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Reflexões

O EVANGELHO E BÚZIOS

O EVANGELHO E BÚZIOS

Três ou quatro dias após a virada do ano fui com a minha mulher e alguns de nossos filhos (exceto um deles), passar uma semana em Búzios, na beira da praia, na casa do irmão do sogro de meu filho Davi. Éramos 12 pessoas, incluindo minha neta, Hellena, e meu “neto” Moisés, filho da irmã de minha nora, e que adotou a mim e à Adriana como avós. Música da melhor qualidade. Davi, meu filho, e seu amigo Vitinho, fazem uma dupla da pesada e do melhor nível. Além disso, um de meus enteados, William, também participa com extrema desenvoltura tocando o violão também. Os outros são a platéia, sendo que Daniel, o mais novo de minha mulher, também se arrisca legal numa percussão. Cheguei até a fazer uma letra pro Vitinho cantar na banda dele. E lá mesmo, Davi e ele fizeram a melodia, enquanto eu ia remexendo a letra original, tentando adapta-la ao “som” que eles estavam “gerando”. Ficou legal. Depois quem quiser ouvirá aqui no site; visto que essa foi a promessa que Vitinho me fez, com a confirmação de meu filho Davi. Durante aqueles dias de praia e noites de luar e música, conversamos muito, e sobre quase todos os temas, indo de questões de comportamento até à situação apocalíptica na qual o planeta se encontra. No entanto, uma coisa me chamou atenção mais que todas: A maioria deles conhece Jesus apenas pelas informações “ouvidas” na igreja e por eles apropriada com fé infantil. Ou seja: eles aprenderam que Jesus é o Senhor e Salvador, que é Deus encarnado, e que a Bíblia é a Palavra de Deus; sendo a igreja, instituição, mesmo sendo eles contra quase tudo nela, é a portadora da verdade moral de Deus na terra. Ou seja: é mais ou menos como os católicos se sentem em relação à igreja católica: ela é quadrada, chata, estranha, incapaz de se situar com os tempos, às vezes é perversa, freqüentemente se dedica ao que não tem valor, é incoerente, e tudo mais...; porém, de algum modo, é a representante a guardiã dos valores de Deus na Terra. Quando perguntei o que para eles significava “estar certo com a igreja”, ouvi a seguinte lista: não fumar, não beber, não sair pra night, não transar até casar, ter uma aparência antiga e modesta, e, sobretudo, não deixar de ir aos cultos, crer que o pastor é alguém que sempre fala a Palavra de Deus, e que deve ser diferente de todos os homens, e também o representante de todas as coisas que eles mesmos condenam como juízo e opressão da igreja sobre eles, mas que devem ser encarnadas do bode expiatório-pastor. Então perguntei a eles por que a maioria deles não estava freqüentando nenhuma igreja? Resposta: Não dá. Falta razão, motivação, sentido pra estar ali... Não dá pra tentar ficar surdo quando o pastor fala... Não dá pra ver a falsidade dos que, “fora”, são uma coisa, mas “dentro”, tentam passar por outra... e ainda julgam quem é o que é... Então perguntei quem já tinha lido os evangelhos e todo o Novo Testamento, e descobri que nenhum deles tinha feito isto até hoje. Sim, ninguém, de cabo à rabo, por inteiro, checando tudo. Não! Nenhum deles eram como os Beranos, que conferiam tudo. Perguntei: Como vocês sabem tudo o que sabem, então? De onde vem essa certeza de que vocês estão culpados diante de Deus por não conseguirem andar conforme os ditames da igreja? (coisas como fumar, beber, dançar, etc...) Todos disseram que tinham sido educados assim, até mesmo alguns deles que eu sei que foram em casa educados de outro modo, conforme a faixa etária e os conflitos de cada estação da existência. Ou seja: vi que a ‘educação culposa e autorizada’ da “igreja” é até mais forte do que o ensino dos pais sobre o Evangelho! Sim, aquela ‘casinha’ chamada