Português | English

Reflexões

O MILAGRE É A VIDA

O MILAGRE É A VIDA

 

 

 

 

 

O MILAGRE É A VIDA

 

 

 

Quem não discerne que o milagre é a vida, e que o resto que de bom seja, é apenas força e alegria para viver — nunca aprenderá a viver nesta terra de nascimentos chorados, de gozos doídos, de partos arrancados, de uniões entre espinhos; e de necessidade de paciência e perseverança em amor, assim como se necessita de pão, água, ar e calor.

 

No domingo, já tarde para uma casa em saudade, uma moça veio aqui e entrou no quarto de minha mãe e jogou-se em cima dela, que dormia, dizendo: “Como eu vou viver sem ele?” E gritava isto com insistência, assustando minha mãe. Eu peguei a moça e a levei para a garagem da casa e conversei com ela.

 

“Você não sabe o que é ficar sem ele!...” — me afirmava ela, que vinha aqui de tempos em tempos, e apenas quando não tinha outra alternativa, em razão da escolha suicida que ela fez e que mantém: viver cheirando pó.

 

Eu não sei o que é ter que viver sem ele...

 

Eu?

 

O fato é que aquela moça bem expressa a verdade acima, ensinada a mim por meu pai:

 

A pessoa que não discerne que o milagre é a vida, e que o resto que de bom seja é apenas força e alegria para viver — nunca aprenderá a viver nesta terra de nascimentos chorados, de gozos doídos, de partos arrancados, de uniões entre espinhos; e de necessidade de paciência e perseverança em amor, assim como se necessita de pão, água, ar e calor.

 

Quem não vê a existência assim, jamais encontra vida na existência.

 

Busca, busca e nunca acha nada.

 

Só vê vida na existência aquele para quem a vida é o milagre e a existência é a conseqüência. Não importando “o quê”. Pois, já não há mais “quês” depois que a vida é o milagre em si.

 

Sim! Quem não vê a vida assim é capaz de achar que sua dor longínqua e egoísta é sempre a maior do mundo; e que nesta vida não se tem razão alguma para existir se alguém não viver por nós.

 

A tristeza é constatar que a fraqueza humana que só aumenta frente à existência, é o amargo fruto de não se ver claramente que a existência é secundaria onde o milagre é a vida.

 

Pense nisso!

 

 

 

Caio

 

18/09/07

Manaus

AM