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Histórias

SEU PAI – a carta de um amigo!

SEU PAI – a carta de um amigo!

 

 

 

 

 

----- Original Message -----

From: SEU PAI – a carta de um amigo!

To: contato@caiofabio.com

Sent: Wednesday, September 19, 2007 13:26

Subject: Seu Pai

 


Querido amigo.

Estive um mês de ferias numa praia ao sul de Maceió, e não acompanhei bem meu correio eletrônico. Revendo-o hoje me deparei com a morte de seu pai.

Quero mandar meu abraço amigo e fraterno.

 

Seu pai foi uma benção também para mim.

 

Com os anos o céu fica mais interessante. E nos tornamos referenciais para a nova geração.

Você está bem? Fincou raízes em Brasília? Quer dar uma esticada por aqui? Nossa tropa está fora de casa, assim que temos lugar para vocês, na casa e no coração.

 
Abração,

 

Manfredo

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Resposta:

 

 

Amado mano Manfredo: Graça e Paz!

 

 

Ele sempre perguntava: “E o nosso amado Manfredo? Você tem notícias dele?” Sempre. Todas as vezes. Sabe essa liga que simplesmente ficou por que é? Acho que foi assim que ele se conectou a você.

 

Também não tive como não mencionar você e o Darcy no culto de ações de graças [o funeral] pela vida dele, diante de seu corpo e uma multidão de discípulos e seres gratos.

 

Lembrei de como o sonho inicial dele teve a ver com barcos, e como você foi tão generoso atendendo ao meu pedido de que a Visão Mundial fizesse com ele [igreja local] a parceria que já deu e continua a dar muitos frutos.

 

Você nos conhece e sabe que somos o que somos. Por isso lhe digo que nunca encontrei um ser humano com mais amor em profusão do que aquele homem de muleta e bengala. Andou no amor por veredas percorridas por poucos, e chegou no espírito onde somente o caminho estreito leva: à vida.

 

Estou aqui em Manaus há 43 dias agora. E durante todo o processo, não só todas as formas de graça se manifestaram — como também fui edificado até às vísceras por ver mais e mais como o silencio de palavras gritadas nas praças, e o exercício do ato diário de amar e atender com a sabedoria simples da fé e do amor, se multiplicam indefinidamente, gerando filhos e filhas, amantes de Deus numa “possoainha” simples, mas que poderia dizer, embora nunca tenha dito, “venham comigo, pois estou indo com Ele e conforme Ele ensinou”.

 

Coisa linda ver aquela multidão de gente até das casas por onde passava o carro, abraçando-o [abraçando a si mesmas] ou jogando beijos para um homem cuja vida eles assistiram de muitas formas diferentes.

 

Sim! O céu está convidativo! Risos!

 

Hoje mesmo eu acordei e pensei: “O que eu ainda estou fazendo aqui?” Risos!

 

Houve um dia no hospital no qual ele arregalou os olhos, sorriu de lado à lada, com toda expressão da face em luz, e disse: “Eu vi Jesus. Jesus é lindo. Ele é lindo!”.

 

Mas depois disso ainda ficou muitos outros dias, num total de quase quarenta.

 

No meu site [www.caiofabio.com] no link Histórias, eu narro quase todos os dias desse processo que me levou de volta para frente; ou seja: que reacendeu em mim antigas paixões e cuidados com o espírito, que me conduziu às origens da minha simplicidade de fé e amor, e que, por essa razão, montou-se na maturidade de agora, e, me levou de volta para frente.

 

Estou saindo daqui muito mais menino em Deus e muito mais homem em Cristo!

 

Em meio a isso tudo nosso amigo Darcy também partiu para o Senhor.

 

A multidão dos amados aumenta a cada dia do lado de lá. O que angustia é ver poucos andando ainda no mesmo espírito.

 

Minha oração e maior desejo de dedicação agora é na formação e no incentivo de gente que deseje andar no Caminho do Evangelho sem “mas” e sem “porém...”.

 

Papai foi um homem para quem o Evangelho jamais teve nem “mas” e nem “porém” algum. Como ele creu, ele creu; e assim viveu; e quanto mais vivia mais nova ficava sua fé e mais simples e belo o seu entendimento.

  

Eu lembro de você me visitando na Flórida, no meio da confusão [no início de 99], sendo aquele para quem me confessei em verdade [à beira de um canal, lembra?]. Junto com isso me vem à memória aquele dia em que você foi me ver num apartamento em Icaraí, no fim de 99 ou início de 2000, indo me abraçar e amar na verdade — e dizendo: “Estou vindo de Manaus. Encontrar seu pai é um presente. É diferente. Você sente quando a pessoa transpira amor!” E como me fez bem naquele dia ouvir aquelas palavras de você, meu amigo na verdade.

 

Sim! Gostaria de ir ter com você para descansar. Mas faremos isto no início do próximo ano, se Ele assim permitir. Nos próximos meses minha prioridade é minha guerreira e apaixonada mãe; que chora baixinho; que o venera com um amor grato; e que a cada dia se admira mais dele, mesmo depois de morto, pois, agora, pela primeira vez na vida, ela está olhando os papeis deles, e vendo que além de tudo o homem era meticulosamente organizado: tudo escrito; tudo contabilizado; tudo certo.

 

Assim, se as condições favorecerem no início do próximo ano, nos faria um bem enorme [a mim e à Adriana] ficarmos uns dias com vocês.

 

Sim! Finquei raízes em Brasília. Creio que o Senhor nos pôs lá; e tudo caminha muito bem, Graça a Ele.

 

Meu mano receba todo o meu carinho e gratidão; e saiba: “Aqui nesta casa você é da casa” — conforme diria meu pai com aquele sorriso de verdade.

 

 

Saudades!

 

 

Nele, que irmana os Dele,

 

 

Caio

 

18/09/07

Manaus

AM