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Reflexões

O QUE É O QUE MATA?

O QUE É O QUE MATA?

 

 

 

 

O QUE É O QUE MATA?

 

 

 

Não é a morte o que mata, mas sim a percepção dela como salário do pecado e como introjeção psicológica da culpa e da transgressão.

 

Pois assim está escrito:

 

Mas da Árvore que está no meio do jardim não comerás, pois, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Elohim disse a Adão.

 

O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus, a vida eterna”. Paulo aos Romanos.

 

Eu Sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente”. Jesus, em frente à tumba de Lázaro.

 

 

Será que algum dia as criaturas já viveram no corpo sem morrer fisicamente?

 

Ora, pode até ter sido, embora eu, pessoalmente, não creia assim.

 

De fato eu creio que quando Deus disse a Adão que o comer do fruto traria a morte, Ele se referia ao morrer espiritual, e não à instalação do fenômeno do morrer físico na experiência humana. E mais: Ele fazia referencia à instalação da cessação da existência física como sendo agora sentida e interpretada como morte.

 

Digo isto fundado no que diz o texto original do Gênesis [em Hebraico], e, também, baseado na constatação histórico - arqueológico – paleontológica de achados insofismáveis acerca da antiguidade da vida na Terra, com a conseqüente experiência da morte física por parte de todas as criaturas.

 

O texto hebraico do Gênesis diz: “Pois no dia em que dela comeres, morrendo, morrerás”.

 

Assim se diz que a morte entrou no mundo como fenômeno espiritual e percepcional.

 

Sim! Agora, quando se morre, sente-se e sabe-se que se morre; a menos que se tenha a vida eterna como certeza maior da vida!

 

E mais que isto: vive-se com a espada da morte na cabeça em razão de se ter ficado sabendo dela [da morte] como juízo contra a desobediência. E como todos pecaram, todos temem a morte, ou, no mínimo, fogem dela, quando não a buscam como teste de raiva contra vida.

 

Afinal, o ser humano sabe que o salário do pecado é a morte, e, por esta razão, quase todos buscam alguma forma de salvação.

 

Ora, a morte física precede a noção de pecado na percepção, embora ninguém pensasse em morte quando se morria, até que o pecado introduziu a morte como percepção que decorre da culpa; e, portanto, do pecado.

 

Quando Jesus disse: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente” — Ele afirmava a Si mesmo como a antítese da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, posto que é Dele que procede a Árvore da Vida.

 

Entretanto, o que está dito é que existe o morrer morrendo [1º], assim como existe o morrer vivendo [2º], assim como existe o viver vivendo [3º], sendo que esta última categoria é apenas o verso da segunda, sendo falada a partir da perspectiva de quem, em morrendo, não se vê morrer, pois, imediatamente passou da morte para a vida.

 

Assim, para Jesus, a morte física era real para quem cria na Ressurreição, sendo que a ressurreição de Lázaro era apenas a metáfora da verdadeira Ressurreição, que é no espírito.

 

Daí o existir morrendo ser o caminho histórico daquele que experimenta o viver vivendo no espírito — isto pela fé na Ressurreição.

 

Portanto, temos:

 

“No dia em que dela comeres, certamente morrerás”; assim como temos: “Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”.

 

Ora, o “ainda que morra” é o que decorre da cessação da vida física e da percepção disso como juízo pelo pecado e pela culpa, fato este que pode ser vencido na percepção, pelo crescimento do significado da Ressurreição e da Vida em Jesus.

 

Daí aquele que ainda prova na percepção o “ainda que morra”, se crê em Jesus, saber que viverá. Porém, aquele que crê em Jesus pode crescer até a experiência de total esquecimento da morte na percepção, o que faz com que prove já no presente, na percepção, a vitória sobre a morte, em razão de se gloriar na esperança certa da glória de Deus. Por isto Jesus diz: “... e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente”.

 

Antes do que quer que seja o significado do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, nenhum homem se despedia de outro homem, pois, não havia na percepção o sentir conceitual nem de morte e nem de distancia.

 

Tudo era uno. O homem era um em Deus, em si mesmo, e com a natureza!

 

Todos eram um, até que um fez todos serem apenas cada um, em profunda dissociação com Deus, de si mesmos, e em relação ao todo da criação.

 

Entretanto, pela mesma razão de unidade, Um, ao morrer por todos, deu vida a cada um, a menos que a pessoa não queira vida, e assim diga a Deus.

 

Ora, nunca que a cessação da vida física poderia ser a morte para seres feitos à imagem e semelhança de Deus, pois, sendo feitos espíritos no corpo, jamais morreriam ao morrer, a menos que, pela desobediência, escolhessem morrer, ainda que o engano fosse de vida.

 

Afinal, o que se prova, se prova, e nada há que faça algo que foi deixar de ser, podendo ser apenas perdoado, mas nunca dês-experimentado.

 

Conheço a morte, mas estou livre dela, embora, nem por isto eu deixe de saber o que é a morte, posto que nela eu existi muito tempo.

 

Graças a Deus pelo dom inefável do fruto da Árvore da Vida.

 

 

Nele, que comeu o fruto envenenado em meu lugar, para que crendo eu tenha vida, ainda que eu saiba que meu corpo morre,

 

 

Caio

Nove de agosto de 2008

Lago Norte

Brasília

DF