, pela Graça de Deus, todos nós temos meios de sobreviver a tudo. Creio que você ama seu marido, mas que tenha sido vitimada pela insegurança. E como era “seguro” ter algo com o amigo apaixonado — se ele é casado, e tem algo a zelar, fica “mais seguro” ainda —, então, sua insegurança, não resistiu a provar esse “amor tão dadivoso”. Mais: como você não é “imoral”, mas ao contrário, está “indo contra seus próprios princípios”, então você tem que amar o cara a fim de não se ver como leviana ou imoral. Afinal, uma coisa é “dar por dar”; outra, é faze-lo por amor. Esta é mais uma de nossas “justiças próprias”. Por esta razão, você julga que o ama. Mas fique sabendo: você tem apenas amado o amor dele por você, e desejado ardentemente o desejo dele por você. A insegurança faz isto: gera tesão no tesão do outro. Só que quem fica escravizada é a pessoa insegura; esta mesma, que assim age, e que assim se entrega. É a “Síndrome do Pequeno Príncipe”, que fica “eternamente responsável por aquilo que cativa”. Boa desculpa para abençoar e ungir a insegurança que se faz passar por amor. Todavia, tal “amor” é adoecido; posto que é amor pelo amor do outro por nós; e não é amor da gente pelo outro. Um caso como esse pode não ter cura enquanto a coisa ficar apenas no “somente eu e ele sabemos... ninguém sabe”. Digo isto, porque enquanto é assim, ambos têm a liberdade de insinuar ou propor, conforme a alternâncias das fraquezas. E como tudo está na sombra, então, nesse ambiente, nenhuma paixão viciosa morre; pois ela se alimenta da sombra, do proibido, do seguramente-inseguro, do “ninguém sabe... só eu e ele”. Desse modo, sem envolver o seu marido ou a esposa dele, deve haver uma “intervenção” de alguém de confiança. De alguém que jamais abra isto, mas que fique perto o suficiente para ajudar vocês dois a se enxergarem. Todavia, eu sei que tal pessoa é muito difícil de encontrar nas cercanias. Se, no entanto, ela existir a sua volta, recorra a ela. Sim, conte; peça ajuda; e envolva o rapaz na história. Pois só assim existirá uma chance de haver cura. Do contrário, havendo ou não “uma boa razão” aos olhos dos cônjuges de vocês, digo que vocês têm que deixar de se ver; e, que a amizade de vocês tem que perder essa intimidade. De fato, vocês deveriam se afastar de vez. Isto se você não quer magoar o seu marido e as pessoas que estão envolvidas na história sem que o saibam. Quando uma coisa dessas acontece num nível de relacionamento familiar e fraterno, e com a profundidade de intimidade que existe entre você e a mulher dele, seu marido e ele, e sabe Deus quem mais... —, não há propostas de cura que sejam simples. Digo isto porque a alma não é “pós-moderna”, nem tampouco os instintos são “politicamente corretos”. Desse modo, quando algo assim acontece, amizades acabam, intimidades se dissolvem, e espontaneidades desvanecem para sempre, na maioria das vezes. É em razão disso que não lhe sugiro que apenas não tenha mais nada com ele. Não é simples assim. Para haver cura, ou tem que haver um “acompanhante” próximo, maduro e fiel; ou, então, tem que haver a dissolvência do convívio. Do contrário, esse caso vai durar pra sempre; ou até vocês dois serem apanhados; ou que, de tão culpados, se entreguem. Sendo que para mim é certo que se isso acontecesse, vocês dificilmente ficariam juntos. Ao contrário, haveriam de se arrepender para sempre do desatino que cometeram. Todavia, sem arrependimento não há arrependimento. Ou seja: enquanto você não se arrepender de ter feito e de fazer..., não há como sua mente possa mudar. E, assim, não há nem porque sofrer, pois, o melhor, seria você se entregar ao “acaso”... e ver no que vai dar. Mas você sabe o fim desse caminho. Você disse que não acha isto “correto”. Bela palavra. Certa. No entanto, a coisa é mais profunda do que “correção”. Tem a ver com a saúde de sua alma e de seus dias. Sim, tem a ver com escolher o que é bom e faz bem; ou escolher aquilo que é excitante e gostoso, mas faz muito mal. A única cura que eu conheço para a insegurança essencial que nos acomete a todos, vem da confiança da nossa vida no amor de Deus. Somente a pessoa que crê de verdade que Deus cuida dela, é que sabe como viver em segurança. De resto, não há na Terra nada e nem ninguém que preencham a insegurança do coração humano. Assim, convido você a confiar! Minha sugestão é que você entre de cabeça na leitura do material deste site. Digo isto porque percebi que você ainda não entendeu ou não leu certas coisas que existem aqui no site; coisas essas, que uma vez compreendidas, nos ajudam no caminho de as transformarmos em consciência, e em benefício próprio. Receba meu carinho e minhas orações! Nele, em Quem ninguém pode servir a dois senhores, pois se amar a um, aborrecer-se-á do outro, Caio Ps: Não tenha um filho na tentativa de resolver nada. Filho não é solução conjugal. Filho é fruto da alegria conjugal.