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Reflexões

PRÉ-CONDICIONAMENTO E SEMANA DA JUVENTUDE

PRÉ-CONDICIONAMENTO E SEMANA DA JUVENTUDE

Eu estava cantando quieto no meu canto, ouvindo os belos ecos que enchem o interior tão imponente da Catedral Presbiteriana do Rio, da qual sou membro, e onde prego todas as terças-feiras. Alguém me despertou do meu “lugar interior”, e me trouxe ao chão. “O senhor podia fazer esse aviso?”—perguntou ele enquanto me mostrava um belo panfleto de algum evento. Então, veio aquele filme de centenas e centenas de solicitações que me faziam, onde eu ia, e de como me sentia mal quando via a tentativa de me usarem para outros interesses. Lembrei-me de como eu me negava a anunciar a qualquer coisa durante muito tempo, pois não queria que de minha boca procedesse nenhuma propaganda, mas apenas proclamação do Evangelho. Sim, me lembrei dos milhares e milhares de cantores, políticos, artistas, testemunheiros, conferenceiros, pregashowdores e muitos mais, sempre pedindo, ou pedindo que pedissem que eu permitisse a divulgação de alguma coisa. Quase todos queriam carona. “Não, me perdoe! Aqui eu só venho, prego e vou. Aqui eu não aviso nada. Me perdoe!”—respondi ao moço, que me olhou de modo compreensivo, ainda que um tanto perplexo. Fui e preguei. Foi tudo muito gostoso. Ao final um amigo me trouxe de carona para casa. No carro ele me disse que eu estaria na “Semana da Juventude da Catedral Presbiteriana do Rio”, na semana que vem, e, então, me mostrou o mesmo panfleto que o jovem da própria Catedral tinha na mão, e que me pedia para anunciar, ao qual eu, em minha viagem de traumas de eventeiros evangélicos, respondi como se fosse alguma coisa oportunista e alienígena, quando, de fato, era apenas um jovem da própria igreja, e pedindo apenas que eu desse uma forcinha e convidasse para um evento no qual eu próprio estarei também pregando. Ou seja: para ele, nada mais natural que me pedir aquele favor. Para mim, um susto, uma resposta traumática, e que não encontrava correspondência na realidade do dia chamado Hoje. Perdão, querido irmão. É só um traumazinho em processo de cura. Caio