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Histórias

LUKINHAS, QUANTA SAUDADE! (Juliana D'Araújo)

LUKINHAS, QUANTA SAUDADE! (Juliana D'Araújo)

Lukinhas, que saudade!

Lukinhas, meu irmão, são muitas as saudades da nossa infância. Me lembro do Condomínio Green Park, pulando corda, jogando queimado, brincando de pequena sereia; eu era a sereia, e você o tubarão. Lembro do Pedro falando besteira pra mim, e você querendo tampar o meu ouvido... Lembro de nossas brigas...e daqueles castigos...que recebemos juntos... porque “aprontávamos”.

Me lembro de um castigo em especial. Não lembro o motivo...mas a gente teve que ficar de joelho olhando para a parede...não tinha nada pra fazer...e você me perguntou se eu já tinha beijado na boca de alguém...acho que eu tinha uns 5 anos. Minha resposta, é lógico, foi que “não”; a sua também...

Naquele castigo acabamos dando um “selinho na boca”; foi engraçado; começamos a rir; meio envergonhados; foi o castigo mais legal...

Depois, mais velhos, começamos a fazer muitas besteiras juntos...eu, você e Martina.

Quantas viagens fizemos juntos para a Disney; era legal...já conhecíamos tudo; só íamos para olhar as pessoas se divertindo; foram as melhores viagens.

Quantas coisas boas passamos juntos!

Maninho é assim que vou lembrar de você: sempre alegre, rindo e feliz!

Você me ensinou muitas coisas. O mais importante de tudo, no entanto, você me ensinou com a sua morte...

Aprendi o quanto a gente é frágil. Aprendi como eu tenho que estar mais perto da minha família, meus irmãos, papai e mamãe.

Você me mostrou o caminho que devo seguir...

Hoje eu tenho certeza que vou viver para ajudar as pessoas, não só à minha volta, mas sobretudo vou ajudar aqueles que precisam de ajuda medica.

Depois da sua morte eu descobri que quero ser medica. Quero ajudar a diminuir um pouco o sofrimento das pessoas; quero tentar trazer um pouco de consolo, como o para-medico que tentou me consolar quando você estava caído no chão...

Meu consolo foi saber que você, Lukinhas, não sentiu nada...

Eu sou grata a Deus por isso. Deus fez tudo certinho; não acho que poderia ser diferente; eu tinha que ter visto tudo...

Hoje eu sei o quanto Deus me fez forte...

Falei pra papai que eu quero ser forte igual a vovó Lacy. Ela é uma mulher maravilhosa, iluminada por Deus; se é para eu sofrer tudo que ela sofreu pra ser forte; então, eu estou preparada.

Quero que os meus netos me vejam como eu vejo a vovó!

Obrigada Deus por me fazer forte.
Obrigado por eu ter a oportunidade de estar perto do meu irmão no dia 27/03/2004.
Obrigado pelo consolo!

Lukinhas, você me mostrou que Deus existe mesmo. Hoje eu acredito no poder que Ele tem de cuidar da gente do jeito Dele.

Obrigada Lukinhas por ter me ensinado tudo isso. Você é tão especial!

Deus, muito obrigado por eu ter a oportunidade de estar nessa família maravilhosa...a minha família...a família para a qual o Senhor me deu...e é a família que Deus deu pra mim!

Eu te amo muitoooooo, maninho!

Quantas saudades sentirei de tudo isso! mas o que você deixou é o meu consolo de todo dia,

Sua irmãzinha,

JUJU

Escrito em 20 de abril de 2004