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Histórias

CAIO FÊNIX: é meu paizinho!

CAIO FÊNIX: é meu paizinho!

 

 

 

 

 

CAIO FÊNIX: é meu paizinho!

 

 

 

Leia Isaías 40 – todo o capitulo.

 

 

Alguém já brincou sarcasticamente que meu nome deveria ser “Caio Fênix”, ao invés de Caio Fábio; e disse isso meio que na gozação, há uns três anos, assim que iniciamos o Caminho da Graça em Brasília.

 

Gozações e maldades mordazes à parte, de fato, há um Caio Fênix em nossa casa, e, creiam: não sou eu; mas meu velho pai. Só que o poder é o da água de Isaías; ou o fator Ressurreição, presente em seu espírito.

 

Toda a vida dele foi um vôo contra as lógicas e as possibilidades. Fez-se filho do improvável e do impossível como poucos tiveram a ousadia de tentar; ele não apenas tentou; ele se fez.

 

Ontem ouvi mais uma dessas histórias singelas dele; não era nova; porém, nova no modo de contar.

 

Gildo é um amazonense dos bons, comedor de peixe mais do que de pão, e disposto a uma boa luta; inteligente, autodidata, ousado no expressar seus pensamentos, amante da franqueza; é louco de amores por meu pai; e, para ele dirigiu o carro nos últimos anos, fazendo com ele longas viagens semanais para o Monte Sião, no quilometro 180 da BR 010 — Manaus – Itacoatiara.

 

Ontem, à porta do Hospital, à noite, com seu jeito mais direto que uma pedrada certeira, ele me disse:

 

“Eu tava falando com um irmão que me perguntou como era o pastor Caio [meu pai]; e eu disse que ele era o homem mais homem e de Deus que eu já tinha visto. Que aquele espírito dele já não existe por aí... Que tem uma coisa nele que é intimidade com Deus mesmo. Por isso, ele não tem medo; e tem um poder nele que a gente sente; sem ele fazer nada; sai... E disse que poderia falar muito, mas que iria só dizer o que eu vi no dia que aqueles homens armados entraram lá na casa dele [faz uns dois meses e meio]. Estávamos eu, dona Lacy e ele. Eu vi tudo. Os caras vieram com aquelas armas [há suspeita de que fosse uma quadrilha de policiais]. Nenhum homem enfrentaria aquilo... Nenhum. Eles chegaram para qualquer coisa... Me pegaram logo. E ele, o pastor, distraído, comendo um pãozinho... Quando ele sentiu [os homens estavam a 1 metro dele], nem vacilou: Pegou a muleta, levantou, e falou com aquela autoridade que vem lá do espírito... [ Aqui o Gildo parou e chorou muito nesse ponto da narrativa. Abracei-o. Depois ele continuou]. Aquilo ali era poder de Deus. Saiu aquele poder de Jesus. Era aquele homenzinho virando um gigante... E os homens armados correndo com pavor... Ah! Eu vi a mão de Deus. Eu vi o sinal de Deus. Eu vi o que pouca gente já viu: o poder daquela fraqueza que vem de Deus!”

 

 

Hoje o médico cirurgião, Dr. Marcel, me disse que na UTI é grande o susto que se tem levado com tudo o que ele tem passado; e, passando, passa; e logo começa a reagir.

 

— É valente o nosso velhinho! — dizem na UTI os que já se afeiçoaram a ele.

 

— De onde vem essa força? — já ouvi lá também.

 

A resposta ele mesmo deu antes de tudo ter ficado mais para a morte do que para a vida. Ao retornar numa dessas vezes, ele foi logo me chamando e dizendo, abreviadamente, o texto de Isaías que aqui cito por inteiro:

 

Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, não se cansa nem se fatiga? E inescrutável o seu entendimento. Ele dá força ao cansado, e aumenta as forças ao que não tem nenhum vigor. Os moços se cansam e se fatigam, e os jovens de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças; sobem com asas como águias; correm, e não se cansam; caminham, e não se fatigam.

 

Em toda a minha vida nunca conheci ninguém com a fé, o ânimo, a consolação, a simplicidade e pureza de coração com a qual ele olha tudo e todos.

 

Crer para ele é como respirar!

 

Só entende quem crê. Quem nunca crê nada compreende!

 

Como diz um dos atores do filme “O Alto da Compadecida”, eu também digo:

 

“Eu num sei cumé que foi; eu só sei que foi assim!”

 

Mas de fato, eu sei como foi e sei por que é assim!

 

 

Nele, que nos faz voar como águas mesmo que seja das cinzas das fraquezas,

 

 

 

Caio

 

21/07/08

Manaus

AM