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Reflexões

O SENHOR DAS ARMAS: e a guerra da qual fugia

O SENHOR DAS ARMAS: e a guerra da qual fugia



No filme “O Senhor das Armas”, Nicolas Cage faz o papel de um homem que descobre desde cedo sua vocação para fazer negócios, e que, pela sua ambição, acabou por se envolver com o comercio ilegal de armas, tendo grandes lucros; e levando-o a uma posição elevada no mundo internacional desse tipo de tráfico. Baseado em fatos reais, o filme mostra um homem que é realmente bom no que faz. Sua arte de solucionar problemas e sua habilidade para negociar com os monstros e ditadores da Terra, tornaram-se tão evidentes, que ele mesmo passou a se ver como nascido para “aquilo”. Em razão de ser tão bom no que fazia, e por se sentir capaz e habilitado, realizando algo que para ele era dinheiro, vício e jogo, ele acabou por perder a esposa, o filhos, os pais, e, por último, foi responsável pela morte de seu irmão. Uma vez preso, diz ao seu perseguidor que logo ele receberia um telefonema para sair da sala, receberia parabéns de um superior, enquanto ele, “O Senhor das Armas”, sairia, remunerado, pela porta dos fundos; pois que a essa altura de sua vida, ele já era fundamental para o governo americano, quanto às suas intenções (do governo) muito freqüentes de posicionar armamentos nas mãos de certos governos ou movimentos de guerrilha ou de para-militares; e, nesse caso, era um homem como “ele” quem era usado para a tarefa suja. E acontece exatamente como ele avisara ao detetive que aconteceria. A cena final é mais ou menos assim. Nicolas Cage dizendo: “Nunca entre em guerras. Venda armas, mas não entre em guerras. E, especialmente, jamais entre em guerra contra você mesmo”. Foi esse “E, especialmente, jamais entre em guerra contra você mesmo”, o que me mexeu as entranhas. Sim, porque essa é a guerra que todos evitam, até “O Senhor das Armas”. É mais fácil viver uma vida de cão, perder a todos os que você ama, matar quem você deseja proteger, etc—mas não enfrentar nenhuma guerra em si mesmo, ou, contra si mesmo. É mais fácil conquistar uma cidade do que dominar a si mesmo. Esta é a guerra das guerras, e onde todas as guerras começam: a nossa carne, segundo Tiago. É mais fácil se entregar aos lobos de nossa carne e às suas hienas, do que enfrentar as forças que em nós operam pelo pendor da morte, que é resultado da fobia da morte, a qual, paradoxalmente, gera inclinação para a morte, assim como um homem que teme as alturas, posto à beira de um parapeito elevado, ao invés de se jogar para dentro, estranhamente, se sente inclinado e chupado para o abismo. Quem foge do auto-enfrentamento, pode vencer o mundo inteiro, mas nada ganha na vida, pois, a única vitória que importa é aquela que me põe sob o comando da Luz da Verdade, e de cujo encontro eu não fujo, ao contrário, até mesmo o busco. Nele, em cuja Luz vemos a luz, Caio