Português | English

Histórias

SEI QUE SOU UM FREEK

SEI QUE SOU UM FREEK

 

 

 

 

 

SEI QUE SOU UM FREEK

 

 

Qual o menino de 18 anos que você incumbiria de pregar o Evangelho com todas as responsabilidades de um velho?

 

Eu fui esse menino!

 

Sei que sou um freek, uma aberração, um menino de circo.

 

Fui dedicado ao nascer por meu pai, que era agnóstico. “É Teu!” — disse ele a Quem quer que Fosse acima dele...

 

Esse me quis!

 

Com sete anos eu queria ver Deus!

 

Aos 10, com a falência da família (até o milagre de 67), informado de que meu pai poderia se matar, passei a orar como um neurótico. Por pouco fui ... e não voltei. Meu processo mental quase me levou a um caminho sem volta, perdido num labirinto de angustias infantis a semi-adolescentes.

 

Aos 13 anos meu pai se converte. Fico grato. A seguir vejo uma endemoninhada das brabas, com chocalho de cascavel e tudo... Era uma besta de possessa.

 

Aquele encontro com o diabo e a gratidão por Jesus ter alcançado meu pai, me puseram no caminho da pregação aos 13 anos.

 

Preguei na 1ª Ig. Presb. De Niterói, na Betânia de S. Francisco, na Wesleiana (várias), na Metodista de Cabo Frio, na Batista Peniel, no Dr. Acioli de Brito várias vezes (Maranata), etc.

 

Tudo aos 13 anos...

 

Até que um profeta safado, que usava a profecia para seduzir as meninas, me fez tanta raiva pela sua dissimulação, que eu joguei tudo pro alto. Fui...

 

Dos 13 aos 18 anos e meio... — só loucura. Todas elas. De todos os tipos. Em excesso e exagero para ninguém botar defeito.

 

Convertido aos 18 anos comecei a pregar em seguida. Um ano depois pregava domingo à noite na TV. Depois nos estádios, praças, ruas, campos de futebol, esquinas, rádio, jornais, presídios, universidades, escolas, favelas, guetos, etc.

 

As multidões vinham aos montes, em todos os lugares, ricos, pobres, educados e incultos. Todos!

 

Daí em diante foi uma avalanche sem fim. Foi tanto, e foi todo dia, e foi o dia todo, e foi em tantos lugares, em tantas cidades, em tantos países, e para tanta gente, em tantas circunstâncias diferentes, e para tantos lideres nacionais e mundiais, e em meio a tantos temas diferentes, e em situações históricas tão diversas; e isso do interior do Brasil às grandes cidades européias e americanas; para teólogos, pensadores, missiólogos, doutores, mestres, autoridades, e, sobretudo, para o povo, em grande número.

 

Sim! De Manacapuru à Moscou; de Rio Verde à Berlin; de Cuiabá à London; de Campos à Los Angeles; de Acari à Dresden; de Cascavel à Amsterdã, etc. De eventos para jovens no Brasil a eventos para jovens de toda a Europa, aos milhares. E, além disso, pregando no mínimo 600 vezes por ano, mas, algumas vezes, até mesmo 900 vezes num ano. E em cada mensagem tendo que ter o que dizer, e, de preferência, com novidade no dizer e no informar.

 

Isso para reduzir minha vida a apenas um aspecto dela, em meio a centenas de outros, com suas responsabilidades.

 

Se eu fosse contar como era, ninguém acreditaria que daria para viver aquilo trinta anos seguidos e não morrer.

 

Estou vivo e feliz. Cheio de alegria no pregar e no ensinar. Mas, saibam: sem nenhum pique para viajar.

 

Se alguém acha que é pouco, tente viver minha vida por um pouquinho só, e me diga se agüenta.

 

Assim, contem comigo, daqui, do meu computador, de minhas falas na rádio, nos meus textos no site e nos livros, e nas pregações aqui no Caminho e nas suas retransmissões.

 

Mas é aqui que fico. Qualquer outra saída daqui tem que ter outras razões. Mas elas são muito escassas e se tornarão cada vez mais raras.

 

Quem se interessar pelo que digo, prego, ensino e penso, terá que ler meu site, comprar DVDs e Cds, ouvir a rádio, ou vir a Brasília, pois, dia a dia, minha decisão é ficar, e apenas deixar a mensagem ir...

 

Eu disse que sei que sou uma aberração, um freek. Afinal, quase ninguém vive a vida que vivi, exposto às coisas que fui, desde menino, e não se torna uma aberração.

 

A Graça sobre mim é que nunca busquei a tal aberração e não a assumi como sendo para mim.

 

O que não me foi dado de vida pessoal entre os 18 anos e os quase cinqüenta, hoje, aos 52, busco viver com toda serenidade e tranqüilidade.

 

Esta é uma confissão!

 

Esta é minha decisão!

 

 

Nele, que me chama à Vida e ao sossego que me faz ainda muito útil sem se matar,

 

 

Caio

 

10/05/07

Lago Norte

Brasília