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Reflexões

OS “BUSCADORES DE DEUS”: Estão matando a Humanidade!

OS “BUSCADORES DE DEUS”: Estão matando a Humanidade!

Por que a busca do homem por Deus tem que ser incluída entre os acontecimentos mais destrutivos da Civilização Humana?

Ou você discorda? Sim, porque você pode discordar. Pode dizer que sem a busca de Deus a humanidade teria ficado pior. No entanto, afora a busca de poder imediato e seus derivados, como conquistas, dinheiro, fama e autoridade de uns sobre os outros, nada tem equivalência tão destrutiva na História quanto a Busca de Deus.

Isto porque a busca de Deus é manchada de sangue desde o início. Caim matou seu irmão, Abel, por causa da busca de Deus. E essa marca jamais se afastou de tal “Quest” pelo sagrado e pelo que é maior do que nós.

Minha questão é simples: por que aquilo que supostamente evoca a “elevação” do espírito, a Busca de Deus, gerou tanta morte, medo, perseguição, destruição de culturas, embates seculares entre povos e etnias, rupturas entre irmãos e pais, a produção de toda sorte de preconceito e juízo, e, sobretudo, tanta arrogância por parte dos buscadores?

Será essa Busca de Deus uma busca de Deus mesmo ou seria busca do diabo? Sim, porque somente a busca do diabo é que deveria produzir tanta desgraça e destruição.

E mais: por que será que quanto mais “uno” e “pessoal” é o tal “Deus”, mais intrigas e mortes são provocadas pelos “Seus” seguidores? Sim, porque a crenças nas divindades impessoais ou absolutas em sua impessoalidade cósmica, produzem menos embates em nome de Deus do que as crenças que afirmam Deus como “relacional” com o homem.

Houve muitos poderes devastadores na Terra e que não se manifestaram em nome de nenhum deus em suas conquistas e devastações infligidas aos homens. No entanto, tais forças, quase sempre militares, carregavam a dignidade da ambição confessada, do narcisismo ditatorial sincero, da megalomania honestamente chamada pelo nome, e pelo desejo de auto-divinização declarada. Por isto, não há tantas guerras a narrar em nome de Buda, ou do Nirvana, ou da Sabedoria de Confúcio, ou da crença branda da elevação dos pensamentos, conforme Zoroastro.

Alguém já viu uma guerra santa acontecer em nome de Tao? Sim, em nome do Nada-Tudo-Tudo-Nada?

Entretanto, desde a fundação da crença na Busca de Deus, segundo a Bíblia, as lutas e as disputas homicidas estiveram sempre presentes. A História de Israel está marcada pelo sangue dos que, em nome de Deus, foram mortos pelos seus próprios irmãos; sendo os profetas o maior exemplo disso no passado.

Jesus também foi morto pelo culto à busca de Deus. Sim, pelos Caims que o cercavam. Dos apóstolos, somente João morreu de morte natural e velho. Os demais foram mortos em razão de que aqueles que eram adeptos da busca de Deus incitaram as autoridades contra eles... irmãos contra irmãos.

Os três grupos de buscadores de Deus que mais mataram na Terra, em nome de Deus, são justamente aqueles que dizem que “Deus é Um”, e, além disso, o confessam como um Deus relacional e pessoal; seja Javé, dos judeus; seja “O Pai de Nosso Senhor”, da Cristandade; seja “Alá”, justo e vingador, conforme os de islâmicos.

Ora, são esses “Deuses” ou “Deus”, e que teoricamente é o mesmo Deus, estando ligado inclusive à mesma genealogia humana, a de Abraão, o Deus em nome de quem mais se matou e mata, e, em nome de quem mais riscos de confronto e extinção humana já aconteceram e estão acontecendo na Terra.

Ora, em minha opinião, entre dezenas de razões de natureza fenomenológica que aparecem nas analises das dificuldades humanas no planeta — sejam históricas, sejam políticas, sejam econômicas, sejam psico-sociais, ou sejam ainda de natureza étnica e cultural —, nada se compara ao poder da energia dos buscadores de Deus na animação dos atuais processos de perigo de confrontação genocida entre os humanos.

Ora, como eu disse, as razões são muitas, porém, nada se compara ao papel de “Deus” nesta história de ameaça de morte, conforme hoje se vê. A morte e a autodestruição estão sendo discutidas a partir da importância do “lugar de Deus” no mundo.

O Deus judeu, pai do Deus cristão, o qual é também o inspirador do profeta Maomé, através do anjo Gabriel, é o Ente em nome de quem tudo é feito no Ocidente da Terra; indo de discussões sobre sexo (até a camisinha...) à possibilidade de enfrentamento com chance de auto-aniquilamento; tudo em nome dos “valores de Deus”.

