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Histórias

MAMÃE: um ente do Evangelho!

MAMÃE: um ente do Evangelho!

 

 

 

 

 

 

 

PREFÁCIO DO LIVRO DA MAMÃE

 

Transcrevo aqui o “Prefácio” que acabei de escrever para o livro de minha mãe, o qual será publicado dentro de poucos meses.

 

Quando o livro sair você ficará sabendo, e poderá adquiri-lo e lê-lo com toda alegria.

 

É lindo o livro de minha mãe!

 

Caio

 

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Tema:

 

O QUE EU FAÇO NÃO SABES AGORA...”

 

 

Prefácio:

 

MAMÃE: um ente do Evangelho!

 

 

 

Eu era menino quando pela primeira vez ouvi mamãe citar o texto de João 13, “o que eu faço, não sabes agora; compreendê-lo-ás depois!”.

 

Estava com 10 anos de idade, era o mais velho, e, de algum modo, participava do drama conjugal que se estabelecera entre papai e mamãe em razão de uma outra mulher.

 

Hoje, aos 54 anos de idade, olho para trás, como já o fiz muitas outras vezes, e lembro da esperança cega de mamãe.

 

Parecia-me loucura aquela coisa de confiar em Deus o que não se podia entender e nem ter qualquer vislumbre de possibilidade.

 

Mas lá estava mamãe, como Abraão, saindo da Floresta e indo para o Rio, sem saber de nada, exceto que minha avó, a Mãe Velhinha, havia ouvido uma voz que dizia “Pede um filho!” — experiência esta de minha avó, porém, conformada à minha mãe pela leitura assustada da Bíblia, enquanto perguntava ao Senhor: “E eu? O que faço?”; quando, então, leu: “O que eu faço, não sabes agora; compreendê-lo-ás depois!”

 

Aliás, mamãe sabia aquilo que deveria ter feito com que ela não tivesse ido com papai; e, assim, ter dado outros contornos à nossa família.

 

Ora, ela ficara sabendo que papai também estava levando a outra mulher e as duas filhas dela para o Rio também.

 

Mamãe, entretanto, foi...

 

E foi grávida... sem poder ter o filho, pois, faltava-lhe o colo do útero. E foi com a minha mana Suely... com o bracinho espatifado por uma queda horrível, e que lhe dava o prognostico de que permaneceria com o cotovelo duro, sem movimentos para o resto da vida. E foi deixando para trás tudo e todos..., apenas seguindo a loucura da voz que falara à Mãe Velhinha, e que se fizera conformar apenas por um texto bíblico que nada dizia; exceto que não se sabia o que estava ocorrendo, mas Deus sim.

 

O livro conta a história moderna de uma fé à moda antiga.

 

Sim! Antiga, porém, eterna.

 

O livro de mamãe é feito de história que hoje soam irreais, de tão apaixonadas em fé e obediência simples.

 

Entretanto, eu estive lá quase o tempo todo, e dou testemunho de que as coisas não foram apenas como ela conta, pois, de fato, foram muito, muito mais difíceis.

 

Mamãe é econômica em tudo, até no narrar umas das histórias mais ricas que conheço. Digo isto porque ela passa batido por inúmeros eventos importantes e não se prende a nada que não aponta na direção do objetivo do livro, que é narrar uma historia de amor: a historia do amor de mamãe pelo meu pai, de meu pai pela minha mãe; e de ambos pelo maior amor de suas vidas: Jesus.

 

Tive vontade de propor a ela que contasse mais coisas. Mas vi que não era o caso, que tudo o mais ficava sem sentido ante o fato que ela estava e está penas falando de amor. Além do mais, a economia dela nas palavras é algo que carrega a simplicidade de Marcos, o escritor do primeiro evangelho, do mais antigo, que, ao escrever, é capaz de reduzir coisas impensáveis a um parágrafo curto, como, por exemplo, quando diz que Jesus ressuscitou dos mortos como se tivesse se levantado de uma soneca.

 

É esta economia de palavras, amparada na certeza da verdade dita, uma das coisas que mais me fascina em minha mãe.

 

Portanto, à história que você lerá — e que por ela chorará e será edificado — ficaram faltando milhares de histórias de papai e mamãe.

 

No entanto, as historias aqui narradas mostram a cepa espiritual e humana da qual papai e mamãe foram forjados e esculpidos como gente.

 

Não escrevo este prefácio por ser o livro de minha mãe. Não! Escrevo porque é uma história que poderia estar na Bíblia, de tão vívida, forte, verdadeira e cheia de amor e fé.

 

Mamãe é uma mulher mais que Sara. Sara seguia, mas mamãe, muitas vezes, guiava em silencio.

 

E mais:

 

O livro de minha mãe não apenas edifica, mas também mostra quão frágeis nos tornamos, mortos em nossas perseveranças, e, sobretudo, imensamente depressivos ante coisa alguma.

 

Mamãe foi honrada pela fé, como aqueles de Hebreus 11:1-34. Mas também honrou a fé, como aqueles de Hebreus 11: 35 em diante.

 

A narrativa é candente, simples, econômica e direta como um texto do evangelho.

 

Assim, recomendo a você a leitura deste livro-mensagem, pois, não teria nada mais verdadeiro para recomendar a você que lesse entre os livros publicados nesta geração.

 

Sei que a leitura deste livro, caso se faça acompanhar de fé e submissão, mudará a sua vida; e mais que isto: mostrará a você como são forjados os homens dos quais o mundo não era e continua não sendo digno de hospedar.

 

Sobretudo, este é um livro que mostra a paga da obediência, mesmo quando se atravessa o inferno, pois, do outro lado, o que se encontra é o olhar do amor de Deus, especialmente se a pessoa entrou no túnel da dor apenas confiando Nele.

 

Sou o filho mais grato deste mundo; sim, por ter esta mãe-evangelho, que é o que a minha mãezinha é.

 

Humanamente falando nada do que aconteceu com papai, comigo, minhas manas, e com toda a nossa família, jamais teria acontecido não fora a fé, o amor e a perseverança de minha mãe.

 

Se meu pai foi “um grande conteúdo”, creia: mamãe foi a “mídia” sem a qual nenhum conteúdo teria sido comunicado.

 

Leia com seu melhor coração. Sim! Como se você estivesse lendo um texto de Maria, a mãe de Jesus, ou de qualquer mulher piedosa a corajosa da antiguidade.

 

Com temor, tremor e muita gratidão,

 

 

Caio Fábio D’Araújo Filho

8 de janeiro de 2009

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Brasil