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Reflexões

COMO ME FOI DIFÍCIL ADMITIR QUE SOU LOUCO

COMO ME FOI DIFÍCIL ADMITIR QUE SOU LOUCO



Escrito em 10 de janeiro de 2006 Seria loucura minha não reconhecer minha própria loucura. É ainda o mínimo de lucidez que posso ter. Afinal, pelos parâmetros da psicologia, da lógica e da filosofia em geral, isto sem falar nos chamados ‘cientistas’, eu sou louco de pedra. E por quê? — pode ser que alguém tenha a coragem de ainda perguntar, talvez até porque sofra de mal semelhante; e, portanto, não sendo capaz de se enxergar. É que um sujeito que diz que acredita que a Terra está correndo o risco de acabar, mas que assim mesmo crê que haverá “novo céu e nova terra onde haverá justiça”, sendo isto o resultado de uma aparição cósmica de Cristo, o qual, enviará Seus anjos, e separará homens de homens, para que haja julgamento histórico perante a História; mas que não deixa Sua volta ser apenas a “hora da verdade”, porém, muito mais do isto, é esse o Tempo da Restauração de todas as coisas; posto que uma Cidade vem do céu à Terra, e seu nome é Nova Jerusalém, na qual há portas abertas para todos, e cura e Medicina para os males dos povos; pois nela está a Árvore da Vida e o Rio da Vida; sendo o Cordeiro Eterno a sua luz; não havendo, portanto, nem necessidade de sol e nem de santuário, visto que o Cordeiro a ilumina; e, assim, em Sua Luz, todos vivem; por isto, lá também não haverá santuário. Ora, isto é loucura total! É ou não é? Assim como é loucura crer que haverá um dia em que dois estarão juntos, um será “tomado”, levado, e deixado o outro; dois estarão na mesma cama, um será abduzido, e deixado o outro; dois estarão andando pelo caminho, um será levado, e o outro deixado. Assim..., “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao soar a última trombeta. Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os vivos, os que aqui estivermos, seremos transformados, e iremos ao encontro do Senhor nos ares”. É ou não é pura maluquice? O problema é que eu sou surtado por tal crença, e confesso a todos que creio nessas coisas esquisitas. Sim, eu sou louco de “tudo”... e meu olhar da vida é totalmente falsificado por esse meu crer essencial. Sim, essa fé perverte tudo o que vejo, e entrou tão fundo em meu ser que instilou nele um estado irremediável. E tudo isto tem a ver com a fé que tenho em outra loucura... aliás, em várias outras. Sim, eu creio que Jesus é a Encarnação do Criador de tudo o que existe, sendo assim, Ele próprio, Jesus, Deus entre nós. Creio que Ele é o Cordeiro da Oferta do Amor Eterno, e que se ofereceu em ambientes indiscerníveis da eternidade, pela culpa de toda criação, especialmente dos que possuem consciência de si mesmos. Por essa razão é que creio que a cruz na qual mataram Jesus era mais que uma cruz, sendo ela própria a Cruz, e isto porque Jesus era o Cordeiro eterno fazendo na História aquilo que já era desde antes de haver tempo, espaço, ou qualquer existência. Creio que tendo sido matado pelos homens, morria pelos nossos pecados; bem como se oferecia pela redenção de todas as criaturas. Creio que três dias depois de haver morrido, Ele ressuscitou no corpo, e que, no corpo, apareceu aos Seus discípulos, embora esse corpo fosse de uma outra natureza de energia, pois é o corpo da ressurreição que um dia será de todos. É ou não é total insanidade e evasão da realidade? E para piorar, creio que toda essa desgraça que está acontecendo ao mundo e aos humanos, apesar de que será o inferno-em-si, não é o destino final da humanidade; pois, a misericórdia SEMPRE triunfa sobre o juízo. O problema dessa minha loucura é que ela gera um estado de incurável esperança, e um desejo enorme de ver o entendimento e o amor prevalecerem sobre o egoísmo e a perversidade. E, para piorar, me dá a estranha sensação de que sou irmão de todos os homens, ao mesmo tempo em que entre tantos reconheço alguns em um nível de irmandade mais profunda na consciência. Sou doido ou não sou? Sim, além de todo esse surto de fraternalismo utópico, ainda me animo a crer que há muitos malucos como eu, e que o poder dessa loucura pode ser mais forte do que o de qualquer outra maluquice, bastando apenas que os loucos se unam em torno da insanidade do Amor Eterno, e lutem com as armas mais doidas da história: amor, justiça e coragem em fé. De fato, meu quadro clinico é tão grave que não há quem possa me ajudar! Infelizmente, entretanto, tenho que confessar que enlouqueci e que não paro de enlouquecer, tendo eu perdido a menor vontade de tentar me curar de minhas próprias fantasias de amor com Deus. Perdoem-me a fraqueza! Deus tenha misericórdia de mim, e não me cure de tamanho bem, Caio