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Reflexões

DEIXANDO OS PRINCÍPIOS ELEMENTARES DA DOUTRINA DE CRISTO

DEIXANDO OS PRINCÍPIOS ELEMENTARES DA DOUTRINA DE CRISTO



(Leia de uma vez toda a Carta aos Hebreus, sem intervalo... isso logo depois de ler este texto.) Quem lê os evangelhos logo descobre que Jesus, ao contrário da igreja, quase não fala em ‘pecado’. Aliás, não fora pelo Evangelho de João, no qual entre os capítulos 6 e 9 Jesus fala bastante sobre o tema, praticamente pouco saberíamos de Seu pensamento explicito sobre o assunto. Ademais, mesmo nos textos que mencionei, a maior parte das falas se relaciona ao modo ‘pecador’ pelo qual as autoridades religiosas viam a Jesus. Além disso, quando Ele fala em ‘pecado’, quase sempre, a referência que faz é ao pecado como condição que se expressa pelo desamor, pela perversidade do juízo contra o próximo, e como autonomia em relação à Graça de Deus; o que gera uma total incapacidade de discernir tempos, época, e o mover sutil do vento do Espírito bem diante dos olhos. No entanto, de modo coerente com a profecia de Isaías que dizia que o Messias ‘não gritaria... nem esmagaria a cana quebrada... e nem apagaria a torcida que fumega...”, Jesus nunca é visto fazendo sermão sobre o pecado. E quando enfrenta a questão, o ambiente denunciado por Ele não é da esquina da vida, mas sim o do interior do Templo...; e, mais interiormente ainda, em relação ao ambiente interior dos que estavam cheios de rapina e perversidade... enquanto se mostravam como os senhores do saber... os donos da cátedra de Moisés... os detentores das ‘chaves do reino’... os quais, tanto não entravam... quanto impediam os que desejavam entrar. É em Paulo que uma certa ‘teoria do pecado essencial’ ganha sua força maior, especialmente em Romanos. Ora, digo isto por uma simples razão: o pecado é real e habita em mim—sendo eu mesmo um ser em pecado, à menos que creia na justificação que está em Cristo—; mas, fazer do pecado o tema dos temas, prende a consciência para sempre na questão da culpa, fazendo com que a espiritualidade humana se torne apenas aflita e neurótica; ou, quando se está ‘liberto da culpa’... ainda assim vivendo uma espiritualidade que apenas se diz livre da culpa... mas que não larga o tema. Ou seja: a culpa, mesmo quando se fala em Graça e Perdão, não cessa de ser o tema dos temas no meio cristão, paralisando a consciência para outras dimensões, as quais só se pode alcançar quando esse tema morre como questão em nós. Além disso, quando se fica preso ao tema do pecado, o pecado mesmo cresce com o tema, e toma formas cada vez mais malignas. Na minha opinião, é mais que urgente que se passe a falar usando apenas as categorias de comunicação de Jesus, tanto em palavras como em atos e obras. Do contrário, jamais deixaremos de ser gente do Divã... da culpa... do medo... e da neurose. Jesus pouco fala no assunto...; e, com certeza, quando fala, não elege como pecadores típicos aqueles aos quais elegemos; e, nem tampouco trata o assunto com nossas ênfases morais; limitando-se a ‘perdoar pecados’, não em pregar sobre o pecado. A ironia é esta: Aquele que é o Cordeiro que tira o pecado do mundo, não prega sobre pecado, mas aos pecadores; e, denuncia como os piores pecadores os que pensam que não são, e que alimentam o tema do pecado na vida dos outros como instrumento de controle. Ora, quando o simples Evangelho do Reino é anunciado, com seu amor, compaixão, bondade, verdade, justiça e coragem...; fazendo assim confronto entre o seu entendimento (do Evangelho)... e as ignorâncias que são estabelecidas pelo ‘curso deste mundo’ e pelo ‘príncipe da potestade do ar’...; então, genuinamente, o pecado salta..., não como designação teológico-moral, mas como comportamento cego e guiado pela estupidez do desamor. É o Evangelho, em seu entendimento, aquilo que torna o pecado verdadeiramente algo ‘bandeiroso’. Está na hora dos discípulos de Jesus deixarem de lado os ‘princípios elementares da doutrina de Cristo’ (Hebreus)... e avançarem para novas percepções...; às quais, como eu disse, só podem ser alcançadas quando toda essas questões de ‘obras mortas’ ou de eternos ‘arrependimentos’ dão espaço para uma visão propositiva e pacificada da fé, na qual as pessoas crescem em consciência e percepção, e deixam de existir entre a culpa sem cruz e a cruz com culpa. Em outras palavras: Romanos e Hebreus são um bom começo... mas jamais desejaram ser o teto das percepções da fé. Na real;idade, nos apóstolos nós temos o ‘fundamento’ da edificação...; não seu teto! Quem tem Jesus, conforme o Evangelho, como Pedra de Esquina, esse não nem tanto olhar para cima, nem para o lado, nem baixo... Isto porque em Jesus, a Pedra de Esquina, tem-se o ‘prumo’ e o ‘nível’ para qualquer ‘construção’... não havendo, por essa razão, nenhum motivo para se temer crescer... e ou discernir o que se vê. O fundamento está posto. A coragem para se crescer nas implicações e no aplicativo do que está posto—... e não pode ser mudado...— é o desafio que está sobre esta geração. Agora, cumpre-nos crescer para além das culpas da infância da fé e da lei... e buscarmos outras conquistas... conquistas na percepção de todo bem que há em nós e para nós em Cristo. Permanecer onde estamos... mesmo onde estão aos mais libertos de nós... ainda é um caminho de reações e de explicações... caminho esse que nunca cessa... e que nos inibe no caminho de novas percepções... todas coerentes com o fundamento que não pode ser removido. Pense nisso! Caio