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Histórias

SE UM DIA VOCÊ VIAJAR COMIGO... — fique sabendo antes...

SE UM DIA VOCÊ VIAJAR COMIGO... — fique sabendo antes...

 

SE UM DIA VOCÊ VIAJAR COMIGO... —fique sabendo antes...

 

Não faço viagens turísticas faz muitos anos, se é que um dia já fiz alguma. Na realidade não tenho a disposição de nenhuma viagem pela viagem em si. E quando de trata de uma viagem por terras bíblicas, aí então é que toda a minha energia se concentra no objetivo único que me anima a fazer a jornada; ou seja: edificar as pessoas espiritualmente, enquanto vejo-as aprenderem e se encantarem com a relação entre a Palavra e a História, sem falar que certas compreensões de fato somente se aprofundam in loco.

É indubitável que uma viagem pela Turquia, antiga Ásia Menor do Novo Testamento, ajuda o peregrino interessado a discernir coisas que, de longe, por mais que você explique, parece que somente vendo os lugares, sentindo o impacto da geografia e da história, a pessoa se torna capaz de compreender e de internalizar nos sentidos mais profundos do que a Palavra declara.

Ontem, por exemplo, depois de chorarmos de emoção na antiga Laudiceia ou na bela Hierápolis [sempre expondo a Palavra], seguimos para Éfeso, que, para mim, de todas as antigas cidades das cartas de Paulo e do Apocalipse, é disparado o lugar mais fascinante no significado e na riqueza que carrega.

Ora, em Éfeso, depois da “visita”, reunimo-nos no Teatro da cidade, no qual Paulo pregou muitas vezes nos arredores, na Escola de Tirano.

Falei antes de tudo de como os pensadores do período anterior ao de Paulo e de João, gente como Heráclito, Anágoras ou Tales, pela via do pensamento, tinham chegado a conclusões extraordinárias acerca de coisas como a natureza do átomo e até mesmo a realidade de suas subdivisões em partículas ainda menores; ou como Heráclito discerniu em parte que o Cosmos não era fruto da ação dos deuses como criadores, mas do Logos como razão por trás do Universo; ainda que para ele o Logos fosse apenas a Lei da Existência, e não o Deus pessoal que é amor.

Depois mostrei como o fato da cidade de Éfeso ter em Diana [dos Romanos] ou em Artemis [dos Gregos] a sua deusa de devoção, tal fato tinha elementos de natureza histórico/psicológica bem anterior ao culto à deusa greco-romana; posto que as lendas mais antigas digam que a força criativa do elemento feminino sempre marcou o lugar, visto que se diz que as Amazonas teriam sido as primeiras governantes do lugar; o que, durante os anos, acabou por instituir a idéia da Deusa Mãe na cidade; sendo apenas depois disto que se abriu o “espaço” natural para que as outras crenças pagãs encontrassem em Diana [Artemis] a sua deusa-mãe de devoção; e mais: fazendo com que tal fato também, após a “Constantinianização” do que antes fora a Igreja, passasse agora a ter que também fazer a “Virgem Maria”, “mãe de Deus” segundo os crentes corrompidos por Constantino, tivesse que ter vivido, morrido e sido sepultada em Éfeso; num claro processo de sincretismo com as idéias pagãs de antes.

Foi somente depois de também explicar o contexto histórico imediato dos dias de Paulo, que entrei em Atos 19, rememorando em detalhes o significado do que ali acontecera de maneira extraordinária e sem paralelos no Novo Testamento; posto que nenhuma outra cidade tenha sido tão impactada pelo Evangelho, numa revolução de implicações tão profundas, como se deu em Éfeso.

Desse ponto entrei na Carta de Paulo aos Efésios, a mais bela e profunda de suas cartas, com entradas em áreas e dimensões espirituais que nenhuma outra de suas cartas oferece.

Então os levei ao Apocalipse, evidenciando o fato que aquela Igreja do Avivamento de Atos 19 e da Carta Sublime, cerca de quarenta anos depois perdera seu amor, ficando apenas com a ortodoxia sem paixão e sem romance com Deus.

Volta ao teu primeiro amor”, é o grito de Jesus no Apocalipse.

Estou de fora... Abre a porta!”, também é o clamor de Jesus no Apocalipse.

