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Reflexões

O INCONSCIENTE COLETIVO E O CASO DOS JUDEUS

O INCONSCIENTE COLETIVO E O CASO DOS JUDEUS

 

O INCONSCIENTE COLETIVO E O CASO DOS JUDEUS

 

A polêmica do momento envolvendo o tema JESUS é o filme de Mel Gibson sobre as últimas 12 horas da vida de Jesus de Nazaré.

Os mais inquietos são os judeus, que acusam o filme de ser anti-semita, em razão de deixar claro que a morte de Jesus foi uma execução romana movida pela pressão das autoridades e de gente do povo judaico, e que se sujeitava a qualquer opinião proveniente do Sinédrio de Israel.

Todavia, existia grande vacilação por parte de Pilatos, a autoridade romana, acerca da conveniência e propriedade da aplicação da pena de morte ao réu. No entanto, os líderes do povo e do templo, não hesitaram em pedir que a morte lhe fosse a sentença; e para selar o desejo de suas almas de que fosse assim, disseram: “Caia sobre nós o seu sangue, e sobre os nossos filhos”.

O fato é que o povo eleito, os descendentes de Abraão, são também aqueles que mataram todos os seus próprios profetas, e que mataram a Jesus, também com a consciência de que Ele era no mínimo um profeta.

No entanto, os interesses políticos imediatos, e a volúpia do poder e do controle que os possuía, quando viram Jesus como ameaça, ou mesmo como a ruína de todo o seu sistema de poder, e que vinha da Religião, e conforme eles a estavam praticando, eles concebiam que a morte de Jesus era a sua salvação terrena, e politicamente benéfica para o povo. E para assim pensarem, eles tinham todas as validações históricas, e que eles podiam apresentar e provar, em conformidade também com a lei; o que dava a eles poderes imensos num contexto no qual a liberdade e o poder para exercê-la, era relativo dentro do próprio grupo oprimido que eles representavam. Seu poder vinha, politicamente, sobretudo da capacidade de não permitir que a ordem fosse alterada.

Desse modo, mesmo contra toda a evidencia em contrário, eles mataram a Jesus pelo medo e pela inveja; ou seja: por sentimentos que habitam toda a humanidade.

Do ponto de vista da consciência espiritual do significado eterno da morte de Jesus, todos nós o matamos, e por todos nós Ele morreu. E isto incluiu os agentes históricos de sua morte, os judeus.


Os judeus fizeram o que qualquer outro povo da Terra faria se encontrasse Deus em Cristo andando pela rua, e anarquicamente desafiando todos os poderes, pela simples manifestação de Profunda Consciência.

A humanidade pode adorar até emanações de Deus, mas Deus mesmo, em toda Sua plenitude, tendo-se tornado um homem, seria algo que chocaria os sentidos até mesmo do Dalai Lama.

Quem quer que se apresentasse ao mundo como Jesus se apresentou a Israel, conforme os evangelhos, haveria de ser morto.

A existência de um homem que falava, fazia e manifestava o que Jesus manifestava de Graça, Sabedoria, Poder, Justiça, Autoridade, e Absoluta Liberdade, conforme Ele manifestava, se tornaria religiosa e politicamente insuportável. E para piorar ainda se dizia Filho de Deus, sendo “ele”, o Grande Ele, e Um com o Pai, que é Deus. Ora, isto era algo absolutamente impossível de ser aceito.

Jesus sabia que era assim. Daí Ele ter acusado-os de verem e não enxergarem, pois Ele sabia que eles não veriam, pois esse “Ver”, é sempre uma Revelação do Pai.

Ele mesmo chora sobre Jerusalém e diz que, infelizmente, aquela Suprema Visita, AGORA, “ainda estava oculta os olhos deles”.

Só uma revelação poderia lhe abrir o olhar. E esta, em geral, é dada aos “pequeninos” e não sos “sábios e entendidos”, os que têm poder.

Assim se estabeleceu o desígnio de Deus para aquela eleição!

Assim os homens cumpriram com total liberdade o desígnio de Deus!

Portanto, levar a questão do filme para o anti-semitismo é estupidez tanto de entendimento espiritual, quanto também em relação a natureza pura e simples do pecado congênito dos humanos, depois da queda, tentando fazer dos judeus, eternos bodes-expiatórios de algo que foi salvação para o mundo.

Além do que, é a também um atestado de total falta de auto-percepção; pois eu e você, sem que tivéssemos tido nossos olhos abertos pela Revelação, teríamos, no mínimo, nos omitido em relação ao caso—se em nossos dias a relação com a morte fosse idêntica ao dos dias “deles”; pois, evidentemente, houve grandes mudanças no conceito de morte de lá para cá, e também de sua aplicabilidade como pena.

Mas alguém o mataria...

Era muito poder anárquico, divino, humano, simples, puro, livre, cheio de autoridade, sem nenhuma pretensão, e total mobilidade, ao mesmo tempo em que se “escondia” também, quando queria escapar do perigo—fazendo-se um “marginal”; e, sobretudo, Ele ainda cometia a loucura de se dizer Deus.

É claro que esse tal acabaria morto no mínimo por algum dos interesses prejudicados.

