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Histórias

TEMPO DE QUALIDADE E QUALIDADE COMO TEMPO!

TEMPO DE QUALIDADE E QUALIDADE COMO TEMPO!

 

 

 

 

 

TEMPO DE QUALIDADE E QUALIDADE COMO TEMPO!

 

 

 

 

Entre 21 e 29 anos eu me tornei pai de quatro filhos, e, nesse meio tempo, sepultamos um filhinho, que morreu horas depois de nascido.

 

Como tenho dito à exaustão, meu sonho mais candente como homem era ser pai.

 

Paixão adquirida do amor de meu pai por mim e do prazer de a ela amar com tanto gosto e segurança.

 

Dediquei-me os filhos de todo o meu coração. E fui presente, além de totalmente próximo em tudo, até hoje.

 

Estimulava tudo o que de bom neles via, e tudo o que de ruim percebia, logo buscava espanar pela sabedoria, admoestação e ensino.

 

Nunca fui chato. Nunca soltei os cachorros em cima deles. Nunca, zangado com outras coisas, me exacerbei no trato com eles.

 

Alegrava-me o fato de todos fossem tão inteligentes e alegres. Sentia prazer ao ver que todos se amavam e se cuidavam. Olhava para eles e andava sem pedrinha no sapato.

 

Ciro e Davi me ajudavam desde cedo.

 

Ciro ajuda digitando, me ensinando a usar o computador [ele com oito anos], e, logo depois, aos 12, me ajudava em pesquisas e até no grego.

 

Aos 13 anos foi passar uma temporada com uma amiga e sua mãe [a amiguinha com câncer terminal] nos Estados Unidos, em razão de que ele era homem adulto o suficiente para cuidar delas, alugar casa, moveis, comprar carro, internar a menina, ficar com ela, fazer todas as traduções entre ela, a mãe, o médico, as enfermeiras, e, com todos.

 

Levava-as aos cultos e fez amizade com um pastor que pôde ajudá-las. Atravessou os Estados Unidos todo, sozinho, a fim de pegar o pai da menina, que, não falando nada de inglês, não se atrevia a fazer a viagem pela América sem a ajuda do menino.

 

Tornou-se o tradutor de todos os de fala espana no Hospital. Ouviu a confissão da amiguinha que morria. Providenciou o funeral, e, depois, a remoção do corpo para o Brasil. Chegou aqui com o corpo, quatro meses depois, bem mais homem e responsável ainda.

 

Sempre fez tudo com excelência, e, sempre foi homem, franco e objetivo, culto e discreto, prático no amor.

 

Davi desde menino dizia: “Este é meu pai, é meu amigo, meu melhor amigo!”.

 

E foi assim se comportou a vida toda. Cuidava dos irmãos mais novos como um homem adulto faz, desde os sete anos de idade. Aos 15 já trabalhava comigo, e nunca mais parou de trabalhar.

 

Na Vinde, no passado, ele fez de tudo, da portaria à Superintendência da Vinde TV e da Revista Vinde.

 

É o 2º na idade, mas na disposição do cuidado diário e freqüente com todos, é um primogênito gêmeo do irmão mais velho, Ciro.

 

Os dois mais novos, Lukas e Juliana, divertiram-se muito e amadureceram bem mais lentamente do que os dois mais velhos.

 

Os mais novos sempre foram muito bons meninos, mas cresceram sem os apertos que os dois mais velhos provaram. Assim, amadureceram na medida em que a vida os foi apertando.

 

Hoje, com todos adultos, minha experiência com os netos, em companhia de minha mulher, Adriana, vovozinha querida, tem sido diferente da que tive com os filhos.

 

Sem mais as correrias de viagens [as quais repudio desde de sempre, mas hoje digo “não” e pronto], o que fica é aquele amor com tempo, com ócio observativo, com cuidados sutis e alegrias propostas de nós para eles, tudo com muito encantamento e calma nas percepções.

 

Nada substitui o tempo e a calma!

 

Assim, agora, tenho a chance de melhorar o que sempre foi muito bom, Graças a Deus, mas que hoje pode ser praticado um dia depois do outro, sem interrupções.

 

Tempo de qualidade pode acontecer com pouco tempo. Mas ninguém estabelece qualidade de tempo, sem tempo como qualidade.

 

Assim, o tal tempo de qualidade pode assim ser de vez em quando, mas, para que seja efetivo, o tempo de qualidade necessita da qualidade também como tempo.

 

 

 

Caio

 

17 de outubro de 2008

Lago Norte

Brasília

DF