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Reflexões

UM LUGAR PARA SE VER O “JESUS HISTÓRICO”

UM LUGAR PARA SE VER O “JESUS HISTÓRICO”

 

 

 

 

 

UM LUGAR PARA SE VER O “JESUS HISTÓRICO”

 

 

 

 

UMA PESSOA QUE nasça de uma virgem, que cresça na obscuridade, que apareça do nada e comece a ensinar, curar, realizar milagres, ressuscitar os mortos e perdoar pecadores; que morra violentamente por amor à humanidade; e que saia da morte ressuscitada e apareça aos seus seguidores durante muitos dias; que coma e beba com eles depois disso; e, ao final, suba aos céus ante os olhos de algumas dezenas de pessoas, dizendo que voltará do mesmo modo como foi visto subir; e que deixe para trás de si um grupo de pessoas capazes de morrer por essa certeza, pois que se tornaram incapazes de não declarar o que viram, ouviram, pegaram, sentiram, e creram — Sim! Tal pessoa só poderia ser objeto de todo tipo de questionamento histórico.  

 

Ora, assim seria porque Alguém com tal “histórico” não caberia na zona de conforto de ninguém neste mundo, a menos que a pessoa cresse e se entregasse a Ele. Isto porque a entrega em amor a Alguém que tenha vivido conforme acima descrito, implica num dar-se tão radical e visceral, que ninguém que não veja tal pessoa com amor e fé, jamais poderá entender, aceitar, ou mesmo viver tranqüilo sob a possibilidade de que um “mito” tão devastador possa ser realidade histórica.

 

Assim, Jesus ou é crido, ou então é insuportável para o coração honesto, que ainda não tenha sido mexido pela revelação.

 

É normal não se crer em Jesus. E por que deveria ser normal crer-se em Alguém que não se assemelha a ninguém entre nós?

 

O normal é não se crer em ninguém como Jesus.

 

Sim! Como poderia eu, por mim mesmo, aceitar que certo homem era o próprio Deus?

 

Como poderia eu crer que tal pessoa é o criador de tudo o que existe?

 

Como poderia eu crer em alguém que só deixou para trás de si amor, paixão, vontade de vida e altruísmo incondicional, se tal pessoa não deixou nenhuma evidencia que seja cientificamente utilizável, a fim de que nele se creia com tranqüilidade?

 

Como pode alguém crer em alguém como Jesus?

 

Ora, em minha opinião só crê em Jesus como crença fácil quem nasceu no “ambiente de tal crença”; ou quem é familiarizado com cultos loucos e radicais. Do contrário, uma mente sóbria não poderia ler os evangelhos e concluir que esteve lendo os atos de Deus encarnado entre os homens.

 

Esta é minha convicção: Eu jamais creria em Jesus se Jesus não tivesse se revelado a mim, pois, em mim, tudo o que existe é contra a entrega de minha existência a qualquer projeto que seja como o de Jesus.

 

Assim, pela via da filosofia e do pensamento Jesus é loucura, e pela via da crença Jesus é escândalo!

 

Jesus seria perfeito sem Seus exclusivismos e sem Sua megalomania divina. Mas assim, tão “Eu sou o...” em relação a tudo que seja essencial, fica demais.

 

Sim! Bem melhor seria um Jesus menor; mais mestre que divino; mais sábio que revolucionário; mais de palavras que de atos e gestos; mais de ensino baseado em escola acadêmica do que num entendimento que não é deste mundo; mais previsível que livre...

 

Enfim, nos seria bem melhor um Jesus mais homem, mais profeta e mais fundador de religião, do que esse desvairado que além de tudo ainda diz: “Antes que Abraão existisse, eu sou”; ou ainda: “Sem mim nada podeis fazer”.  

 

Portanto, desse modo, o que se aprende é que para Jesus a única evidencia história de Sua existência, é a minha Nele. Pois, fora de mim Nele, que mais há para ser mostrado como evidencia de que Ele era quem de fato disse ser?

 

Sim! A minha existência cheia de fé, tomada de amor, disposta a entrega mais visceral, apaixonada pela loucura da pregação da loucura de Deus (Jesus) — é o grande testemunho de Jesus na História.

 

Buscar a comprovação histórica de Jesus por meios científicos, é loucura.

 

Jesus só não é loucura quando tenho a coragem de dizer que cri na loucura de Deus. De outro modo, é imbecilidade pretender que Jesus, sendo quem disse que é, seja passível de demonstrações históricas fixas; pois, pela natureza de Sua vida entre os homens, sua única demonstração de historicidade manifesta-se na não-fixidez histórica do testemunho existencial de quem apenas diz que não viu e creu.

 

Assim, que ninguém blasfeme contra Deus buscando ajudar Deus a se fazer histórico conforme os caprichos humanos ou conforme a História como ciência.

 

Quem tiver que crer em Jesus terá sempre que se confessar discípulo da loucura. Pois, se assim não for, o que se terá será sempre apenas o Jesus para exumação histórica, mas não o Jesus da loucura do amor, que só pode ser examinado pela prova histórica dos frutos de Sua presença nas vidas dos Seus discípulos ou pelo testemunho deles.

 

“A razão da esperança que há em mim” não é um discurso filosófico ou teológico, nem tão pouco é algum tipo de prova histórico-humana de Sua ressurreição.

 

“A razão da esperança que há em mim” é “Cristo em mim, a esperança da glória”.

 

A única apologia de Jesus que pode ser feita é aquela que brota dos lábios dos que dizem: “Não são porventura galileus esses que aí estão falando? Como, pois, os ouvimos falar as grandezas de Deus em nossa língua materna?”

 

O que passar disso é a loucura dos que ainda não viram que a sanidade de Deus é loucura para os homens.

 

Desenlouquecer Jesus para que Ele se torne mais historicamente palatável aos homens que exigem tais coisas, é trazer o Evangelho para o plano da normalidade, o que de fato acaba com ele, posto que Jesus só é Deus se não se tentar anular a categoria da loucura. 

 

Portanto, o que foi dito um dia, terá seu valor imutável todos os dias:

 

“Bem-aventurados os que não viram e creram”.

 

Jesus viveu na história, e, portanto, é Histórico. Mas o chamado “Jesus Histórico” dos teólogos, nada mais é do que o Jesus da Paleontologia e da Arqueologia. Ou seja: um Jesus que não existe, pois, se desse modo se fizesse “História”, deixaria de ser quem Ele é, o qual é tão mais histórico quanto menos couber nas definições de “História”. Afinal, se a História servisse para explicar Jesus, Jesus não serviria à História.

 

Ora, nesse sentido Jesus é uma total decepção — pois, a manjedoura se perdeu, o presépio sumiu, o pão do milagre não foi guardado, o vinho de Cana foi todo tomado, o barco da tempestade acalmada apodreceu no lago de Genezaré, o cálice da última ceia ficou sujo no lugar onde primeiro esteve, a Cruz se decompôs no lugar onde caiu, os panos que envolveram o corpo foram largados dentro da tumba, e Sua subida aos céus não deixou qualquer evidencia além do olhar de quem viu, creu e guardou na memória.  

 

Esta é a resposta do Jesus Ressuscitado aos que buscam fazer Dele apenas o “Jesus da História”.

 

 

Nele, em Quem historiador só sabe a História de joelhos,

 

 

Caio

 

24/05/07

Manaus

Amazonas