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Reflexões

SOBRE O DEUS QUE MATA

SOBRE O DEUS QUE MATA

 

 

 

 

 

 

 

 

AINDA SOBRE O DEUS QUE MATA...

 

 

Antes de tudo leia o seguinte link: COMO FICA JESUS E O DEUS QUE MATA?

 

 

 

Outro dia um amigo me mostrou [ao longe] um funcionário da empresa dele, e que é crente, mas que há algum tempo perdeu a mãe, e, revoltado com isso, disse ao meu amigo: “Estou com raiva de Deus! Ele levou a minha mãe!”.

 

Meu amigo perguntou: “Escuta! Foi Deus mesmo quem levou a sua mãe? Não foi o diabo não?”.

 

“O quê? O diabo?! Deus me livre! Foi Deus quem a levou!”

 

“Então se não foi o diabo, mas foi Deus, e você está com tanta raiva, peça a Deus pra transferir sua mãe para o diabo; assim você fica mais calmo!”

 

“Quem? Eu? Que é isso doutor!”

 

“Ué? Você não quer sua mãe com Deus! Só pode querer com o diabo! Mas se ela está com Deus, com Deus-Deus-mesmo — então que revolta é esta?”

 

Ora, esta história revela como a alma crente é na maioria das vezes; ou, pelo menos, como ela ficou depois da overdose de teologia da prosperidade.

 

 

De fato, escandalize-se, mas saiba:

 

 

Deus cria; Deus mata.

 

Todas as figueiras florescem pelo Seu hálito, mas também perecem pela Sua Palavra.

 

“Nunca mais nasça fruto de ti” — disse Jesus a uma delas, e que secou na mesma na hora.

 

Os dez mandamentos não foram escritos para Deus, mas por Deus para os homens.

 

Deus mata a quem desejar; e não pratica homicídio; e nem tampouco existe mal em nada do que Deus faça; até quando cria o mau e faz as trevas, conforme Isaías, Ele faz o que é bom para além do que a moral do homem conhece como bom e bem.

 

É Deus então livre para tudo?

 

Sim! É claro!

 

Ele, porém, não mata quando as pessoas morrem; Nele a morte existe apenas para dar lugar à vida.

 

Essa história romântica do Deus Moral feito à imagem e semelhança do mandamento de Deus ao homem, é o que encurrala o próprio devoto ante ao paradoxo que ao homem é proibido matar, mas a Deus não é vetado o tirar a vida.

 

O homem mata, Deus tira a vida!

 

Eu mato porque eu não crio a vida. A vida me é um dom; tanto dado a mim quanto a todos os homens e criaturas.

 

Deus, porém, é Deus; e é Ele quem faz viver e faz morrer; e sábio é aquele que não o julga por isso.

 

É claro que este mundo caído está cheio das conseqüências danosas da presença humana na Terra.

 

No entanto, quando milhares de búfalos têm que atravessar o Rio Senenguethi, na África, e de 10 mil animais cerca de cem morrem comidos pelos crocodilos, o que se dirá: Que Deus é mal? Que crias pequenas ficaram para trás e que foram separados para sempre de suas mães por terem sido comidas por crocodilos? Ou o quê? Que os crocodilos deveriam ser vegetarianos?

 

Parece que ninguém mais vê as vacas, as galinhas, os búfalos, os javalis, os peixes, e todas as outras criaturas que mortas nos alimentam todos os dias!

 

Mas a hipocrisia de falsas sensibilidades, diz: “Êka!” — sempre que vê uma vaca ser abatida, embora o “ser-êka” se deleite na picanha.

 

Deus é amor; e por amor dá vida e por amor tira a vida; e por amor cura e por amor adoece e faz a criatura ir; e por amor dá búfalos de comer aos crocodilos; e dá grama aos búfalos, que defecam o que comem; e que, assim, alimentam os besouros “rola-bosta”; os quais levam o estrume para o subsolo; e, desse modo, alimentam as minhocas e adubam a terra, que crescerá em pequenas plantas, e muito pasto; de tal modo que com as chuvas o elefante para lá se mudará, e com ele muitos outros animais; os quais serão espreitados pelas hienas e leões, até que bandos desses animais predadores comam o suficiente para viver; e, assim, o ciclo possa continuar...

 

Deus é o Deus das criaturas e é o Deus da criação.

 

A criatura serve à criação e não a criação à criatura; e assim são todos os dias; exceto quando alguém que come picanha o dia todo fica revoltado com Deus pela vaca morta.

 

Deus é tão livre quanto é amor!

 

Assim, quem confia no amor de Deus, e não tenta fazer de Deus um seu igual, jamais faz perguntas desse tipo; pois, conhecer a Deus como Deus é, implica em que não tenho mandamentos para Ele; isto porque se os tivesse de nada me adiantariam; e, não os tenho, pois, sei que o que adianta nisso é apenas aquilo no que confio: que Deus é bom e que a Sua misericórdia dura para sempre.

 

 

Nele, que é, mesmo que isso assuste você,

 

 

 

Caio

 

28/08/07

Manaus

AM