Português | English

Reflexões

AMENOI: BONS VENTOS, BONS ÂNIMOS!

AMENOI: BONS VENTOS, BONS ÂNIMOS!

 

 

 

 

 

AMENOI: BONS VENTOS, BONS ÂNIMOS!

 

 

 

 

A insistência de Jesus em fazer as pessoas não terem medo e nem perderem o bom ânimo é uma das realidades mais insistentes dos quatro evangelhos.

 

Não temais. Tende bom ânimo!”

 

Ou:

 

Tende bom ânimo. Não temais!”

 

Ou ainda:

 

Tem bom ânimo!”

 

Ou mesmo o lindo “Sou eu. Não temais. Tende bom ânimo!”.

 

Jesus mandou ter bom ânimo sempre, o tempo todo, desde o inicio da caminhada com os discípulos até ao fim, quando disse: “Tende bom ânimo; eu venci o mundo”.

 

No entanto, “Sou eu. Não temais. Tende bom ânimo!” — nos apresenta Jesus fazendo uma encenação verdadeira na linguagem acerca de algo que hoje lemos e apenas relacionamos ao poder Dele sobre a natureza; embora dissesse muito mais para os gregos e romanos, que dominavam cultural e politicamente o mundo, respectivamente.

 

No entanto, na mitologia grega, os Anemoi [no grego “ventos”] eram os deuses ventos, os quais tinham suas posições nos Pontos Cardeais; e de cada uma delas [das posições Cardeais] seu respectivo vento procedia; e cada um deles era associado a uma diferente estação do ano e também às condições do tempo.

 

Algumas vezes eles eram apresentados na forma de fantasmas dos ventos, outras vezes como homens com asas [também relacionada à idéia de vento; voar]; e ainda outras vezes como cavalos mantidos nos estábulos de tempestades do deus Aeolus, que foi quem proveu Odysseus com o Anemoi [ventos] na Odisséia.   

 

A divindade equivalente a Anemoi na mitologia romana era Venti [em Latim “ventos”].

 

Quando Jesus manda os Anemoi [ventos] calarem-se, Ele mostrava, para além do episódio imediato, ao resto do mundo [gregos e romanos], que Ele estava sobre todos os Anemoi; ou Venti.

 

Quando anda sobre as águas contra os Anemoi, Ele mostra que nenhum Anemoi (ânimo; vento] pode detê-lo ou deter aquele que com e como Ele anda.

 

Quando a mente dos discípulos [não isenta das influencias de séculos de mitos gregos e romanos; especialmente na “Galileia dos gentios”], associa a chegada de Jesus, andando por sobre as águas, aos fantasmas dos ventos [É um fantasma!] ou mesmo às tempestades do deus Aeolus, a resposta de Jesus foi: “Sou eu. Não temais. Tende bom vento, bom ânimo”.

 

Interessante que os dois episódios mais cenográficos e marcantes dos evangelhos sobre o poder do ânimo conforme incitado por Jesus, acontecem exatamente no contexto no qual a riqueza supersticiosa da relação dos Anemoi [ventos no grego] com ventos e tempestades, está presente; e em ambas os Anemoi são vencidos por Aquele que diz: Tende bom anemoi! Tende bom vento. Tende bom tempo. Tende boa estação.

 

É o tempo e o clima interior [vento; anemoi] o que determina o significado ou não dos anemoi que vêm de fora.

 

Tempestades de fora só são vencidas com bons ventos soprando de dentro, como ânimo, como primavera interna que enfrenta o inverno externo.

 

Provavelmente os gregos tenham entendido essas duas ocorrências dos evangelhos com muito mais significação e profundidade do que a maioria discerniu até hoje.

 

 

Bom ânimo!

 

Sou eu” — diz Ele; e todo ânimo ganha todos os anemoi e todas as direções; soprando de dentro para fora; e parando a força dos ventos externos.

 

 

Nele,

 

 

Caio

 

21/08/07

Manaus

Am