Os Judeus, em seu próprio nome e também em nome de Deus, disputam o direito de primogenitura de um chão. Aliás, disputam um direito de legalidade, já que Isaque, pai dos judeus, nasceu depois de Ismael, pai dos árabes. Entretanto, Isaque era filho oficial e, conforme a fé, filho da Promessa; enquanto Ismael era apenas o filho de uma pressa, o produto de uma tentativa humana de procriação entre Abraão e a serva Hagar. Os cristãos são aliados naturais dos Judeus e de suas causas em razão de que Jesus era judeu e nasceu conforme as profecias das Escrituras dos Hebreus. Além disso, os cristãos também lêem a mesma Bíblia, no Antigo Testamento, que os judeus lêem. Os islâmicos, entretanto, se vêem como a última revelação de Deus aos homens, posto que Maomé é mais recente do que Moisés, dos judeus; ou Jesus, dos cristãos. Assim, nesse último caso (dos islâmicos), deixa-se a questão da legitimização pela via do “tempo longo” fora de questão, e afirma-se a proximidade da revelação, a última, como valor preponderante sobre as demais. Aliás, um conceito que os cristãos conhecem bem, visto que é e foi com esses mesmos olhos que um dia já olharam e ainda olham os judeus.

Os deuses impessoais não fazem guerra porque seus seguidores não ouvem vozes. Porém o “Deus” ou “Deuses” dos Judeus, Cristãos e Mulçumanos, é, no caso de ser apenas um, muito temperamental, e parece mudar de idéia de vez em quando. Sim, Ele pode variar da Lei implacável para a Graça do Amor perdoador; pode ir da oferta de perdão à promessa da execução, de um momento para o outro (conforme as guerras cristãs ou as conquistas cristãs nos provaram no curso de quase dois mil anos); pode ir do culto à Justiça de Alá ao terrorista, à guerra santa, ao homem bomba.

E por quê? Ora, como disse, as razões secundarias são muitas, porém a mais essencial de todas é que o Deus Pessoal, sendo buscado de modo religioso, sempre produz tal resultado, desde Caim. Enquanto a busca for do homem por Deus, o resultado será dogmatismo, fundamentalismo e morte. Somente no culto de Abel o Deus pessoal não produz a compulsão homicida e da disputa de poder. E a razão é simples: no culto de Caim o homem tem que ser esteticamente justo para agradar a Deus. Assim, a forma, a fôrma, o rito, o dogma, a doutrina, a verdade, a justiça-própria... são os animadores da alma desses buscadores de Deus.

Ora, por esta mesma razão, tudo aquilo que diz respeito ao Deus desses buscadores, é coisa mais de morte do que de vida. Afinal, para esses buscadores de Deus tais insatisfações com os irmãos são resolvidas com a morte, desde Caim.

Em Caim tem-se o modelo do buscadores religiosos de Deus, que são os que praticam as crenças religiosas conforme as do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, mais até do que nos grupos de buscadores que cultuam o Impessoal. Na crença em um deus impessoal ninguém tem que ser bom, ou melhor, para ele; pois, “ele”..., não está nem aí, posto que não sabe de si. Porém, na fé de Caim, Deus é pessoal e relacional. Mas para Caim, tal relacionalidade dependia dele e de seu senso de agrado estético de Deus.

Ou seja: é o homem tentando seduzir Deus pelas suas próprias virtudes, o que é a própria fábrica de maldades do diabo, posto que produz toda sorte de falsas e arrogantes certezas e um suposto direito de “primogenitura” sobre Deus em relação aos Abels da existência.

Assim, nesse espírito, quanto mais Busca de Deus houver, mais perigoso o mundo se tornará!

É por esta razão que eu digo e repito que o Cristianismo é apenas mais uma religião conforme o espírito der Caim, e não conforme o de Abel, seu irmão. Sim, porque se o Cristianismo fosse filho da fé de Abel, não haveria nele o mesmo espírito de morte e destruição que os filhos do “Deus-Único” promovem à volta da Terra.

A questão, portanto, não é se eu creio em Deus, mas COMO eu creio em Deus!

Se sou um BUSCADOR RELIGIOSO E DOGMÁTICO, provavelmente acabarei cultuando junto a Caim e seus discípulos, buscando alcançar Deus por conta própria e conforme o rito estético-dogmático da crença professada. Mas se ao invés de ser um buscador de Deus eu me torno um ser ACHADO por Deus, por Sua Graça e por Sua misericórdia, então, não há mais jactância e nem mesmo um Deus a ser buscado; posto que é na calma da fé, que garante que Ele nos achou, que o ser descansa em paz o coração. Afinal, acaba aqui a maior de todas as guerras: a batalha do Homem pelo Mando de Deus!

Por enquanto, pense nisto!

 


Nele, que não faz parte dessa Confraria de Deuses, pois reina sobre todos e não é filho da religião, mas sim Filho do Homem e Verbo Encarnado,

 

 


Caio