de “igreja” tem o imenso poder dos centros de maldição e de instilamento de medo nas almas humanas! Que poder! Que Potestade! Resultado: Como não conhecem a Palavra, entregaram seus sentidos, consciência e entendimento à “igreja”. Por esta razão, em seus corações, honestamente, não concordam com suas leis, ao mesmo tempo em que se sentem culpados por isto. E, por esta razão, sentem-se “indignos” de freqüentar a “igreja”; ou seja: o templo. E o pior está por vir: Aceitam de modo passivo que estejam violando as leis de Deus, decididas pela igreja em seus acordos morais e culturais, sem que jamais, por eles mesmos, tenham lido a Palavra a fim de ver se o que a “igreja” diz tem alguma coisa a ver com o que o Evangelho ensina. Então lhes disse que eles estavam presos na roda do ratinho branco; correndo interiormente como um cão corre sem futuro atrás do próprio rabo. Isto porque aceitavam como divino aquilo que nem haviam checado, e que até mesmo repudiavam em seus corações como tendo qualquer coisa a ver com o amor de Deus. Acrescentei que isto os colocaria onde o diabo quer e gosta: amantes culpados de um Deus que em seus corações eles sabem quem é; mas que tem que ser sentido como falsificação da Verdade na consciência, visto que, para eles, mesmo sendo loucura, é a “igreja” quem está sempre certa; e isto apenas porque, religiosamente, o certo sempre tem que ser muito chato e irracional, do tipo: é porque é! Conclusão: vivem para violar aquilo que em seus corações não sentem como violação, mas que sendo mandamento comportamental da igreja, chega a suas almas como mandamento divino; e como não conhecem a Palavra, sabendo de Jesus por boca de terceiros, quase sempre com muita doutrinação, vão amando a distancia o Deus que eles ‘acham’ que os ama, o qual, no entanto, é mais compreendido por eles, do eles por Ele; visto que eles perdoam as loucuras de um Deus que não perdoa a humanidade deles; a qual, foi supostamente criada por Deus; mas apenas para fins de tortura, do tipo: é pra ver e não tocar; é pra saber que é bom e nunca provar; é pra não ver razão ou sentido algum, mas assim mesmo obedecer; e é para dizer que é criação de Deus, ao mesmo tempo em que deve ser considerado diabólico. Não é para estranhar que a maioria dos que enchem os sanatórios mentais, e as clinicas psiquiátricas, sejam filhos desse berço no qual Deus e o diabo são extremamente parecidos. E o mais interessante é que apenas os muito sinceros e íntegros acabam por assumir essa culpa e por oferecer esse perdão a Deus quando o amam apesar de serem violentados em tudo o que resta de sensatez e bom senso em suas almas. Sim, porque os menos sinceros ficam lá, fazem tudo o que desejam às escondidas, mas se enceram com “peroba de crente”, e ficam presentes apenas para julgar a otariedade culposa dos sinceros e enganados acerca de eu engano, o qual não vem de suas “transgressões” aos mandamentos da “igreja”, mas de sua crença no fato de que aqueles mandamentos sejam divinos, não sabendo eles que são apenas duas coisas: ou a moral vigente no século da Reforma, no caso dos Protestantes; e também enganados sem saber que, muitas vezes, tais mandamentos não passam de projeção lasciva e pecaminosa dos doutrinadores, os quais, não podendo assumir o que acham normal e natural, acabam por impor suas frustrações como regra para aqueles que pensam que a Palavra de Deus é tudo aquilo que sai das bocas dos doutrinadores da “igreja”. Infelizmente será assim até que os discípulos peguem o Novo Testamento e passem a lê-lo com sua própria consciência, buscando não conformação com a moral da “igreja”, mas apenas com a verdade do Evangelho. Na esperança de que as Bíblias sejam mais lidas do que vendidas e compradas, Caio