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Histórias

MARCEL “DOS ANJOS”

MARCEL “DOS ANJOS”

 

 

 

 

MARCEL “DOS ANJOS”

 

 

 

 

A gente faz os amigos e encontra os irmãos, sempre e apenas no caminho. Os únicos amigos que tive e tenho que não me vieram do “nada histórico anterior” são minhas irmãs e meus muitos e todos os primos-irmãos; pois é assim que nós todos nos sentimos em relação uns aos outros: como uma família-igreja de verdade — mas quanto aos demais amigos e irmãos, todos nascem e nasceram do chão de meus andares e de meu peregrinar sem saber onde de fato estou indo; pois, a melhor certeza humana é ainda apenas a presunção de mosquitos que se confundem com águias.    

 

Entre esses irmãos do caminho, me nasceu um chamado Marcel Heibel, um médico jovem [posto que ele não é um jovem médico: já nasceu médico; portanto, é apenas médico jovem], cirurgião, com especialidade em Urologia, mas que é bem mais que isto, pois, carrega a intuição dos que tem o dom de curar [os verdadeiros médicos são instrumentos da Graça no dom de cura] , a coragem dos que amam mais o paciente e a vida do que sua reputação, a humanidade que se doa sem medo e que não teme curar enquanto se envolve; que é versado em tudo, mas busca conselho com todos, a começar de sua própria esposa, uma jovem e bela médica Intensivista de UTI, e com quem ele troca experiências e impressões o tempo todo —; e que não tem medo de milagre e não tenta diminuí-los; que crê no saber e busca ser exímio no praticar; que é esperançoso o suficiente para animar, e sóbrio o suficiente para não iludir jamais; que tem a coragem de dizer “fizemos tudo, mas...”, e que tem a alegria de todo verdadeiro médico, que é ver o paciente curado, e não ter a arrogância de dizer: “Eu o curei” — como se ouve muitas vezes da fria e presunçosa boca de alguns.

 

Marcel é ainda jovem, aí pelos 35, mas é idoso na percepção médica. É daqueles médicos à antiga que queriam saber tudo de tudo; pois, de fato, gente como ele, não possui a índole de saber só sobre um pedaço do corpo, se a cura tem a ver com o corpo todo; e mais: ele tem aquela fé humana antiga no poder do amor e da esperança, que é o poder de cura que mais falta nas mãos geladas e distraídas de muitos profissionais da medicina infectada pelo des-sentir.

 

Um médico que não crê em milagre, em cura pelo amor, em fé como poder, em presença dos que amam como linguagem para os pacientes em sua dor e solidão de amor; e que não acredita nas múltiplas formas de interação entre os humanos—ainda não aprendeu o que é ser médico, mesmo que obtenha PHD em PHD.

 

Ora, é justamente porque é um médico é um ser do sacerdócio cientifico da cura, que deveria estar [como manda a ciência] não apenas duvidando de tudo, mas, sobretudo, aberto para tudo; posto que a ciência não evoluiu pela dúvida, mas sempre pelas loucas certezas dos que não pensavam, mas, de tão ávidos que eram, eram “pensados” por Deus; ou seja: iluminados pela verdade em qualquer âmbito ou dimensão dela — da física quântica os saberes menos técnicos.

 

Ontem de manhã, uma vez concluída a cirurgia para “fechar” meu pai, vi a alegria dele e do Dr. Javier [outro como ele; e amigo de nossa casa; e como um filho para meu pai].

 

Estavam felizes por papai, por nós, por tudo, e só depois, bem depois, por eles mesmos. Era tão fácil ver as camadas das alegrias deles!

 

Minha oração e que se levante uma nova geração de médicos à antiga, sacerdotes da cura, “religiosos” em sua devoção no altar dos leitos e dos milagres; prontos sempre a aprender; sempre abertos para tudo; crentes no poder do amor; cientes mais que tudo que medicina sem amor cura quase nada, mas que medicina feita com amor cura antes de operar; pois, cura os operadores a fim de que intervenham como quem é “dirigido”, e não como quem apenas tira o que é pra ser retirado; e com pressa para não perder o “programa”.

 

Com a gratidão de quem é neto do Dr. João Fábio, que deixou a Câmara dos Vereadores, a Prefeitura, a Presidência da Assembléia Legislativa, e a Vice-Governadoria do Estado do Amazonas, para cuidar de pobres e doentes, em casa, até que a morte o levou realizado e carregado nos braços [ao cemitério] pelos milhares que Deus, por Sua Graça, curara através do olhar, das mãos e do amor farmacológico e médico de meu avô,

 

 

 

Caio

 

26/08/07

Manaus

AM

 

Graças ao Pai meu paizinho passa bem. Hoje à noite, às 20:30 (horário de Brasília), no site, repetiremos a minha mensagem de ontem daqui para o La Salle, via Internet, na rádio do site. Ao final eu conto muito do que aconteceu por aqui nesses últimos dias. Emanuel: Deus conosco!