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Reflexões

QUAL É O PROBLEMA DO MAL?

QUAL É O PROBLEMA DO MAL?

 

 

De onde vem o mal segundo as Escrituras?

As Escrituras não tratam da questão metafísica do mal, mas apenas afirmam a sua existência — tanto autônoma quanto dependente de Deus. Tanto existe contra a Vontade de Deus, como também a cumpre contra seu próprio intento perverso.

Portanto, nas Escrituras, o mal não é explicado metafisicamente. Elas partem da realidade dele no mundo. Na experiência da existência. E só então tratam da existência de forças espirituais que se vinculam a experiência do mal concreto no mundo.

A presença da Serpente no Éden prescinde de explicação. Fazia parte; e não se diz a razão.

Entretanto, a Serpente fala pelo mal personalizado e auto-consciente. Fala pelo Mau como pessoa não-humana. 

Assim, sem saber por que... — sabemos o quê.

Não sabemos por que o mal existe. E nem sabemos a procedência do emulador do primeiro intento maligno na essência de um ser — de Satanás, por exemplo.

Sabemos que as Escrituras colocam todas as criaturas como criaturas de Um Único Deus. Satanás (seja ele quem tenha sido antes de se endiabrar) foi gerado em Deus, de Deus, por Deus e para Deus.

E que “mau” poderia existir fora de Deus? Especialmente um ser - mau ou um “mau-ser”?

Sim! Se existisse qualquer coisa “fora de Deus” — essa coisa, por sua própria existência “fora de Deus”, seria divina e igual a Deus.

Se Deus É. Então, fora de Deus, nada É. E se há algo fora de Deus, algo fora de Deus também É. E se É, é igual a Deus. Aliás, acaba com Deus. Pois, daí pra frente Deus não É. Deus Seria dois. E dois não é. Dois são. Um É.

Por isto, se existisse qualquer coisa “fora de Deus” — essa coisa, por sua própria existência “fora de Deus”, seria divina e igual a Deus. 

E se fosse assim...

Daí para frente a coisa toda viraria um jogo de Titãs à moda grega. Tudo uma questão de “plano”, de “esperteza”, e de “poderes”. Bem parecido com o modo como a maioria dos cristãos vêm a Batalha Espiritual. Sim! Bem pagãmente!

Emocionalmente para os “cristãos” há dois Deuses: um Deus e outro deus.

Nas Escrituras o “mau” tem poder sobre o mundo. Sobre os líderes. Sobre o fluxo de dinheiro. Sobre os mecanismos de comunicação e sobre a manipulação de seus conteúdos e temas. Ele é chamado de “Príncipe deste mundo” ou “deus deste século”.

Vemos nas Escrituras o “mau” em liberdade e, ao mesmo tempo, contido. Está solto e preso. Pode e não pode. Faz ou é proibido de fazer. Fere, mas tem de ter permissão. Não mata sem consentimento.

Nas Escrituras os mundos concreto e invisível se misturam. O mal, por conseguinte, assim também se manifesta: con-fuso!

Por isto o “Rei de Tiro” é exemplo e simbolização de como Lúcifer seria ou é.

Por isto também o diabo aparece a Jesus como o líder dos reinos deste mundo, dizendo: “Tudo ti darei...” Como um rei!

Por isto também a Besta poderosa do Apocalipse se confunde com o sistema Político e Econômico — as confederações e confrarias políticas e os Cartéis de Negócios são extensão dela. Os poderes procedem dela, ao mesmo tempo em que a alimentam.

Nas Escrituras anjos e demônios se equivalem. A natureza de seus seres não nos é explicada. São espíritos. Espíritos que nos precedem... E que podem penetrar nossa dimensão.

Anjos são também espíritos de serviço aos humanos e adoração a Deus. São como nossas faces diante do nosso Pai que está nos céus — disse Jesus. Eles socorrem. Aparecem. Ajudam de modo invisível. Visitam-nos em sonhos. Podem comer e beber com os homens sem serem “diferentes”. Também podem tomar formas diversas; ou estar contidos a diversas formas de se manifestarem.

