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Reflexões

QUANDO ESTOU SEM TER O QUE PREGAR

QUANDO ESTOU SEM TER O QUE PREGAR

 

 

 

 

 

 

QUANDO ESTOU SEM TER O QUE PREGAR

 

 

Hoje é para mim um daqueles dias que os “pregadores” dizem como sendo um dia no qual não se tem nada pra pregar.

 

Sim. Porque tenho que pregar daqui a pouco, lá na Casa do Caminho. Tenho? Não! De fato, não tenho. Mas sinto que preciso. Além do que, estranhamente, mesmo não tendo nada para pregar, eu estou com muita vontade de pregar; pois, sei que na hora certa receberei; e, por vozes, a ‘hora certa’ vem depois que já estou falando...

 

Quando comecei a pregar, por todas as heranças que em mim existiam na alma, como um jovem homem — decidi que não pregaria jamais o que não me viesse do coração.

 

Vivi assim a vida toda. Por isso, mesmo tendo milhares de coisas a dizer em textos bíblicos, não considero que eu tenha nada para pregar, a menos que eu esteja cheio de algo, de um sentir, de uma visão emocionada, de um texto, de uma arquitetura de pensamento maior do que eu, de uma voz interior.

 

Todas as vezes que abri mão dessa entrega (por educação infantil muitas vezes escrevendo minhas palestras e enviando-as com antecedência, em caso de “congressos”) — senti que algo se havia descolado em mim.

 

Mas estou falando apenas de mim. Meu ser é assim. Sou intensamente existente. Sinto o momento. Realizo como a eternidade habita os instantes. Alimento-me das fagulhas que penetram a atmosfera do tempo, perfuram a crosta do espaço, e visitam-me num ‘momento no espírito’.   

 

Além de que tudo, hoje, me remete para a Palavra. Não consigo não ver as coisas por ela. Faço tudo tendo o espírito da Palavra como alimento. Todas as atividades podem ser feitas assim. Do ato de pregar ao ato de fazer amor. Tudo pode ser vivido na experiência libertadora da Palavra da Vida.

 

Mas quando a mensagem brota, por vezes ela vem como um raio de fora, por vezes ela vem como um vulcão ou uma fonte, vindo de dentro, do mais profundo de você.

 

Outras vezes parece com um entrar num portal. Muitas vezes me sinto como se tivesse sido tomado por uma realidade maior do que eu.

 

E quanto mais dês-visto o que digo de qualquer preocupação com o juízo ou o pensar dos homens, e quanto mais me desligo de formas e convenções, e quanto mais me sinto livre para me comunicar com toda liberdade, mais vejo que a Palavra cresce em poder e profundidade, ao mesmo tempo em que se torna cada vez mais simples e viva.

 

Por vezes me dá a estranha certeza de que a Palavra está posta na minha boca. Daí a certeza no falar. Por vezes sinto que entrei no ambiente do espírito do Evangelho, e tudo de súbito fica claro para além da razão. Outras vezes, os pensamentos ficam diante-dentro de mim, como uma construção abstrato-concreta. E posso vê-los como estruturas. Por isso, muitas vezes fecho os olhos, e olho para eles, dentro de mim.    

 

O mais importante é estar de posse da consciência da paz em Cristo. O mais está resolvido.

 

 

Nele, que tece Seu amor em nós,

 

 

Caio

 

28/03/07

Lago Norte

Brasília