No que me diz respeito, eu matei Jesus, sou o maior dos pecadores, e o mais privilegiado dos filhos de Seu Pai, que agora é tanto meu Pai quanto é Dele também; pois fui acolhido em Sua Graça, e recebi total perdão e perdão total, e me tornei herdeiro de Deus, e co-herdeiro com Cristo, de todas as coisas!

Uma olhada psicológica sobre esta minha confissão me designaria como um ser sofrendo de um profundo complexo de divindade e onipotência.

Mas é assim que eu me vejo.

Confesso: sou surtado pela fé!

Todavia, voltando ao tema de Israel, é inegável que há, historicamente, um “peso” que acompanha o povo judeu.

Os dias de paz em Israel praticamente nunca existiram, e a terra nunca manou, consistentemente, leite e mel.

Eu olho para Israel e vejo sua vocação histórica para o sofrimento; e isto é tão forte que se poderia pedir permissão para usar uma expressão hindu, de um modo não-hindu, a fim de designar tal experiência contínua de dor. A expressão que designaria essa vereda histórica de agonias seria um “carma de dor”.

Ora, eu olho para esse “carma de dor” que acompanha Israel, pelo menos de duas maneiras, ambas complementares, e de natureza profundamente espiritual e psicológica.

A primeira é a partir da fidelidade de Deus para com o Pacto feito com Israel. Há um Pacto. E Deus jurou. Israel foi consistentemente infiel ao pacto; porém nunca negou o Nome. E como Ele só nega se for negado, Ele continua fiel, mesmo quando se é infiel contra Ele.

Ora, isto significa conhecer a fidelidade de Deus tanto como Graça que Cobre, como também como Graça que Persegue.

A luta de Jacó com Deus se reedita a cada nova geração...

Assim, Israel será perseguido pelo amor de Deus até ao fim. E Abraão e Davi terão sido honrados nas “fiéis misericórdias”. Isto, porém, será assim...com dores e inseguranças totais...até que venha a fidelidade de Israel para com Deus, o que implicará em que eles deixarão de conhecer a Graça que Persegue, e experimentarão a Graça que Cobre.

A segunda maneira como vejo a caminhada de lágrimas e dor de Israel, tem a ver com uma Psicologia da História. Isto porque as gravidades das decisões que Israel tomou no curso de seus milênios, sempre tiveram profundo peso na consciência individual do judeu, como também um incomensurável volume de peso no Inconsciente Coletivo.

Há uma acumulação de gravidades no Inconsciente Coletivo em relação aos judeus. E eles terão que viver com isto, inconscientemente, até que digam “bendito é Aquele que vem em nome do Senhor”.

Israel não terá nem terra, nem paz, nem sossego, até que pranteie sobre “aquele a quem traspassaram”.

Ora, isto não é castigo de Deus, mas uma conseqüência natural da mera existência do Inconsciente Coletivo, e que existe não apenas para os judeus, mas para todos os humanos; mas que tem, também, suas relações de natureza nacional e cultural, viajando pela história, e oferecendo material para reedições de todas as coisas passadas.

A “ira de Deus” não vem de Deus. Vem do derrame de nossa própria culpa, quando esta chove sobre nós; é claro, isto acontece quando o coração ainda não se apropriou da libertação de toda culpa, pela fé na Graça de Jesus.

Desse modo, sem anti-semitismo, Deus o sabe!—pois sou liberto de todas essas idiotices—, porém apenas olhando para a História de Israel como um fenômeno, eu não tenho nenhum problema em dizer que aquele sangue invocado sobre as cabeças dos que clamavam pela morte de Jesus—sobre eles e sobre seus filhos—, sem dúvida continua a assombrar a Alma Coletiva dos judeus; e os perseguirá historicamente até que eles se reconciliem consigo mesmos, em Cristo.

Então, todo Israel será salvo!

E, para mim, isto não será um processo. Ao contrário, será um Dilúvio.

Vai chover, torrencialmente sobre as cabeças de todos os filhos de Abraão, quando eles se converterem ao amor de Deus, e ao escândalo da Suprema Visita, a Encarnação.

Isto acontecerá de repente!

Suas iniqüidades serão limpas num só dia—diz o profeta.

As coisas ficam se acumulando, se armazenando para o tempo próprio. Então, o telhado cai...e aquilo que parecia impossível, se realiza sem ação de homens.

Por amor aos filhos históricos de Abraão e Davi, peço a Deus que logo chegue o dia de sua Redenção, para que descasem de suas dores, e “Raquel não mais chore por seus filhos”.

Assim, não há ira de Deus contra Israel. Há, sim, ira de Israel contra Israel.

Israel é o maior caso de compreensão de como opera o Inconsciente Coletivo de um povo.

Quando o arquétipo do sangue como ira se converter no arquétipo do sangue como Graça, isso no Inconsciente Coletivo de Israel, então, toda culpa neurótica dos semitas será arrancada de uma vez, e eles experimentarão todas as promessas de paz que lhes foram feitas por Deus.

Mas isto só acontecerá quando Israel resolver, na Graça de Deus, a sua culpa inconsciente, recebendo conscientemente Aquele Bendito que vem em Nome do Senhor.

Caio