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Histórias

“JESUS JÁ ME CUROU” — disse papai morrendo...

“JESUS JÁ ME CUROU” — disse papai morrendo...

 

 

 

 

“JESUS JÁ ME CUROU” — disse papai morrendo...

 

 

 

Hilton, enfermeiro que amigos nos ajudaram a contratar para ficar com meu pai na UTI durante as noites, me disse hoje cedo, e ontem às minhas irmãs, que na noite de ontem papai [super sedado em razão de estar entubado] fez-lhe sinal com os olhos, indicando que estava acordado e queria dizer algo.

 

“O quê, seu Caio?”

 

Então, aquela boca sem som, com um tubo a ocupar boa parte da cavidade bucal e toda a garganta, sussurrou algo...

 

“O quê, seu Caio?” — insistiu ele, não crendo bem que ouvira sopros de palavras do que ouvira.

 

Então, outro sussurrar idêntico.

 

Não sabendo se admitia o que julgara ter entendido ou se buscava outra confirmação, chamou uma enfermeira da UTI a fim de tirar uma possível prova dos nove.

 

“O quê, seu Caio?” — disse ele mais uma vez. “Repita, por favor!” — e afastou-se para que a enfermeira pudesse deitar sobre papai a fim de ouvir.

 

Então...

 

“Jesus já me curou!” — é isso que ele está dizendo: “Jesus já me curou!” — repetia perplexa a enfermeira.

 

“Então, seu Caio [ele também me chama de seu Caio], eu vi que tinha ouvido certo. Que velhinho danado. É um santo.” — disse o Hilton; e acrescentou: “Já pensou? Ele está dizendo isso o tempo todo, desde a primeira recaída. É fé; né? Todo mundo aqui fica sem acreditar. Mas ele vai sair dessa. Vai sim. Com fé em Deus”.

 

“Hilton, mano. Meu pai já está curado, sempre esteve, e mesmo que morresse, morreria curado; mas eu creio que ele já está curado, e sempre cri que ele voltaria para casa; e que ainda terá tempo de nos contar das maravilhas que ele experimentou de Deus durante esse claustro. Quando ele ficar bom, você vai ser um dos grandes amigos dele. Nunca mais você vai ficar livre de amá-lo. É impossível.”

 

Então lembrei de quando ele estava “indo...” a primeira vez; eu, o médico e o Jerilson [outro anjo-enfermeiro] no quarto; ele, vegetativo; o médico [outro anjo, mesmo] me dizia quais eram as chances humanas e quais os quadros possíveis [todos trágicos, culminado com a morte] — quando, do nada, ele senta e diz: “Caio Fábio! Jesus já me curou! Eles não sabem de nada!” E voltou para o nada...

 

Depois, já agora, no último domingo, quando houve a crise fatal, e que acabou por revelar o que nele estava criando o quadro de septicemia [pura iluminação]; antes de ser sedado de vez, ainda variando, me pegou a mão, e falou baixinho: “Isto é uma poeirinha pro Senhor. Jesus já me curou!” — e se foi...

 

O texto em razão do qual papai veio a conhecer a Jesus, por um “acidente” da Soberania, foi Hebreus 11:1.

 

“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a firme convicção de fatos que se não vêem”.

 

Ele creu levado pela fé; e viveu a fé levado pelo que creu; e nunca creu para menos, mas sempre para mais... E dizia que se pecasse nisso, que pecasse por exagerar na fé, na esperança e no amor.

 

Um homem assim não morre porque a morte para ele já morreu; pois, já passou, de fato, da morte para a vida; e não se apega à existência, mas apenas à certeza da fé e da vontade de Deus para ele.

 

Ele só não foi ainda porque ainda não creu que Jesus disse: “Vem”.

 

Se ele crer assim, creia: ele irá em seguida. Pois, para ele, que já esteve lá e voltou com muita pena de nós, partir é bem melhor; a questão é que até o céu ele só quer quando for a hora de Deus para ele. Aquele homem come com prazer a vontade de Deus; e é por ela que tanto vive morrendo como morre vivendo. Ele vive pelo poder de Deus em Cristo.

 

 

Com gratidão ao Pai de meu pai, que também é meu Pai, e que me faz irmão de meu paizinho,

 

 

Caio

 

22/08/07

Manaus

AM