Homens, relâmpagos, ventos, fogo, objetos estranhos, etc. — são imagens a eles associadas.

Eles cumprem papeis pessoais, globais e muito além disso.

Deus precisa de anjos? Certamente não!

Deus precisa de anjos tanto quanto precisa de homens. Assim, pode-se de dizer que Deus criou os anjos assim como criou os homens: por amor.

E, quem sabe, também se pudesse dizer que os anjos mantiveram-se bons ou maus, tendo tido sua própria tentação de “liberdade” ou “autonomia” para serem ou não para Deus.

Os anjos não parecem conhecer “ambigüidades” como a conhecem os humanos.

Entre os humanos parece haver sempre bondade potencial em cada homem mal e haver maldade potencial em cada homem bom.

Os anjos, entretanto, são ou não são. Ou são mensageiros de Deus ou são do mal.

Demônios são primordialmente espíritos de anjos rebelados. Entretanto, existem também os fantasmas, e que não são espíritos humanos desencarnados (conforme a tese espírita), mas sim projeções de energia psíquica liberadas em ambientes específicos, nos quais a maldade, a violência, a perversidade e a indiferença habitaram por gerações e gerações de humanos.

Ora, mais do que de qualquer coisa, os demônios se alimentam desses elementos, e os usam para estabelecer conexões visíveis com os humanos — os que são a tais coisas vulneráveis.

Demônios também sentem fixação em possuir mentes, almas e corpos.

Existe um elemento na natureza do ser humano que lhes é absolutamente desejável: a alma.

E, ligado a ela, o corpo!

Daí as Escrituras também dizerem que o Dilúvio aconteceu porque anjos possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos gigantes; e que se tornaram os poderosos e os controladores do mundo antigo.

O exemplo mais primitivo de possessão demoníaca de humanos é o das filhas dos homens sendo “possuídas” — física e mentalmente — pelos filhos de Deus.

Nos dias de Jesus, com grande abundancia, eles se manifestavam mediante a possessão “clássica”.

E assim é na maior parte das vezes.

O homem é bom e é mau. Portanto, ele é ambíguo. Ele quer o bem... — mas muitas vezes faz o que é mal; embora se culpe por isto.

Entretanto, é do coração dos humanos que procedem as fontes boas e más desta existência.

O homem é anjo e é demônio!

Anjos e demônios, portanto, sentem profunda atração pela existência dos humanos.

Por isto se diz que os principados e potestades aprendem com os homens.

Eles aprendem e devolvem o foi “aprendido”, em outra forma — mais profunda e mais sofisticada.

Homens ficam possessos de anjos demoníacos, mas não de anjos submissos a Deus.

É a “possessão” o que os diferencia.

A bondade dos anjos em relação aos homens está em servi-los sem possuí-los. Já a maldade dos demônios vem da intenção de comer, de devorar, de possuir, de dissolver os humanos neles mesmos.

Ora, os humanos também produzem elementos de maldade invisível, além da obvia, concreta e conhecida maldade que somos capazes de gerar.

Os homens geram Dilúvios a partir do Inconsciente Individual e que se torna Inconsciente Coletivo.

Isto acontece pela suma e multiplicação que acontece entre os humanos. Sim! Pela via da inter-conectividade entre cada inconsciente humano — especialmente quando se tornam densos pelo convívio não-sadio.

Os homens são tentados pelo mal que os habita, e que é usado pelo “Mau” que deles se alimenta, e que, por isto, devolve aos homens a sua própria produção em estado de maior sofisticação, o que gera um up-grade na manifestação da perversão humana que acabará por retro-alimentar todo o processo...  

Eu teria muitas e muitas outras coisas a dizer sobre outras dimensões que se conectam a essa rede, mas, estou cansado hoje, e vou ficar por aqui.

Um beijão!

 

 

Caio

 

4/1/07

Lago Norte

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