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Histórias

PAPAI, SADHU SUNDAR SINGH, MACKINTOSH E MELQUIZEDEQUE!

PAPAI, SADHU SUNDAR SINGH, MACKINTOSH E MELQUIZEDEQUE!

 

PAPAI, SADHU SUNDAR SINGH, MACKINTOSH E MELQUIZEDEQUE!

 

 

“Como posso crer em um Deus que manda um pobrezinho de um índio ou um caboclo, ou qualquer outra pessoa no mundo, direto pro inferno, somente porque a pessoa nunca ouviu falar sobre a Jesus ou sobre a história dos judeus e dos cristãos?” — era o argumento que ouvia ser repetido na boca de meu pai quando eu era ainda menino; e, tal questão, somente nele cessou quando veio a conhecer a Jesus pela fé, mediante a leitura pura e simples do Novo Testamento.

Papai se converteu e fez sua síntese/resposta a esta questão mediante um sonho, no qual ele vira a multidão dos impensáveis e inadmissíveis para a religião, bem acolhidos no reino dos céus.

Eu, todavia, permaneci com a questão dele...

Durante os anos de total ausência de contato espontâneo com o Evangelho, enquanto eu seguia a Loucura, fosse por sentimento verdadeiro fosse apenas por argumento, eu levantava a questão de meu pai quando ele se dizia um agnóstico.

“Como posso crer em um Deus que manda um pobrezinho de um índio ou um caboclo, ou qualquer outra pessoa no mundo, direto pro inferno, somente porque a pessoa nunca ouviu falar sobre a Jesus ou sobre a história dos judeus e dos cristãos?”

Quando parei de lutar contra o Evangelho e decidi que ele era minha única via de vida, a questão perdurou.

De fato eu não conseguia a creditar que se a “igreja” não se dispusesse a enviar alguém para algum lugar do mundo, todo mundo que tivesse nascido naquele lugar já teria nascido com Carteira de Identidade do Inferno.

Não dava para mim...

Não dava para eu ver aquilo no amor de Deus.

Não dava para eu ver aquilo no modo de ser de Jesus.

Não dava para ver como um mecanismo de natureza totalmente humana pudesse ter significado determinante no destino eterno/eterno de um ser humano apenas desinformado.

Não dava para crer que informação histórica fosse a salvação do mundo.

Não dava para crer que Jesus estivesse condicionado a uma informação e à doutrina da informação.

Não dava para crer que seria a boa vontade da “igreja” que poderia salvar ou não o mundo.

Não dava para crer que circunstancias sociais, econômicas, culturais, geográficas ou religiosas pudessem importar para um Deus que fosse Deus mesmo, e não o Santo de Devoção Absoluta de um grupo impiedoso de pessoas.

Não dava para crer na Regionalidade da Salvação que o Cristianismo propunha.

Não dava para amar aquele “Jesus”.

Não dava nem sequer para admirar o “Deus” cujo amor fosse assim, tão pagão.

Fazia apenas um mês que eu caminhava na fé e já estava angustiado com aquilo que, para mim, era o que havia de mais importante, pois, me custava crer que a salvação de Deus, Cristo Jesus, fosse menos abrangente do que o Pecado de Adão.

Foi quando papai me deu “O Apóstolo dos Pés Sangrentos”, um livro sobre o místico/cristão, hindu, e que se tornara celebre pelo seu modo de vida e, sobretudo, pelo modo livre como encontrou a Jesus: somente ele e Jesus. [Sadhu Sundar Singh - Wikipedia, the free encyclopedia].

A leitura do livro me abriu outros mundos simples. Para mim estava claro que Jesus não precisava da boa vontade da “igreja” para se revelar a quem quisesse.

Logo depois papai me deu um livro de um tal de Mackintosh, um autor do século 18, extremante devocional e alegórico em seus interpretações, porém, cheio de amor por Jesus. Foi lendo o seu comentário rico em alegorias sobre o Gênesis que dei de frente com Melquizedeque, Rei de Salém. Mackintosh não era amplo, mas foi suficientemente intrigante e, pela visão mística, abrangente o suficiente para me dar a pista de que era em Melquizedeque o que o nó da questão de Deus com a humanidade sem informação formal do Evangelho era atendida. [http://www.swordsearcher.com/bible-study-library/mackintosh-commentary.html].

Foi desses dois pontos de partida difuso, porém, espiritualmente belos e amplos no amor de Deus que propunham na figura de Melquizedeque, que iniciei me perguntando:

“Não seria esse Melquizedeque o sacerdote de Deus para o mundo em todos os tempos, antes de haver a fé de Abraão, que hoje conhecemos?”

E mais:

“Não seria ele como aquele Anjo do Senhor, que é o próprio Senhor muitas vezes, em suas manifestações no Velho Testamento?”

Ou ainda:

“Se esse Melquizedeque era um rei local, todavia, representava algo maior do que Abraão, e, portanto, faz parte de algo ante o que Abraão se curva”.

Assim, ainda no final de 1973, começou minha viagem pessoal na Bíblia buscando entender o Sacerdócio Eterno de Cristo; o que depois veio a reforçar-se de muitas outras formas, ao ponto de que, em 1976, eu escrevi minha “tese de ordenação” ao ministério Presbiteriano, baseada na Liberdade de Deus como Salvador fora dos termos de Israel e da fé histórica que viaja como informação que até mesmo contém genealogia.

Foi assim que de súbito fui assustado pela percepção do Cordeiro Imolado Antes da Fundação do Mundo.

Então, depois disso, as nuvens saíram... — e fiquei possuído de alegria sem fim.

Afinal, Cristo é tudo!

 

Nele, em Verdade,

 

Caio

1º de abril de 2009

Copacabana

RJ