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Reflexões

O QUE É ISSO COMPANHEIRO?

O QUE É ISSO COMPANHEIRO?

 

 

 

 

 

 

O QUE É ISSO COMPANHEIRO?

 

 

 

Muita gente me pergunta o que faz um pastor sincero e experiente envolver-se com modas, moveres e novos ventos de doutrina.

 

Minha resposta é simples. Isto porque os elementos que vejo estarem presentes quando gente experiente e sincera embarca em projetos furados, são quase sempre os mesmos; a saber:

 

 

1.         Decepção com o modelo até então adotado, e que, em geral, foi ensinado como “modelo” no tempo de Seminário.

 

2.         A comparação do próprio trabalho difícil com as facilidades e crescimento dos que sempre andam atrás de novas modas, moveres, “modelos” e ventos de doutrinas — e que, em geral, “se dão bem”.

 

3.         O poder social e político que só têm os que possuem igrejas grandes.

 

 

4.         Anos de esforço e sacrifício e que dão psicologicamente ao individuo o sentimento de que ele agora tem “direito a férias” de suas lutas sinceras, e, por isto, pode fazer como melhor seja para o “ministério”.

 

5.         A falta de consciência acerca do fato que o Evangelho é um conteúdo que determina seus próprios meios; pois, o conteúdo do Evangelho deve existir nos meios de sua divulgação ou nos modelos usados para sua veiculação de pessoa a pessoa. Ora, em geral, tais modelos são antitéticos em relação ao Evangelho, tanto em relação aos seus conteúdos, como também relativamente os meios a serem usados em harmonia com Jesus.

 

 

6.         A rendição pragmática ao fato que, muitas vezes, o que é errado segundo o Evangelho, todavia, dá certo como meio de ajuntamento das massas.

 

7.         A confusão entre Deus e Igreja, o que faz com que muita gente sirva a Deus somente como serviço oficial à Igreja, e, quando se decepcionam com esta, em geral nasce no pastor uma liberdade equivalente a uma carta de alforria para fazer conforme melhor lhe pareça visando crescimento numérico e estatístico.

 

 

8.         O cansaço das politicagens eclesiásticas; o que faz com que um pastor sincero e cansado, ao encontrar outros pastores que não têm que dar satisfação de nada a ninguém, passe a ambicionar tal “liberdade” comum aos “donos de igreja”.

 

9.         Falta de conhecimento de Jesus, conforme o Evangelho; e falta consciência sobre o significado do chamado para servir e sofrer, pois, não é possível pensar em viver e pregar o Evangelho sem que isto implique em uma existência sob o signo da entrega e da renuncia, e que sobrevivi pelo amor de Deus e pela esperança de Sua glória a vir a ser revelada em nós.

 

 

10.     Pressão da mulher e dos filhos desejosos de serem filhos de uma dinastia de poder eclesiástico; pressão de amigos já “bem-sucedidos”; pressão da angustia da morte, o que faz a pessoa pensar: “Trabalhei tanto, e fui tão pouco honrado; enquanto estes outros que chegaram agora, fazem como bem desejam e tudo lhes vai bem. Ora, por que não posso eu provar o mesmo sucesso?”.

 

 

Faz anos que toda hora encontro algum amigo que “se rendeu ao engano”, e, em geral, o que ouço deles como “justificativa” é o que acima listei, pois, é o que vejo aparecer como “desculpa” dos que sabem como deveria ser, mas que preferem fazer aquilo que do ponto de vista prático gera retornos imediatos, contábeis e estatísticos.

 

Quando vejo um “velho colega” mudar o curso de seu bom caminho, a fim de seguir o engano das promessas de sucesso que matam a alma e anulam o testemunho do Evangelho puro e simples, o que ouço deles é o que com vocês aqui reparto.

 

Alguns se tornam irreconhecíveis após fazerem a funesta adesão aos “Poderes do Alto Monte” [“Tudo te darei se...”].

 

Na realidade tornam-se ridículos; pois, alguns deles, não apenas estão traindo a si mesmos, mas, também, iludindo o povo; e, como se não bastasse, aprendem maneirismos que os tornam semelhantes velhos dando uma de playboy. Ou seja: fica feio e triste.

 

Todavia, o que mais ouço é o seguinte:

 

Não creio em nada disso, mas cansei de sofrer. Até minha mulher já estava indo em igrejas do “modelo”. Então, cansado, aderi. Mas meu irmão... Se arrependimento matasse!... Agora, porém, nada posso fazer. Dependo financeiramente da igreja, e, agora, todos estão empolgados por lá, o que me deixa refém do que eu mesmo propus. Você entende?

 

Ora, eu compreendo, apenas não entendo como alguém possa existir tão conscientemente contra aquilo que saiba ser a verdade.

 

Você é um desses?

 

Pense bem meu irmão!

 

 

Nele, em Quem os fins devem pré-existir nos meios, modos e modelos, em total harmonia com o espírito de Cristo,

 

 

 

Caio

 

Quatro de setembro de 2008

Pendotiba

Niterói

RJ