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Histórias

MANFRED, ELBEN, FRED, TIA CHICA, ADRIANA E EU

MANFRED, ELBEN, FRED, TIA CHICA, ADRIANA E EU



Há uns meses meu amigo de mais de 25 anos, Manfred Grellert, me propôs que fizéssemos alguma coisa juntos numa comunidade pobre, visando animar pastores, fortalecer líderes, estimular maior envolvimento social, e, sobretudo, provocar o entendimento de que o chamado do Evangelho é para que cada pessoa conheça a Deus para si própria, numa comunhão pessoal com Ele.

Então foi escolhido o Vale do Jequintinhonha, mais precisamente numa cidadezinha chamada Itaobin.

Na saída do Rio a Varig cancelou o vôo para Belo-Horizonte, e, por essa razão, Adriana e eu chegamos umas quatro horas depois da hora. A idéia era irmos de carros de BH para Itaobin, quase na fronteira com a Bahia. Como não chagávamos, um carro fora adiante. Mafred, todavia, ficou para nos esperar. Quando chegamos foi uma festa revê-lo. Ele, pratico como é, logo me deu as alternativas de ida para Itaobin: poderíamos ir de carro, e, como estava chovendo muito, levar umas 12 ou 13 horas para chegar; ou, então, poderíamos ir de avião para Salvador; e, de lá, para Vitória da Conquista. De Vitória, então, iríamos de carro mais umas três horas até Itaobin.

Preferi ir de avião. A viagem foi longa, porém deliciosa. Conversar com Mafred é para mim puro prazer no Senhor, e um deleite humano. Na noite anterior eu e Adriana não havíamos dormido nada, pois, saíramos de casa as cinco da manhã. Dessa forma, chegar a Itaobin somente às 11 da noite, para nós dois, era muito mais do que apenas o que durou a viagem. Mas nem sentimos. Manfred nos deu descanso, com todo o seu carinho.

Lá encontrei Elben César, velho amigo, e publicador e editor da Revista Ultimato. Também encontrei gente que não via fazia muito tempo, como o Fred, a quem havia conhecido no Congresso Geração 79, em São Paulo, ocasião na qual, ele, ainda bem jovem, me disse que desejava gastar sua vida no Vale do Jiquitinhonha. Está lá até hoje, agora com os cabelos grisalhos e a barba também. Mas manteve o mesmo ânimo. Como me fez bem vê-lo ali, firme conforme seu chamado.

Quem deu toda a infra para o evento foi a Visão Mundial, organização à qual Manfred está ligado a cerca de 25 anos. Eu mesmo, tanto em razão da amizade com ele, como também com Darci Duzillek, que o substitui na organização no Brasil, me envolvi muito com a Visão Mundial, em muitos eventos e parcerias, durante uns 20 anos.

Elben e Manfred falavam pela amanhã. Elben falou sobre devocionalidade e disciplinas espirituais. Estimulou muito a volta a leitura simples da Bíblia, posto que hoje em dia os pastores lêem muito pouco as Escrituras. Manfred abriu Romanos 12 e expôs o texto durante as três manhãs em que falou, dando muita ênfase à vida que se deixa transformar por estar impactada pela consciência das misericórdias de Deus. Eu preguei todas as noites. Na primeira noite falei sobre voltar a conhecer a Deus para si mesmo. Na segunda noite falei sobre o significado de ser discípulo de Jesus. E, por último, falei sobre a necessidade de caminhar transformando charque em peixe do milagre. As três mensagens eram viagens nos evangelhos. No sábado à tarde Adriana teve uma reunião muito importante com as mulheres.

Em todas as reuniões houve muito quebrantamento de coração. Lágrimas corriam, regando as faces com muita freqüência.

Na sexta-feira pela manhã, após a fala do Manfred, uma senhora chamada Tia Chica pediu a palavra. Ela contou como Deus a levara a ler Lamentações de Jeremias, e que chamou a atenção dela para o verso no qual se diz que as mãos outrora compassivas, agora coziam seus próprios filhos para comer.

Tia Chica entendeu que Deus lhe falava sobre as crianças que são entregues pelos pais, com 10, 11, 12, 13 anos, para se prostituírem com os caminhoneiros que por lá passam em profusão. Hoje ela cuida de 320 crianças, angariando fundos de doadores espontâneos, e fazendo, em obediência à voz de Deus, uma obra de misericórdia e graça, e que tem sido manifestação do amor de Deus sobre muitos.

Numa das tardes visitei um lugarejo que está sendo ajudado pelas cisternas de coleta de água da chuva que a Visão Mundial vem construindo naquelas comunidades.

Lindo, simples, inspirador, e muito engraçado!

Ver a água mudando a vida daquela gente para o bem me lavou a alma. E quanto carinho nos deram!

Havia lá também um velho muito mulherengo, o qual, logo ao me ver foi logo me perguntando: “Doutor! O senhor num quer levá essa veia aqui (apontando para a esposa), porque se ela abri a vaga eu ponho 20 menina novinha aqui. Leva, leva, doutor! Antes a gente caçava. Agora as danada das mulher caça nós. Leva doutor que eu ponho vinte novinha no lugar da veia”. A mulher dele apenas o olhou pra ele e disse: “Se prepara que hoje eu vou dá uma surra em você!”—se referindo a surra de sexo que daria nele. O velho adorou se sentir tão cobiçado.

Eu já havia passado por lá. Mas minha alma nunca havia estado lá. Dessa vez fui e estive. E como me fez bem ao coração. Muita gente lá foi abençoada, mas eu fui o maior beneficiado.

Sábado às 11 da noite saímos de lá para BH. Pegamos o vôo do meio dia, e chegamos em Brasília às 13:30. Adriana foi direto para uma reunião com as mulheres do Caminho. Eu vim pra casa e fui ler a Palavra. À noite preguei sobre Mateus 14, quando Jesus anda sobre as águas. Fiz uma leitura filosófica do texto, mostrando, por meio dele, o significado da entrada de Deus como milagre na realidade humana. Foi muito gostoso. No fim muita gente estava quebrantada.

Ao final da reunião eu brinquei que os escandalizáveis poderiam ter ficado chocados com o fato da letra de Imagine, do Lennon, ter sido tema de reflexão e cântico, na reunião do domingo passado. Então disse que naquele dia não apenas dezenas de pessoas tinha feito decisões por tornarem-se discípulas de Jesus, como também Deus havia curado pessoas. Então terminei, explicando que ‘sairia mais rápido’ este domingo porque estava muito cansado. Mas assim mesmo, dentro os muitos que vieram falar alguma coisa, ou apenas dar um beijo, um abraço, um cheirinho, um carinho, veio também um jovem que me disse que Deus também o havia curado maravilhosamente.

Estou dizendo isto porque tenho me sentido impelido, cada vez mais, a orar pelos doentes, enfermos e molestados; pois, tenho tido o sentimento crescente que Deus está me impelindo a isto; posto que este é tempo do Evangelho ser confirmado por meio de sinais, prodígios e maravilhas.

Estou muito feliz e esperando um grande banho do Espírito.


Nele,




Caio