Sim! Mostrei que ortodoxia sem amor não põe Jesus dentro da igreja, que, em tal caso, vira apenas “igreja”...

Após isso falei de mim; sim, de como eu mesmo sabia o que era ser filho de um avivamento de amor, passar a vida pregando a Palavra sem falsificá-la, mas, bem devagar, ir ficando mais com a verdade certa da verdade do que com a paixão entregue e renovada no amor de Deus todos os dias...

Foi quando o guia local me interrompeu no meio do nosso choro de quebrantamento, a fim de dizer que se não corrêssemos perderíamos o avião para a Jordânia, de onde hoje escrevo.

Mas não era fato... O guia local queria mesmo era levar o povo para uma loja de casacos de couro a fim de ganhar uma grana, não como o Demetrio de Atos 19, que achou que Paulo acabaria com o grande negócio de vendas de ídolos de Diana no lugar, mas sim como alguém que deseja levar a comissão que as lojas pagam para que os guias levem o turista para o shop no qual a comissão está já combinada.

Assim, estando no meio do céu, por um engodo, fui interrompido para “não perder o avião”, para logo a seguir ver que de fato era apenas um malogro...

Irritei-me profundamente...

Jamais sairia de casa para fazer viagens por mim já feitas vezes sem conta, apenas para ser interrompido no meio do gozo para ir assistir a desfiles de vaidades...

Aqueles guias nunca mais trabalharão para mim...

Chegamos à Jordânia; e já vim irritado com a possibilidade de que guias com os quais nunca antes trabalhei tentassem fazer a mesma coisa.

No aeroporto de Amã, às 3 horas da manhã, senti que se não interviesse o mesmo aconteceria; posto que no passado já tivesse tido aqui experiência semelhante.

Os dois guias locais, ainda bem jovens e potros, chegaram com a corda toda, dando as cartas que eu não deixo ninguém dar se não eu mesmo; isto quando as pessoas estão viajando comigo e a meu convite.

Parei logo o processo e tratei de enquadrar os meninos...

Hoje me reuni com eles e expliquei como a banda toca comigo; sem tergiversações foram informados acerca do fato que não permitirei misturar os dois manjares...

Nosso grupo é maravilhoso, quase homogêneo no entendimento, talvez apenas em razão de umas cinco a seis pessoas que vieram sem a mesma intensidade de desejo espiritual dos demais; porém, até esses são gente muito boa e aberta para o que estão ouvindo.

Hoje a maioria foi “boiar” no Mar Morto, no lado jordaniano; eu fiquei com alguns no hotel.

Amanhã sim começaremos nossa viagem bíblica por estes lados “dalém do Jordão”, conforme a linguagem bíblica de quem olhava de Israel para o outro lado, onde hoje estamos.

Amanhã iremos ao Monte Nebo e depois a Geresa mencionada nos evangelhos em relação ao Gadareno ou Geraseno.

Geresa tem ruínas antigas maravilhosas e o lugar enseja profunda reflexão na Palavra.

O lado negativo da Jordânia para nós que desejávamos transmitir coisas ao vivo pela Vem e Vê TV é que aqui a Internet é fraca para Enviar sinal de vídeo; e, portanto, apenas gravaremos tudo, mas não podermos enviar nada ao vivo.

Depois de amanhã iremos para a linda Petra.

No dia seguinte entraremos em Israel por terra, da Jordânia para lá; onde meu amigo de mais de trinta anos, Hugo Hurevich estará me aguardando.

Sou tolerante com muita coisa, mas não admito brincadeira de turismo com a Palavra.

Afinal, não sou guia espiritual da CVC, e quem aceita viajar comigo sabe de antemão que não faço turismo, mas apenas viagens espirituais.

Praticamente não tivemos em todos os dias na Turquia uma única reunião sem muito choro, comoção e alegria no Espírito Santo. E assim, na Graça de Deus, continuará a ser.

Portanto, somente daqui a mais três dias voltaremos a transmitir ao vivo pela VVTV.

Receba meu beijo e carinho; e também meu desejo de que na próxima viagem você também venha.

 

Nele, que nunca fez turismo,

 

Caio

Amã/Jordânia

20 de março de 2010